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A ERA DE JACÓ

A geração dos meus pais não podia se manifestar ou protestar sob risco de ser punida pela Ditadura Militar. A minha geração viveu o início da abertura política e a liberdade para se manifestar, mas foi a Geração Coca-cola, rebelde sem causa, que por falta de ideais, sucumbiu ao consumismo e à produção de nulidades culturais. Esta geração está aprendendo a ocupar as ruas e a protestar nas escolas e nas redes sociais. Hoje, quando um político assume uma posição de destaque, nós nos manifestamos com tamanho volume que ele não resiste em suas posições, argumentos, decisões e votos. Essa garotada de hoje está aprendendo a força que seus posicionamentos têm. Não sei se viveremos novamente dias de censura em breve, mas o que sei é que meus filhos viverão dias mais nobres que os meus.

O paralelo é o da época dos patriarcas bíblicos. Abraão foi um homem notável, desafiado a transformar seus dias, sair de seu conforto, mudar limites estabelecidos. Uma história rica. Seu filho Isaque não tinha causas próprias, não assumiu desafios, casou com a mulher que o papai arranjou pra ele, viveu à sombra da história do pai. Seu filho Jacó foi um lutador, brigou com Deus, ocupou seu espaço à força, tomou o lugar do irmão, casou com quem quis, foi à luta por uma nova história.
Vivemos a era de Jacó e eu estava esperando que estes dias chegassem, porque sendo da era de Isaque, sempre carreguei uma nostalgia dos tempos de Abraão.

Eu acredito é na rapaziada.

©2016 Alexandre Robles

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