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OUTONO

Desde muito as folhagens exuberantes coloriam a caminhada dos observadores; delas muitos se serviam, muitos admiravam. Eram apenas folhas, embora sua elegância vistosa causasse a impressão de que fossem eternas. Aparência. Segurando cada ramo, pontas de galhos presas ao tronco frágil, que sem exposição, envergava sob a força do vento. Raízes, sim, fortes, não observáveis, mas seguramente profundas a sustentar altura suficiente para forçar que a cabeça fosse erguida a fim de que o topo fosse avistado.
 
Talvez, essa fosse a maior contribuição, a de fazer com que fosse necessário erguer a cabeça. Cabeças erguidas alongam o corpo e fazem notar o céu, por trás. E é com os olhos fitos aos céus que se encontra esperança.
 
Mas como sempre, a estação de quedas chega, as folhas começam a despencar de sua altivez, vê-se o tronco pelado, fragilidade exposta.
 
É outono. Estação da vida que nos lembra quão frágeis somos, afinal, independente da folhagem que somos capazes de produzir. É tempo de aproveitar a fragilidade exposta, a necessidade de resguardo.
 
A vingança marota de quem já viveu um tanto é saber que as estações passam, mas a árvore permanece, trocando folhagem, fortalecendo tronco, aprofundando a raiz.
 
©Outono de 2016 – Alexandre Robles
 
Obs.: Dizem que 21/3 é o Dia Internacional da Poesia e que 20/3/16 é o início do Outono. Que bela estação pra se pensar e escrever poesia.
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