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SÓ A INTIMIDADE CURA A SOLIDÃO

Lembro-me de conversar com minha terapeuta, uma profissional que muito me ajudou, sobre a solidão, a minha. Havia pessoas que escreviam comentários a respeito do meus desabafos, à época, afirmando que a pior solidão era se sentir longe de si mesmo. Eu discordava. Sabia que no fundo eu precisava não aceitar a mim mesmo, somente, mas precisava de uma intimidade profunda me tocasse ambientes de minha alma que estavam feridos. Precisa de gente. Diziam alguns que eu precisava aprender a viver sem depender de pessoas. Eu discordava. Lembrava da citação poética e teológica do Gênesis, em que o Criador diz que “não é bom que se viva só, farei uma semelhante para que não esteja sozinho”. O ser humano tinha plena comunhão com o Criador e com a criação, mas não tinha sua semelhante. Solidão é não ter semelhante.
 
Minha terapeuta me dizia que eu poderia viver uma experiência de intimidade que me acolhesse. Obviamente que ela não me prometia isso, porque seria leviana, mas disse que sim, era disso que minha alma precisava. Eu concordava.
 
Nenhuma tese sobre a solidão humana que dispense outro ser humano e a intimidade emocional deve ser levada em conta; na teoria ou na prática, não passa de resiliência individualista. Ninguém se basta e ninguém deve buscar se bastar, precisamos uns dos outros.
 
Eu prefiro ser essa metamorfose emocional em busca de intimidade e acolhimento, do que ter aquela velha capacidade de solitariamente dispensar a todo mundo.
 
2016 Alexandre Robles
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