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FALAR É A MELHOR SOLUÇÃO

Setembro traz a primavera e talvez seja mesmo a melhor época do ano para falarmos honestamente sobre o suicídio, que é, em última análise, o fim da esperança. Para a Religião é um tabu. Para as pessoas que buscam a Deus, uma possibilidade. Elias foi um dos mais importantes profetas da Antiguidade e chegando a níveis profundos de desesperança, disse que seria melhor morrer. Jonas, confessou o mesmo. Jó, sentiu tais dores. Davi mencionou em seus Salmos.

Em algum momento da vida será normal querer morrer.

Algumas pessoas, porém, são tão pressionadas por situações, experiências e pela freqüência de tais sentimentos, que decidem dar fim à vida.

O bullying é uma causa, quando alguém é submetida à longos processos de vergonha, humilhação, exposição públicos. Em tempos de internet e redes sociais, uma pessoa pode ser destruída em poucas horas. É necessário prestarmos atenção na prática do vexame e da humilhação e protegermos as pessoas que estão sendo submetidas, especialmente crianças e adolescentes. Não se pode subestimar o poder de tais exposições, que muitas vezes começam com brincadeiras, mas se tornam uma séria causa de suicídio.

A solidão e as neuroses que a solidão produz, que fazem alguém se sentir tão só, tão invisível, tão desnecessário, que parece lógica a decisão de se matar, afinal, se não há ninguém que note, que sente falta, que precise de si, não há razão de viver. É muito comum que uma experiência simples de solidão gere um processo mental neurótico, não necessariamente verdadeiro, de que não há um ser humano sequer no mundo que se importe consigo. Por isso que muitas vezes uma pessoa comete suicídio mesmo tendo vários amigos e família, mesmo rodeado de gente. Pode ser que nossa mente produza este fenômeno mesmo quando não estamos de fato sozinhos. Precisamos prestar atenção a pessoas que costumam evidenciar sua solidão, mesmo quando convivem com outras pessoas. E devemos prestar atenção a pessoas que de fato vivem muito sós, que não convivem com outras pessoas, mas somente através das redes sociais.

Um abuso psicológico, físico, sexual, com privação de liberdade e agressão. Especialmente quando crianças e adolescentes, que se sentem ameaçados caso procurem ajuda e sofrem muito por se sentirem desamparados. Sentem medo de contar, sentem raiva por não terem sido protegidos, sentem vergonha por serem submetidos a tais agressões. Quando não tratado profundamente, esse trauma é causa frequente de suicídios. Precisamos nos aproximar de nossos filhos e de todas as crianças e adolescentes de nosso círculo de relacionamento, buscando evitar tais riscos; atentos para intervir e proteger caso aconteça; amando, acolhendo e tratando quem já foi vítima de tais abusos.

O fracasso, a falência. Muitas pessoas que experimentam uma grave perda na vida, seja profissional, financeira, familiar, se sentem tão frustradas e envergonhas que consideram seriamente a morte como única opção. Precisamos apoiar pessoas que vivem profundas perdas, com encorajamento e atenção, a fim de que recomecem suas vidas.

Sentir vontade de morrer é comum. Considerar realmente que a morte seria a melhor solução para problemas ou uma vida que parecem insolúveis é uma possibilidade a qualquer pessoa. Desenvolver uma ideia fixa de morte, planeja-la, contabiliza-la, enfim, é sinal de que estamos adoecidos e precisamos de ajuda.

Prestar atenção sensível a essas possibilidades e às pessoas que dão tais sinais é necessário, é possível, é divino. Sobretudo, tratar com cuidado todas as pessoas com quem convivemos, com afeto, com atenção, é um chamado de Deus à vida.

Sejamos honestos, atentos, cuidadosos, respeitosos e proativos. Não se sabe quando, mas certamente com o passar dos tempos, tais fenômenos serão cada vez mais frequentes, até chegarem os dias em que “os homens desejarão a morte e não a acharão; desejarão morrer e a morte fugirá deles” (Apocalipse 9.6).

O Amor sempre vence!

©2016 Alexandre Robles

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