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FOI NA CRUZ

Foi na crucificação que Deus fez tudo por sua criação, especialmente pelos homens. Nenhum instante histórico é tão carregado de significado eterno quanto aquele. Geralmente, quando quero testar a intensidade e a importância de minhas questões, sejam pessoais, sejam teológicas, faço o exercício de me aproximar de Jesus crucificado e perguntar a Ele o que pensa, se é importante mesmo.

Por exemplo, quando me deparo com tarefas e compromissos que preciso cumprir, mas que não tenho vontade, lembro-me dele orando ao Pai, horas antes de ser preso, que se fosse possível, passasse aquele cálice de morte, no entanto, que fosse feita a vontade do Pai e não a dele.

Ou, quando me sinto traído, rejeitado, não reconhecido, enfim, lembro-me dele sendo abandonado e traído por seus amigos.

Quando me lembro de que Ele ficou mudo diante de acusações falsas, eu me envergonho por toda reação impulsiva e agressiva para impor minha razão, brigar por meus direitos e defender minha fama.

E sou desafiado a aprofundar meus relacionamentos quando lembro de Sua oração, pedindo que o Pai perdoe seus maltratores, porque não sabem o que fazem.

Lembro-me de ouvir minha avó cantarolar um hino, enquanto pregava as roupas no varal, “foi na cruz, foi na cruz, onde um dia eu vi, meus pecados, castigados em Jesus, foi ali, pela fé, que meus olhos abri e agora me alegro em sua Luz”.

É ali que meus olhos são abertos e eu enxergo a vida, a importância de cada coisa na vida.

Meus sonhos e desejos pessoais diminuem. Minhas demandas carentes se acomodam. Meus direitos aviltados se aliviam. Minhas importâncias teológicas e filosóficas desaparecem. Sobra minha alma frágil, ajoelhada, adorando e reconhecendo o Amor que não compreendo, mas que me esforço por experimentar em fé, até o dia em que estarei no Colo Eterno do Pai.

©2016 Alexandre Robles

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