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NEM TÃO BELO, NÃO TÃO RECATADO, MAS DO LAR

Sou da geração de homens que aprendeu a realizar tarefas domésticas. Justo. Preciso confessar algo, nós homens, desta geração, ainda carregamos a residual e ancestral inclinação a sermos os senhores da casa, em tudo sendo servidos e obedecidos por esposa e filhos. Porém, quando despertamos ao mundo adulto, nos deparamos com mulheres determinadas em equilibrar a balança de papéis na sociedade. Justo.
Minha geração experimentou a primeira afirmação da igualdade de papéis entre homens e mulheres e para que os primeiros sinais deste equilíbrio fossem observados, o que vejo é que o Lar, como ambiente de construção da família, tem sido tratado sem muita atenção.
Talvez por uma nostalgia, novamente ancestral, alguns homens de minha geração têm sentido falta do Lar, da vida familiar. Depois de milênios em que tratamos as mulheres como únicas responsáveis pelo Lar (daí vem o matrimônio), enquanto nós nos ocupamos da caça e dos bens (daí vem o patrimônio), há um sintoma de que agora que as mulheres estão buscando seu lugar no mundo patrimonial, ambos competindo por esse espaço de igualdade, parece que o mundo matrimonial, do Lar, ficou abandonado.
O que acho é que este equilíbrio que se busca na vida social e profissional, justo, confirmo, pode também fazer um retorno de observação ao Lar.
O Lar é nosso ventre social, ninguém é indivíduo saudável sem ser gestado num lar saudável. A casa é nosso abrigo, em que cheiros, fotografias, objetos de decoração formam nossa personalidade em níveis profundos.
Vamos voltar a cuidar do Lar, da casa. Homens e mulheres dividindo tarefas familiares, convivendo em família, cuidando dos filhos.
Convoco os homens de minha geração que aprendam a cumprir tarefas de limpeza e cuidado de suas casas. Lavem louça, banheiro, passem roupa, cozinhem.
Sugiro que pais ensinem seus filhos a limparem seus quartos, banheiros, tênis.
Incentivo às mulheres que tenham paciência com seus homens aprendizes, lembrem-se que vocês têm séculos de experiência, nós não. E que não caiam na cilada de que mulher livre é aquela que não precisa mais cuidar de seu Lar, de sua casa. Nós precisamos que nos ensinem o amor natural pela família.
No final das contas, não se trata de homem ou mulher, mas de humanos, tratando com o amor o Lar, o abrigo, a base de tudo.
Eu confesso. Não sou tão belo, nem tão recatado, mas sou do Lar.
©2016 Alexandre Robles

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