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NEM TE CONTO

Decidira que jamais falaria o que sentia, pelo simples fato de que não desejava causar sofrimento a ela. Preferia suportar as frustrações, calado. Emudecido, tocava a vida como quem toca a boiada, sempre de um lado pro outro, sem qualquer alteração de rota. Engolia, tão somente, numa atitude nobre.

Sofria, indignado por ela não perceber. Será que não era capaz de discernir seus sinais? Mal sabia, mas seus sinais pareciam mais mudos que sua boca. Incomodava-o o fato de ela não notar que seu silêncio gritava sua carência. Talvez ela entendesse sim, mas cruelmente decidisse não atender suas necessidades! Sofria e calava-se ainda mais, como se fosse possível.

Até que chegou o dia em que não foi mais capaz de manter calado o que engasgava há tanto tempo! Repleto de demandas e de razões, decidiu não mais suportar quedado. Pisou a culpa por causar a dor de que pretendeu poupa-la desde o início; despiu-se do controle da raiva que feria a alma silente; e decidiu tudo falar. Anos resumidos em hora.

Mal sabia que começava sua cura! Era tudo o que ela precisava saber. Era tudo o que ele precisava falar. O desabafo que parecia ser o fim, mostrou-se início. Descobriu que o silêncio é a pior forma de agressão, que fere mais que as palavras sinceras e os desentendimentos rotineiros.

Relacionamentos são contratos afetivos em que o direito inalienável ao conhecimento dos sentimentos recíprocos jamais pode ser quebrado.

Com a conversa, tudo é possível; sem ela, nada!

Melhor é falar, mesmo sem saber o que e como, porque é na conversa honesta e não no silêncio resiliente que mora o entendimento.

©2015 Alexandre Robles

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