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A ENTRADA

 

 

A entrada era estreita. Era o final de uma estrada que gradualmente também estreitava. Começava ampla na sua base, mas à medida que subia, tornava-se um caracol que rasgava a montanha, ladeando um precipício que forçava a multidão a se tornar fila.

 

Todos andavam ritmados, não havia paradas, e o que se comentava era a expectativa da chegada. Alguns se sentiam preparados para o momento, por causa dos objetos que carregavam, como relatórios de realizações pessoais, fotografias de viagens religiosas, livros sagrados, patuás, diplomas e homenagens; enquanto outros seguravam fortemente as mãos uns aos outros, esperando que sua união contasse a seu favor, talvez até porque se sentissem protegidos. Havia aquelas que desfilavam confiança ao se cercarem de gurus e líderes religiosos.

 

De modo geral o sentimento de todos era de confiança, mas não havia como esconder certa dose de ansiedade. Ouvia-se sussurros de rezas e dogmas decorados, o que aumentava a sensação de temor sobre o momento.

 

Quanto mais distantes da entrada, maior era a distração que o momento promovia, muita conversa, um raro momento de plena diversidade cultural, muitos idiomas, muitas cores, muitos traços.

 

Conforme a estrada encolhia em largura, maior ia se tornando a concentração. Era necessária acomodação dos passos, alguns esbarrões, pequenos deslizes, tudo com bastante calma, sem maiores complicações. Exigia que fossem desfeitos os grupos que estavam formando, o que causava certo constrangimento. Alguns iam ficando um pouco pra trás. Lamentos iam surgindo, discretos, por causa do que caía enquanto se ajeitavam na caminhada.

 

E a surpresa maior estava por vir. O que começava a incomodar era a diminuição de espaço, a estrada insistia em afunilar e preocupar os caminhantes. Até que apenas uma pessoa por vez podia prosseguir. Começavam a enxergar uma porta, era o primeiro sinal de que estavam chegando, agora caminhando um a um, tentando segurar o que podiam e a quem conseguiam.

 

No topo, encontravam uma área ampla, quando podiam se agrupar novamente e desfrutar certa tranquilidade que já estava minguando no percurso final da subida. Conseguiam se ajeitar e pôr em ordem o que carregavam nas mãos e os que subiram sussurrando retomaram seus ensaios.

 

De um lado, a escada que os trouxe até o que parecia uma ante-sala e do outro, um portal, com forte feixe de luz, mas estreito, tão estreito que somente era possível atravessar uma pessoa por vez.

 

Mais uma vez precisavam soltar as mãos de familiares e amigos, alguns temiam o fato de não poderem entrar com seus gurus religiosos, pois se agarravam à ideia de uma boa companhia para um momento tão importante.

 

Por maior que fosse o esforço, não havia condições de entrar com qualquer objeto, de tão estreito que era o portal, como estreito tinha se tornado o caminho. Houve frustração, pois quase todo mundo carregava o que podia para apresentar como prova de boas ações e importância histórica. Eram diplomas e títulos, fotos de inaugurações e formaturas, relatórios de trabalho voluntário, cartas de crianças e doentes agradecidos.

 

Estranhamente, apenas os que nada carregavam, não se frustravam. E, surpreendentemente atravessavam a porta de entrada com maior satisfação. Isso gerou indignação em quem passou a vida inteira tentando fazer o que achava justo e bom a fim de ser recompensado neste dia. Não aceitavam o fato de que toda sua história honrada fosse nivelada com a história de pessoas que nada fizeram de nobre, mas que tinham o mesmo direito de entrar.

 

Não havia negociação, pela porta estreita somente entraria quem não se apegasse a nada que carregava. Quem se desfazia de tudo o que passou a vida acumulando como garantia para aquela hora, se sentia leve, livre e seguro para entrar. E ao entrar descobria que nada do que na vida foi realizado com expectativa de recompensa ou de compensação por culpa, tem qualquer valor naquele lugar, apenas o que foi realizado em amor gratuito. Descobriam que a única recompensa de uma vida de amor é a comprovação do que já se sabia, que o destino justificava os meios, saber que um dia iriam habitar aquele lugar era suficiente para viverem a vida como se já estivessem ali, não para conquistar sua entrada.

 

E tudo o que havia sido realizado em amor não era computado pelos métodos humanos e históricos.

 

É o portal das indignações da autojustiça, é a entrada que expõe as reais motivações de todos os homens, é o afunilamento da consciência nua e exposta, sem as máscaras que escondem quem realmente somos.

 

E a história estava apenas começando, muitos sustos de libertação ainda estavam preparados.

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Perguntaram-me sobre dúvidas e medos. Os tenho. Lembrei-me do versículo de João: “o perfeito amor lança fora o medo; aquele que teme não está aperfeiçoado no amor”. Fez mais sentido. Conforme vou sendo aperfeiçoado pelo amor, vou temendo menos. Eu temo, não estou aperfeiçoado. Nem no amor que dou, nem no amor que recebo. Vou levando. Só não desisto. Sigo com medo mesmo. Sigo, ora duvidando, ora confiando um bocado. Sigo. Um dia acho que entenderei que é assim que se vive, seguindo.

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À LUZ

Exponha-se, somente às claras é que as questões da alma podem ser vistas; como quando acendemos a luz para enxergar o ambiente em que estamos. Entretanto, exponha-se com cuidado, não é qualquer pessoa que pode ver sua intimidade, nem todos são confiáveis e sua vida não é novela; isto, claro, considerando que você não quer apenas aparecer. Exponha a si mesmo, jamais aos outros, de nada adianta procurar ajuda para falar de outras pessoas com quem se relaciona. Muitos processos de aconselhamento e terapia não são bem sucedidos justamente porque ao dizer que se procura ajuda, muitas vezes está buscando álibi, testemunha de suas próprias razões, concordância com suas reclamações. Exponha a verdade de si mesmo, não perca tempo, não gaste tempo dos outros; não se preocupe em impressionar seu ouvinte, isso não trata, não cura, apenas alimenta vaidades.

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FALAR É A MELHOR SOLUÇÃO

Setembro traz a primavera e talvez seja mesmo a melhor época do ano para falarmos honestamente sobre o suicídio, que é, em última análise, o fim da esperança. Para a Religião é um tabu. Para as pessoas que buscam a Deus, uma possibilidade. Elias foi um dos mais importantes profetas da Antiguidade e chegando a níveis profundos de desesperança, disse que seria melhor morrer. Jonas, confessou o mesmo. Jó, sentiu tais dores. Davi mencionou em seus Salmos.

Em algum momento da vida será normal querer morrer.

Algumas pessoas, porém, são tão pressionadas por situações, experiências e pela freqüência de tais sentimentos, que decidem dar fim à vida.

O bullying é uma causa, quando alguém é submetida à longos processos de vergonha, humilhação, exposição públicos. Em tempos de internet e redes sociais, uma pessoa pode ser destruída em poucas horas. É necessário prestarmos atenção na prática do vexame e da humilhação e protegermos as pessoas que estão sendo submetidas, especialmente crianças e adolescentes. Não se pode subestimar o poder de tais exposições, que muitas vezes começam com brincadeiras, mas se tornam uma séria causa de suicídio.

A solidão e as neuroses que a solidão produz, que fazem alguém se sentir tão só, tão invisível, tão desnecessário, que parece lógica a decisão de se matar, afinal, se não há ninguém que note, que sente falta, que precise de si, não há razão de viver. É muito comum que uma experiência simples de solidão gere um processo mental neurótico, não necessariamente verdadeiro, de que não há um ser humano sequer no mundo que se importe consigo. Por isso que muitas vezes uma pessoa comete suicídio mesmo tendo vários amigos e família, mesmo rodeado de gente. Pode ser que nossa mente produza este fenômeno mesmo quando não estamos de fato sozinhos. Precisamos prestar atenção a pessoas que costumam evidenciar sua solidão, mesmo quando convivem com outras pessoas. E devemos prestar atenção a pessoas que de fato vivem muito sós, que não convivem com outras pessoas, mas somente através das redes sociais.

Um abuso psicológico, físico, sexual, com privação de liberdade e agressão. Especialmente quando crianças e adolescentes, que se sentem ameaçados caso procurem ajuda e sofrem muito por se sentirem desamparados. Sentem medo de contar, sentem raiva por não terem sido protegidos, sentem vergonha por serem submetidos a tais agressões. Quando não tratado profundamente, esse trauma é causa frequente de suicídios. Precisamos nos aproximar de nossos filhos e de todas as crianças e adolescentes de nosso círculo de relacionamento, buscando evitar tais riscos; atentos para intervir e proteger caso aconteça; amando, acolhendo e tratando quem já foi vítima de tais abusos.

O fracasso, a falência. Muitas pessoas que experimentam uma grave perda na vida, seja profissional, financeira, familiar, se sentem tão frustradas e envergonhas que consideram seriamente a morte como única opção. Precisamos apoiar pessoas que vivem profundas perdas, com encorajamento e atenção, a fim de que recomecem suas vidas.

Sentir vontade de morrer é comum. Considerar realmente que a morte seria a melhor solução para problemas ou uma vida que parecem insolúveis é uma possibilidade a qualquer pessoa. Desenvolver uma ideia fixa de morte, planeja-la, contabiliza-la, enfim, é sinal de que estamos adoecidos e precisamos de ajuda.

Prestar atenção sensível a essas possibilidades e às pessoas que dão tais sinais é necessário, é possível, é divino. Sobretudo, tratar com cuidado todas as pessoas com quem convivemos, com afeto, com atenção, é um chamado de Deus à vida.

Sejamos honestos, atentos, cuidadosos, respeitosos e proativos. Não se sabe quando, mas certamente com o passar dos tempos, tais fenômenos serão cada vez mais frequentes, até chegarem os dias em que “os homens desejarão a morte e não a acharão; desejarão morrer e a morte fugirá deles” (Apocalipse 9.6).

O Amor sempre vence!

©2016 Alexandre Robles

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Alguém me perguntou o que é seguir a Jesus. Segui-lo é viver como Ele viveu. E pra saber como Ele viveu, basta ler os Quatro Evangelhos. Ler de modo simples, frequente, acolhendo o que faz sentido à própria alma e reservando o que ainda não se entendeu, ali à frente se entenderá. Simples assim. E por ser simples, parece ofender nossas pretensões intelectuais e filosóficas; por ser simples, complicamos para nos isentar de responder honestamente a tal desafio; por ser simples, cabe em tudo o que é humano, das percepções ao comportamento, nada do que é humano fica de fora da humanidade de Jesus, revelada nas poucas e suficientes histórias registradas.
Este é o Evangelho.

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A gente sempre nasce cego, abre os olhos somente quando vive uma profunda experiência espiritual. Enxergar é habilidade espiritual, contra a qual o mais perspicaz inimigo é a Religião, aquela forma institucional, baseada no mérito pessoal, alimentada pela vaidade das aparências e pela manutenção do bom comportamento medíocre. A Religião é a bengala dos cegos.

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Vivemos pela fé, não pelo que vemos ou sentimos. Eu sei que tudo que me falta está em Cristo, mesmo quando eu não vejo como isso se dá; quando não entendendo o que isso significa; quando não sinto essa realidade.

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PESSOAR
Verbo. Ação de passear no outro. Ato de dar atenção exclusiva a quem está falando, sem a distração de tecnologias. Permissão para que outro ser humano se aproxime e caminhe ao lado de nossa jornada interior. Falar sem receios e sentir-se acompanhado, compreendido.

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O discípulo de Jesus é um ser fronteiriço. Está em constante estado de abertura para o novo, o diferente, o estranho, a fim de que possa obedecer ao Mestre e de fato viver “indo” a todos, sem discriminação. Para isso, sua própria alma está ao avesso, para sentir ao máximo a diversidade magnífica, de culturas, pensamentos, comportamentos e experiências que forma a Humanidade.

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MUDE AGORA

Às vezes a gente sabe o que está errado, sabe que não deve seguir, mas fica orando esperando que Deus mude as leis da vida para que a gente escape imune às consequência; ou que Ele mude nossos desejos de modo mágico e instantâneo. E, ora buscamos conselhos de pessoas que ou concordem conosco para termos a ousadia de fazer mais uma vez; ora buscamos aqueles que discordam de nós, para nos sentimos culpados, como um autoflagelo, que equilibre nosso prazer proibido.

Quando tudo o que precisamos é de decisão e atitude, sim, uma pequena atitude nos liberta. Por isso em Jesus tudo é simples. Ele não explica muito ao convidar diz “vem”, “deixe e me siga”, “vá”, “levante”, “veja”. Todos os que tomam a atitude de seguir a Voz de Jesus em sua própria consciência e abandonam as relações, os comportamentos, os sistemas que os aprisionam, são libertos.

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Esperar. Consertar. Solicitar ajuda. Ações que humanizam e nos libertam das angústias do urgente, do descartável e do individualismo. Lições de um carro quebrado pela manhã. Enxergando com a alma, até o imprevisto serve à espiritualidade.

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NÃO É DOS FORTES

As grandes personagens da história, especialmente bíblica, não eram fortes, mas eram fortalecidos pelo Senhor. Eram pessoas como eu e você, como explica Thiago ao falar sobre Elias, o maior profeta do Antigo Testamento. Elas apenas tinham fé. E não tinham pretensão de se bastarem, muito menos de se mostrarem fortes. Tinham medos, confusões, pecados. Uma das marcas da Bíblia, aliás, é mostrar as fragilidades de seus protagonistas.
Lembro-me de um hino antigo. “Não é dos fortes a vitória, nem dos que correm melhor, mas dos fiéis e sinceros, assim nos diz o Senhor”.
Paz e coragem aos frágeis e honestos!

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FOI NA CRUZ

Foi na crucificação que Deus fez tudo por sua criação, especialmente pelos homens. Nenhum instante histórico é tão carregado de significado eterno quanto aquele. Geralmente, quando quero testar a intensidade e a importância de minhas questões, sejam pessoais, sejam teológicas, faço o exercício de me aproximar de Jesus crucificado e perguntar a Ele o que pensa, se é importante mesmo.

Por exemplo, quando me deparo com tarefas e compromissos que preciso cumprir, mas que não tenho vontade, lembro-me dele orando ao Pai, horas antes de ser preso, que se fosse possível, passasse aquele cálice de morte, no entanto, que fosse feita a vontade do Pai e não a dele.

Ou, quando me sinto traído, rejeitado, não reconhecido, enfim, lembro-me dele sendo abandonado e traído por seus amigos.

Quando me lembro de que Ele ficou mudo diante de acusações falsas, eu me envergonho por toda reação impulsiva e agressiva para impor minha razão, brigar por meus direitos e defender minha fama.

E sou desafiado a aprofundar meus relacionamentos quando lembro de Sua oração, pedindo que o Pai perdoe seus maltratores, porque não sabem o que fazem.

Lembro-me de ouvir minha avó cantarolar um hino, enquanto pregava as roupas no varal, “foi na cruz, foi na cruz, onde um dia eu vi, meus pecados, castigados em Jesus, foi ali, pela fé, que meus olhos abri e agora me alegro em sua Luz”.

É ali que meus olhos são abertos e eu enxergo a vida, a importância de cada coisa na vida.

Meus sonhos e desejos pessoais diminuem. Minhas demandas carentes se acomodam. Meus direitos aviltados se aliviam. Minhas importâncias teológicas e filosóficas desaparecem. Sobra minha alma frágil, ajoelhada, adorando e reconhecendo o Amor que não compreendo, mas que me esforço por experimentar em fé, até o dia em que estarei no Colo Eterno do Pai.

©2016 Alexandre Robles

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Via de regra, das regras ancestrais de um período maior de antes das tecnologias que controlamos (nos controlam), é melhor caminhar nas primeiras e nas últimas horas do dia, quando o Sol está discreto, aliviando o esforço. Meio dia, Sol a pique, não é prudente, assim como à madrugada, sem muita luz, sob riscos de não enxergar perigos. Assim é a alma, melhor caminhar à meia luz, nem na Euforia, como se fosse com o Sol escaldante, nem na Depressão, como se sob perigos noturnos. Nos extremos das emoções, melhor não tomar decisões, não discutir assuntos importantes, não tomar providências. Importantes a sombra e o repouso, fazer menos, quase nada, até que o clima seja novamente favorável para que levantemos e caminhemos.

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Aprendi a confiar mais na Voz interior que me contraria que na Voz que me aprova. Entendi que não é porque penso, desejo ou sinto que está automaticamente correto. Minha primeira camada é paixão, nervosismo, impulso; apenas nas demais sou consciência, equilíbrio, ponderação.

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A gente muda, sim, cresce, se desenvolve. E quase sempre, quanto maior a mudança, as pessoas mais próximas tendem a desconfiar de nossa novidade de vida, as que conheceram antigas versões, especialmente as que sofreram com elas. Elas não estão erradas e penso que quando vivemos profundas mudanças interiores compreendemos isso. Há que se entender, pode ser que demore um pouco para que percebam e que demore um tanto para que confiem. O tempo confirma.

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UTOPIA

Nós não somos apenas a civilização que está distante da Utopia de Humanidade, sobretudo, somos a geração que perdeu a Utopia, não sabemos para onde seguir. Faz-se necessário que os poetas, os profetas, os pastores, os mentores, os sábios e os loucos nos relembrem a Utopia. Da Justiça, da Igualdade, da Fraternidade; de que Homem não violenta, não bate, não agride as mulheres, mas protegem; de que a Família é a base de qualquer sociedade e que uma criança precisa sim ser criada por pai e mãe; de que Casamento é uma aliança inquebrável, sendo o Divórcio uma grave amputação na existência; de que um Servidor Público, seja político, seja funcionário, está à serviço do povo, como um sacerdote social; de que todos somos iguais diante de Deus e da Lei, não importa o gênero, a cor, o credo, a etnia, a religião; de que a Guerra já começa como fracasso, não importando quem a vença, todos perdem; de que a Escravidão é o maior crime que se comete contra uma pessoa, com todos os seus derivados de cárcere privado, tráfico de pessoas, trabalho forçado, condições insalubres de produção; de que Roubar é crime e por isso pai e mãe ensinam desde cedo uma criança a não pegar o lápis do colega na escola e exigem que ele se desculpe diante de todos na sala caso o faça; de que a Professora é a pessoa mais importante na formação das crianças e deve ser respeitada como Autoridade Absoluta fora de casa; de que o Planeta é nossa casa, nós somos sua extensão e portanto precisamos preserva-lo e não consumi-lo; de que os Idosos devem ser respeitados e protegidos.

Sem Utopia nós não caminhamos. “E para o que serve a Utopia? Para isso, para que continuemos caminhando”
Eduardo Galeano

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Uma das maneiras mais sutis de desobediência a Jesus é o uso da inteligência para autenticar opiniões que contradizem o Evangelho, mas impressionam a média intelectual. Confesso, amo mais a Jesus do que minha capacidade de elucubração; desejo “levar cativo em obediência a Cristo, todo pensamento”, como afirmou Paulo, o Apóstolo Culto. Abro mão de escrever bonito, quando a verdade soar feia; abro mão da originalidade, quando o óbvio precisar ser repetido; desejo apenas que minha letra carregue a Palavra que liberta e abro mão de um legado literário. Por isso, rabisco, como quem escreve na areia, desejando que o Mar do Conhecimento de Jesus, apague minhas ideias com suas ondas e prepare novo chão para que meus filhos e os filhos dos meus filhos escrevam o que o Criador lhes soprar, à sua maneira, para sua geração.

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Uma das maneira mais sutis de desobediência a Jesus é o uso da inteligência para autenticar opiniões que contradizem o Evangelho, mas impressionam a média intelectual. Confesso, amo mais a Jesus do que minha capacidade de elucubração; desejo “levar cativo em obediência a Cristo, todo pensamento”, como afirmou Paulo, o Apóstolo Culto. Abro mão de escrever bonito, quando a verdade soar feia; abro mão da originalidade, quando o óbvio precisar ser repetido; desejo apenas que minha letra carregue a Palavra que liberta e abro mão de um legado literário. Por isso, rabisco, como quem escreve na areia, desejando que o Mar do Conhecimento de Jesus, apague minhas ideias com suas ondas e prepare novo chão para que meus filhos e os filhos dos meus filhos escrevam o Criador lhes soprar, à sua maneira, para sua geração.

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TABU E TARA
Não falar sobre sexo, tratar como sujo, proibido, é tabu. Expor o sexo pela pura exposição, ainda que se chame de expressão, atitude política, ou qualquer outra falácia, é tara. Dois lados da mesma moeda adoecera, seja a Religião ou a Indústria Pornográfica. Uma sociedade doente apenas gerará e se alimentará de uma cultura doente e irá adoecer as pessoas.

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QUE BOM QUE HÁ FOTOGRAFIAS

Quando crescem, sei que crescem porque já não olham do mesmo jeito, com aquele olhar que admira sem razão, apenas porque a gente é. Sei que crescem quando os beijos são raros; e em publico, proibidos. Filhos crescem e precisam reforçar que não são nosso, mas de si mesmos. Ainda bem que temos as fotografias e as imagens tatuadas na alma, como prova de que podem crescer o quanto for e serem para si mesmos o mais distante que quiserem, ainda são nossos de alguma maneira, nas lembranças que confessam, na verdade, que nós é que somos deles, até o fim.

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Jesus disse que o profeta não é bem aceito em sua própria terra, numa clara constatação do fato de que, na maioria das vezes, as pessoas que mais próximas estão de quem tem muito a oferecer, são as que menos desfrutam. Muitas vezes porque preferimos nos encantar e nos impressionar com o que é distante do que vivermos da rotina e do costume; outras vezes porque somos teimosos e não queremos confessar que podemos aprender com pessoas tão próximas e familiares. Quando Jesus falava disso, lamentava. Chegou a chorar sobre seu povo “Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes eu quis acolhe-la como uma galinha aos seus pintinhos, mas você não quis”. Dura é a frustração de quem ajuda a muitos, mas não consegue ajudar aos que mais ama.

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MEMÓRIA VIRTUAL

As redes sociais criaram um fenômeno perigoso, elas mantêm todas as informações que um dia postamos ou que postaram de nós, para sempre talvez, sabe-se la até quando. O Feicibuqui, por exemplo, agora traz à memória das timelines tudo o que já aconteceu. Bom isso? Nem sempre!

Enquanto até Deus se esforça para esquecer nosso passado, como descrevem Miquéias (7.18,19) e Isaías (43.25), lançando nossos pecados ao “mar o esquecimento”, as redes sociais se ocupam de não permitir que esqueçamos nada.

Há pessoas protestando judicialmente pelo direito a terem seu “passado virtual” esquecido.

De minha parte tento deixar o passado no lugar dele, como um baú que abro de vez em quando para ver fotografias antigas, depois fecho novamente, porque é para frente que se vive.

©2016 Alexandre Robles

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Nós costumamos ensinar as crianças o valor das coisas. E é assim mesmo, somente tratamos com cuidado quando descobrimos o valor. Geralmente isso acontece quando nós perdemos, então damos valor ao que tínhamos.

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ANTES DE DESISTIR

Pense em uma realidade que lhe cansa, pode ser trabalho, casamento, filhos, igreja. É preciso coragem para identificar algo que está sugando nossa energia, mas que publicamente seríamos julgados se admitíssemos. Depois, converse com pessoas, assista e leia histórias de quem sente falta justamente daquilo que você identificou. Avalie se as pessoas que perdem ou abrem mão de tais realidades estão felizes e seguras ou se arrependem. Então, considere, pode ser que aquilo do que você quer abrir mão seja o que mais faz falta à maioria das pessoas.

Cansaço a gente resolve com descanso e alteração de rotina, não necessariamente desistindo. Muitas vezes estamos apenas iludidos com uma possibilidade de vida que não canse, mas isso não existe.

Que Deus nos dê sabedoria.

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PODER E PERMISSÃO, AUTORIDADE E AUTORIZAÇÃO

“Toda Autoridade me foi dada, portando, vão e façam discípulos”, disse Jesus. Ele tem Autoridade, tem Poder. E nos deu autorização para servir em Seu Nome. Nós não temos Autoridade e Poder; tais pertencem somente a Ele. O que temos é autorização, permissão. Eu e você fomos autorizados para servir a humanidade em nome de Jesus.
Todo exercício de poder em qualquer ambiente só se justifica no Serviço. Não há poder hierárquico no Evangelho de Jesus, portanto não há na igreja.
Liderança é serviço. O líder é escravo de Deus a serviço dos homens.
Se entendermos isso a maior parte dos problemas de liderança que envolvem vaidade, poder, benefícios, estarão resolvidos.

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Uma coisa é o exercício do Direito, outra coisa é a prática da Justiça. Uma coisa é o Poder Político e outra coisa é a política do serviço. Somente quando a Justiça é praticada é que o Direito foi bem exercido. Somente para servir é que é digno o Poder Político.

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Não se institucionaliza a vida. Não se reproduz a vida em método. Por isso que o convite de Jesus é vem e veja e Ele não deixou métodos, regras, dogmas, apenas disse que a gente aprende a viver, vivendo e percebendo como os que são um pouco mais vividos lidam com ela.

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Quem quiser saber o que é realmente importante na vida e como lidar com os desafios, ouça com atenção os idosos, também os que sabem que estão próximos da morte e os que viveram grandes perdas e superações. Somente eles sabem o pouco do que se pode saber sobre o que de fato a vida é.

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MÃOS À OBRA

Há inúmeras questões graves no mundo inteiro. Destas, há três que estão em níveis mais baixos de desumanidade; que expõe suas vítimas à condições de maior fragilidade e exigem que haja resgate externo; e ainda que ocorrem em nível Global. Uma é a Cultura de Violência sexual contra mulheres e crianças; outra é a escravidão e o trabalho análogo à escravidão; e a terceira é a migração de refugiados pela fome e pela guerra.

Essa é uma pauta urgente! Missionários e empreendedores sociais, eis nossa tarefa!

©2016 Alexandre Robles

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A gente sempre chega onde quer chegar, sempre realiza o que quer realizar. Olhe pra sua vida, onde você chegou, de alguma maneira, muitas vezes inconscientemente, você fez tudo pra chegar onde chegou. Se não está bom, é necessário mudar o querer essencial, porque se não, a gente roda e acaba voltando pro mesmo lugar.

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Há algo em mim que não me permite respeitar o que não é natural, o que é forçado, o sucesso programado, aquilo que não é espontâneo. Eu prefiro a anarquia dos artistas, à produtividade dos robotizados pela necessidade de se mostrar. Eu prefiro as flores que murcham, às que são de plástico. Eu prefiro a inadequação da minha loucura, à loucura de estar adaptado ao mundo que está ao contrário e ninguém repara.

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Saudade não é sinal de que o passado foi melhor, necessariamente. Os judeus sentiam saudade das cebolas do Egito, da época em que eram escravos. Há sempre algo bom num passado ruim. Não confunda uma boa lembrança com a ideia de que o passado foi melhor.

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A ERA DE JACÓ

A geração dos meus pais não podia se manifestar ou protestar sob risco de ser punida pela Ditadura Militar. A minha geração viveu o início da abertura política e a liberdade para se manifestar, mas foi a Geração Coca-cola, rebelde sem causa, que por falta de ideais, sucumbiu ao consumismo e à produção de nulidades culturais. Esta geração está aprendendo a ocupar as ruas e a protestar nas escolas e nas redes sociais. Hoje, quando um político assume uma posição de destaque, nós nos manifestamos com tamanho volume que ele não resiste em suas posições, argumentos, decisões e votos. Essa garotada de hoje está aprendendo a força que seus posicionamentos têm. Não sei se viveremos novamente dias de censura em breve, mas o que sei é que meus filhos viverão dias mais nobres que os meus.

O paralelo é o da época dos patriarcas bíblicos. Abraão foi um homem notável, desafiado a transformar seus dias, sair de seu conforto, mudar limites estabelecidos. Uma história rica. Seu filho Isaque não tinha causas próprias, não assumiu desafios, casou com a mulher que o papai arranjou pra ele, viveu à sombra da história do pai. Seu filho Jacó foi um lutador, brigou com Deus, ocupou seu espaço à força, tomou o lugar do irmão, casou com quem quis, foi à luta por uma nova história.
Vivemos a era de Jacó e eu estava esperando que estes dias chegassem, porque sendo da era de Isaque, sempre carreguei uma nostalgia dos tempos de Abraão.

Eu acredito é na rapaziada.

©2016 Alexandre Robles

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Tudo o que vale a pena, dá trabalho

Paulo reclamava que sua geração era infantilizada, que deveria poder comer comida sólida, mas ainda se servia de leite espiritual, como se estivesse na infância existencial.
Nossa geração é assim. Desde que nos disseram que adultos não precisam sofrer, ter trabalho, de que podem parar de cozinhar, lavar e limpar e têm direito a ter todo prazer e não ter nenhum desconforto, desde que acreditamos que a vida pode ser uma grande brincadeira, infantilizamos nossas emoções, nossas relações e o mundo que nos cerca.

Tudo o que vale a pena, dá trabalho.

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A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

Jesus foi inquirido, em público, por líderes religiosos, se deveriam pagar impostos ao César Romano. Israel estava sob domínio do Império Romano, que contava como forma de maior opressão sobre os conquistados, a cobrança de altos e excessivos impostos. Parte do povo de Israel estava sempre a um passo de uma rebelião contra o Império. Havia a expectativa de que Jesus fosse o Messias político esperado, que libertasse Israel de Roma e governasse o mundo a partir de um novo Império Israelita.

Os líderes religiosos temiam a presença de Jesus, porque eles viviam uma situação favorável diante do Império. Eram politicamente adequados ao sistema, tinha cargos e influência tanto sobre o povo quanto em relação aos governantes. Se Jesus fosse um líder político com a intenção de destronar o César Romano, eles perderiam as benesses, ou porque, na hipótese mais inusitada, Jesus conseguiria destituir a força de Roma, ou porque o Imperador ficaria incomodado com suas atitudes e puniria toda a Nação.

Neste cenário, eles perguntaram a Jesus se deveriam pagar os impostos ao Império. Se Jesus dissesse que sim, eliminaria ali mesmo as expectativas populares de que Ele seria o tal messias libertador político. Se dissesse que não se deve pagar os impostos, seria acusado de rebelião e assim os líderes poderiam pedir que fosse preso, julgado e condenado à morte.

Jesus pega uma moeda e pergunta de quem é a face que nela aparece. Era de César. Então Ele diz que se deve dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Por mais simples que possa parecer a resposta e por mais que a única interpretação seja de que Jesus estava confirmando a necessidade de se pagar impostos, há questões mais profundas envolvidas.

O César Romano exigia do povo obediência e adoração, Ele era considerado uma espécie de semi-deus. Ao César o Império, os impostos e a adoração.

Quando Jesus afirma que a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, está enfatizando que César pode até exigir os impostos e o domínio, mas a adoração somente pode ser feita a Deus.

Numa resposta Ele não somente se esquiva da tentativa dos líderes religiosos, como também afirma que somente a Deus se deve adorar e diminui o poder político dos homens em relação ao plano redentor de Deus na história.

Seja qual for o César, seja qual for a Nação, seja qual for o sistema político, seja qual for o embate em questão, seja qual for o presidente, seja qual for a manobra política, enfim, não importando qual seja a situação histórica, um César é apenas um césar.

É a partir dessa experiência registrada nos Evangelhos que me posiciono politicamente. Especialmente em dias como os nossos no Brasil.

De que lado Jesus está? Muitas pessoas estão tentando falar em nome dEle para definirem suas opiniões e decisões. Muita gente brigou por causa disso, muita gente se tornou agressiva em discurso e atitude. Houve uma polarização apaixonada, quase infantil, precipitando possibilidades de conflito físico. Os próximos dias serão conturbados.

Estamos na iminência de uma Intervenção Militar e sobre isso venho falando há alguns meses. Estamos à beira de um caos social, com conflitos e paralisações generalizadas.

E o que Jesus diz de tudo isso?

O que já disse um dia, em situação semelhante. Perguntaríamos hoje a Ele se ele é de “Direita ou de Esquerda”. Alguns o chamariam de “coxinha” e outros de “esquerdopata”.

Com sua resposta, posso garantir a você que Jesus incomodou a gregos e troianos de uma vez só. Havia entre os discípulos alguns guerrilheiros políticos que queriam tomar o poder à força; e havia também políticos de íntima relação com o Império, do qual se beneficiava de muitas maneiras.

Para muitos Ele ficou “em cima do muro”, mas creio que o que Jesus disse de tudo isso é que no mundo dos césares, o que os césares determinam, influencia apenas o cenário político e social, mas que isso é infinitamente menos importante do que o que o Reino de Deus promove no mundo.

À Política o que é político, a Deus o que é de Deus. Absolutamente nada do que está acontecendo em nosso país tem a ver com o Reino de Deus na terra e ninguém está autorizado por Jesus para usar seu nome.

Qualquer pessoa que se diga em nome dos evangélicos para posicionar-se politicamente está cometendo um equívoco importante, que apenas gera maior conflito.

O Reino está à parte do mundo dos césares para poder atuar na história, transformando vidas e realidades, através da misericórdia e da solidariedade.

Este é o projeto do Reino de Deus. Ele não é partidário, não é político, não é um projeto de poder. Jesus está agindo no mundo do mesmo jeito, não parou porque o Brasil parou nas mãos dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo.

Quem está em crise é o César. O Reino de Deus segue sua marcha.

Em outras palavras, para o Reino de Deus, tanto faz quem é o césar, tanto faz quem é o partido, tanto faz qual é o sistema, tanto faz qual é o regime. O Reino de Deus está se expressando na prática da justiça através dos atos solidários das comunidades de Jesus espalhadas pelo País e pelo mundo, que não disputam cargos políticos, mas que são a maneira mais efetiva de agirmos no mundo.

Tanto faz quem é o presidente! Tanto faz! Para quem entende a supremacia subversiva do Reino de Deus, para quem entende que o Reino é como fermento, como Luz, como sal, como semente de mostarda, ou seja, para quem entende que o Reino de Deus se infiltra em todas as esferas de qualquer poder e sistema que há no mundo, importa menos, muito menos, qual seja o césar.

Infeliz e infantil é a tentativa de usar o nome de Deus para defender um ou outro césar.

Eu não creio que há paladinos entre os césares, não há santos. E também não creio no poder demoníaco soberano de nenhum deles. Maior é o Reino de Deus do que qualquer poder político.

Por isso que não creio que Jesus está interessado em transformar o Brasil numa República Cristã Oficial. E a partir disso, eu nunca quis, chego até a rejeitar, a ideia de que políticos profissionais ajam a partir de uma cristianismo institucional. Seguirei pregando o Evangelho de Jesus, não importa se o césar for favorável ou contrário à minha mensagem.

Se o césar decidir que o Brasil vai se tornar oficialmente ateu, obrigatoriamente homossexual, ou seja lá qual for a bandeira que tanto incomoda os cristãos, isso pouco me importa, seguirei pregando o Evangelho. E se um dia o césar me proibir de pregar, seguirei pregando até morrer na Cruz.

O que sei é que serão dias difíceis.

Mas apenas isso!

Pouco mudará. O País segue injusto; o mundo, hostil; os acordos políticos, malignos. E o Reino de Deus segue se expressando em atos de misericórdia e justiça, em todas as esferas da sociedade, do Setor Privado ao Terceiro Setor, porque é fermento, sal, luz, semente.

A César, pertence um dia importante, triste, marcante na História do País.

A Deus, o Reino que seguirá ocupando seus espaços, até que volte o Rei do Universo.

©2016 Alexandre Robles

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PRA QUANDO O AMOR ESFRIAR

– Estou com frio.

Silenciou, pois não havia o que fazer. Todo improviso para tentar aumentar a sensação térmica já havia sido tentado. Seu coração estava trincando, como fina camada de gelo sobre o lago. Resignado, segurou o choro e seguiu à frente, puxando o carrinho com o que sobrara da peleja.

A vida havia sido rígida, como o mais denso inverno. Muitas perdas têm o poder de gelar a alma, impedindo-a de dilatar e bombear estímulos. A desesperança é como o frio que o guri sentia, caminhando a passos curtos atrás do pai, sem se dar conta de que o silêncio era seu grito impotente, diante da constatação de que chegou o tempo, antes profetizado, em que o amor de muitos esfriará.

E só de pensar que tudo começou quando o primeiro poeta desistiu! Eles fazem muita falta. Logo depois que tombaram suas penas, as canções também emudeceram, cordas silentes. Antes, pelo menos, as perdas eram amenizadas por causa das rimas, das prosas, dos sonetos, das harmonias, dos contos e das poesias.

Ninguém resistiria. Tudo virou burocracia. Pessoas passaram a ser consumidas como coisas. O afeto se foi. Não havia mais compromissos de vida toda. As amizades deram lugar a aproximações convenientes e funcionais. A Religião venceu, o mundo tornou-se breu.
Passaram a sentir frio, muito frio.

O amor esfriou. Se pelo menos os poetas e cantadores estivessem aqui, nos lembrariam de como era o amor! Os pais não conseguem mais cobrir os filhos com a esperança que aquece a alma e quando as crianças começam a perder o viço, pouco resta.

O homem fechava os olhos, já sem lágrimas. O amor esfria, tudo seca. Sofria por saber que seu menino era da primeira geração nascida no Inverno da vida. Gemia por dentro, pensando que nada mais havia o que fazer.

Até que ouviu novamente o garoto. Não entendeu o que ouviu e resolveu parar.

– Lá vem o sol, lá vem o sol – dizia, ainda com os dentes semicerrados de frio.

O pai achou estranho, parou, olhou pra trás e observou, querendo mesmo saber se ele cantava a música dos moços de Liverpool, que ninguém mais ouvia. Ele então cantarolou a mesma frase e apontou o horizonte.
O sol ainda se escondia atrás das densas nuvens, mas o que aquecia o coração do menino era de outra ordem, era entusiasmo, que é Deus dentro. A alma degelou e sentiram calor. O pai sorriu como há muito não sorria e fez sua prece de gratidão, que dizia:

– Este menino nos nasceu para mostrar o caminho do sol, nasceu para aquecer, nasceu para que os namorados se amem novamente, para que os casais namorem para sempre, para que os corações dos pais se convertam aos dos filhos e dos filhos aos dos pais, para que irmãos se abracem à mesa, para que os olhos sejam abertos e vislumbrem a vida na simplicidade. Seus olhos nos guiarão de volta, haverá novamente amor e afeto, todos seremos irmãos e nossas mãos servirão de ferramentas para reconstrução da vida. Um menino nos nasceu! É Natal!

Resolveram avisar a todos, de que surgia um novo tempo. Precisavam acordar os poetas e os cantadores. Entravam em cada vilarejo, batiam às portas, chamavam as crianças e cantarolavam a música do Gil: “Poetas, seresteiros, namorados, correi; é chegada a hora de escrever e cantar, talvez as derradeiras noites de luar”.

Os seresteiros afinaram suas cordas e foram se encontrando em romaria atrás dos dois, como gravetos lançados à fogueira, que ia ganhando força e brilho, iluminando e aquecendo.

As mulheres acenderam velas, convites pro aconchego, vestiram-se simples e belamente, olharam-se novamente e perceberam o encanto da feminilidade, agradeceram por terem a força das marias, a beleza das helenas, o bem-querer das madalenas e pediam que cantassem as canções das mulheres que habitam o Chico.

Os homens se sentiram espartanos, vivos, fortes, leais. Foram inflamados de virilidade protetora, deixaram sua apatia e convidaram as mulheres para a dança, conduziram, com afeto e firmeza, com doçura e segurança e as ruas se tornaram salões.

As crianças brincaram, livres, só brincaram, pois isso é tudo o que precisam fazer.

Os velhos levantaram a cabeça, olharam para os céus como um destino bonito, perderam o medo de morrer, enquanto se alegravam com a chance de poderem ver, mais uma vez, o amor de sua juventude bailando em cada criança, em cada pessoa que desfilava esperança.

Cantavam lindas canções e declamavam coisas do Drummond:

“Desejo a vocês
fruto do mato
cheiro de jardim
namoro no portão
domingo sem chuva
segunda sem mau humor
sábado com seu amor

filme antigo na TV
ter uma pessoa especial e que ela goste de você
música de Tom com letra de Chico
frango caipira em pensão do interior
ouvir uma palavra amável
ter uma surpresa agradável
ver a Banda passar
noite de lua cheia
rever uma velha amizade
ter fé em Deus
…

Rir como criança
ouvir canto de passarinho
sarar de resfriado
escrever um poema de Amor,
que nunca será rasgado
formar um par ideal
tomar banho de cachoeira

aprender um nova canção
esperar alguém na estação
queijo com goiabada
pôr-do-Sol na roça
uma festa,
um violão,
uma seresta
recordar um amor antigo
ter um ombro sempre amigo
bater palmas de alegria
uma tarde amena
calçar um velho chinelo
sentar numa velha poltrona
tocar violão para alguém
ouvir a chuva no telhado
vinho branco
bolero de Ravel
e muito carinho meu.”

E os poetas, os cantadores e os seresteiros prometeram jamais se calar novamente. Ninguém suporta atravessar os invernos da vida sem poesia, pois elas nos lembram que mesmo que o amor esfrie, uma criança pode nos nascer, para aquecer a alma, novamente.

©2012 Alexandre Robles

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O medo de errar nos rouba a tentativa de realização. Ele pode ser resultado da observação de erros e traumas dos que já tentaram antes, por exemplo, dos pais. E pode ser o contrário, resultado da observação de realizações tão significativas e satisfatórias que nos fazem temer não conseguir o mesmo sucesso.
A vida não perdoa o medo. No fim, todos os outros erros podem ser perdoados, menos o medo de viver.

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Algo extraordinário acontece quando as primeiras palavras do dia são de amor, afeto, atenção, incentivo. Acorde seus amados com afirmações de amor, mesmo que não seja o costume. Quebre as regras. Mude a cultura de seu lar. Afirme o amor, mesmo quando ainda seja apenas a esperança.
Bom dia.

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Perdoar não é necessariamente esquecer o que aconteceu, mas é não sentir a dor que sentiu quando aconteceu. Como uma cicatriz, que lembra que um dia houve ferimento, mas que não dói mais.

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PROVISÃO

Uma das experiências mais marcantes para o Povo de Israel no Deserto, que influenciou a Oração de Jesus, foi a do Maná. O Maná era uma espécie de orvalho que brotava diariamente à entrada das tendas; cada família deveria recolher o suficiente para o dia, não devendo recolher com sobra, crendo que no dia seguinte haveria o pão-orvalho milagroso. Eram dias de escassez, de Deserto.

Nessa época de escassez, de privação, de restrição de recursos, o que se experimenta é a provisão. Provisão é receber a porção suficiente para o dia, todo dia. Não sobrando, não faltando. A medida exata que nos possibilita viver o dia.

Muitas pessoas em nosso país estão vivendo dias de escassez de trabalho, de ganho, de pão. Estamos em dias em que a maioria vai ter pra conta, pro dia.

É tempo de aprender o que é provisão. Nesses dias, descubra que o Pão de cada dia é suficiente, sacrifique o supérfluo. Confie que Deus sabe suprir o que precisamos, mas Ele faz isso mandando a provisão de cada dia, no dia. E compartilhe do que recolher com aqueles que estiverem ao seu lado. Há que ter muita fé para continuar compartilhando seus recursos em tempos de crise.

“E o meu Deus, segundo suas riquezas, suprirá todas as suas necessidades.”
Filipenses 4.19

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Jesus comparou as pessoas que ouvem e obedecem sua Palavra a quem constrói sua casa na rocha, não na superficialidade dos primeiros solos arenosos, mas na profundidade das camadas mais densas. Quanto mais profundo é o alicerce de nossa existência, mais fortes seremos para resistir às tempestades.
A isso dá-se o nome de resiliência.

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NEM TÃO BELO, NÃO TÃO RECATADO, MAS DO LAR

Sou da geração de homens que aprendeu a realizar tarefas domésticas. Justo. Preciso confessar algo, nós homens, desta geração, ainda carregamos a residual e ancestral inclinação a sermos os senhores da casa, em tudo sendo servidos e obedecidos por esposa e filhos. Porém, quando despertamos ao mundo adulto, nos deparamos com mulheres determinadas em equilibrar a balança de papéis na sociedade. Justo.
Minha geração experimentou a primeira afirmação da igualdade de papéis entre homens e mulheres e para que os primeiros sinais deste equilíbrio fossem observados, o que vejo é que o Lar, como ambiente de construção da família, tem sido tratado sem muita atenção.
Talvez por uma nostalgia, novamente ancestral, alguns homens de minha geração têm sentido falta do Lar, da vida familiar. Depois de milênios em que tratamos as mulheres como únicas responsáveis pelo Lar (daí vem o matrimônio), enquanto nós nos ocupamos da caça e dos bens (daí vem o patrimônio), há um sintoma de que agora que as mulheres estão buscando seu lugar no mundo patrimonial, ambos competindo por esse espaço de igualdade, parece que o mundo matrimonial, do Lar, ficou abandonado.
O que acho é que este equilíbrio que se busca na vida social e profissional, justo, confirmo, pode também fazer um retorno de observação ao Lar.
O Lar é nosso ventre social, ninguém é indivíduo saudável sem ser gestado num lar saudável. A casa é nosso abrigo, em que cheiros, fotografias, objetos de decoração formam nossa personalidade em níveis profundos.
Vamos voltar a cuidar do Lar, da casa. Homens e mulheres dividindo tarefas familiares, convivendo em família, cuidando dos filhos.
Convoco os homens de minha geração que aprendam a cumprir tarefas de limpeza e cuidado de suas casas. Lavem louça, banheiro, passem roupa, cozinhem.
Sugiro que pais ensinem seus filhos a limparem seus quartos, banheiros, tênis.
Incentivo às mulheres que tenham paciência com seus homens aprendizes, lembrem-se que vocês têm séculos de experiência, nós não. E que não caiam na cilada de que mulher livre é aquela que não precisa mais cuidar de seu Lar, de sua casa. Nós precisamos que nos ensinem o amor natural pela família.
No final das contas, não se trata de homem ou mulher, mas de humanos, tratando com o amor o Lar, o abrigo, a base de tudo.
Eu confesso. Não sou tão belo, nem tão recatado, mas sou do Lar.
©2016 Alexandre Robles

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VELHOS AMIGOS

(Uma história do que é mais importante na vida)
 
Andavam lentamente, ela apoiava seu braço no dele, ritmo vagaroso, mas vigoroso, traço de quem passou a vida de modo simples, sem grandes alterações. Juntos havia cinquenta e cinco anos, cumpriam o bom ritual de encontrar os amigos, da mesma época, mesma idade e quase as mesmas histórias de vida. Todo domingo à tarde era sempre igual, se encontravam para pôr a conversa em dia.
 
Chegaram diante da casa dos mais antigos e leais. Ele desvencilhou-se do braço de sua senhora e anunciou com palmas, desprezando a campainha. Era a mesma casa, na mesma rua, que já fora de terra batida, viu a chegada dos paralelepípedos, até que foi banhada com o piche e o asfalto. O portão era baixo, vazado inteiro, dava visão ampla pro terreno grande que acomodava ao meio, a casa modesta. Do pequeno terraço vê se a porta a abrir e a senhora amiga de toda a vida acenando que deveriam entrar, enquanto dizia:
 
– Pode chegar! Já estou com a água do café no fogão.
 
– Ô comadre, como vai?
 
– Tudo bem, tudo bem, o de sempre comadre.
 
– E cadê o compadre? – ele perguntou já entrando.
 
– Está no quintal, compadre, vai até lá.
 
E assim, seguiram para seus lugares, entraram pela sala principal, cuja poltrona de descanso e o aparador de madeira faziam corredor natural para a passagem até a cozinha. Os passos faziam ranger o chão de longos e bem preservados tacos de madeira, e o cuco aparecia para avisar que já era cinco da tarde. As moças chegaram e ficaram na cozinha, ele seguiu ao encontro do amigo.
 
– Tarde.
 
– Tarde compadre! Que bom que chegou!
 
– Tarde comadre. – falou mais alto, lá de fora, pra não precisar levantar da cadeira acomodada a fim de oferecer visão do terreiro dos fundos da casa, onde fica modesto pomar, circundado por canteiro de temperos e flores.
 
– Tarde compadre.
 
Havia duas cadeiras de ferro enroladas com fios de plásticos coloridos, uma para cada um, no pequeno coberto dos fundos, que dividia espaço com o tanque e uma máquina de lavar roupas, presenteada pelos netos. Acomodaram-se e começaram a prosear, sob o aroma do café e do pão de queijo.
 
– E aí compadre, como foi?
 
– Foi bom!
 
– Que bom!
 
Obviamente que de nada falavam, não havia nada de muito importante ocorrido na última semana, nem nas últimas, nem em tempo suficiente para que eles se lembrassem, na pacata cidade que promovia uma bucólica experiência cotidiana.
 
Depois de algum tempo de arrazoados sobre o nada, enquanto as duas amigas papeavam um bocado mais na cozinha e preparavam a mesa, um deles puxou a conversa que mesmo interessava. Suficiente para que as amigas olhassem uma pra outra com a satisfação de quem sabe sempre o que vai acontecer, por conhecerem seus companheiros tão profundamente.
 
– Lembra compadre, de 1958?
 
– Ô, se lembro! Estávamos sentados bem aqui mesmo, ouvindo no rádio.
 
– Não! Você estava ali, onde fica agora a máquina dos meninos e eu estava onde você está.
 
– Acho que não compadre, você ainda nem tinha esse telhado aqui.
 
– Por isso mesmo, o rádio a gente “punha” apoiado na janela ali e eu ficava pertinho pra poder sintonizar toda vez que os ruídos aumentavam.
 
– Hum! Tá bão! Vamos deixar assim.
 
– Pois foi. E foi bem na hora do segundo gol do Pelé que o compadre caiu da cadeira.
 
– Mas não foi! No primeiro gol do Pelé eu já estava em pé, que mal conseguia me conter de ansiedade, homi.
 
– Então tá. Você não aceita que eu me lembre melhor que você!
 
– Claro que não lembra, eu vivo te dizendo as coisas e você não sabe.
 
– Mas olha só! Você fica inventando jogo que nem aconteceu!
 
Os dois silenciavam ressabiados, pensando em como pegar o amigo, tentando lembrar de um fato que o outro não desse conta de lembrar. Nisso as amigas já se riam sozinhas e contidas, para não deixa-los bravos, mas se alegravam no fundo do coração por saberem direitinho cada passo da conversa.
 
– E se o Pelé não tivesse se machucado em sessenta e dois, o garrincha não tinha feito tudo aquilo. – falou já com o dedo em riste, como se o jogo tivesse acontecido semana passada e fizessem parte de um debate ao vivo na televisão.
 
– Você só pode estar brincando, compadre. Aquele copa era toda do Garrincha, mesmo que o Pelé tivesse marcado dez gols, o Garrincha marcaria vinte.
 
– Ah! Lá vem você com essa história de novo. Agora vai dizer, mais uma vez, que a seleção de setenta era melhor que a de cinquenta e oito.
 
– Já que você tocou no assunto, a de setenta foi a melhor seleção de todos os tempos, que outro time teve tantos camisas dez de uma vez só? Pelé, Gerson, Rivelino e Tostão, todos no mesmo time.
 
– Tostão era atacante, homem! Quantas vezes eu tenho que repetir isso, jogava no Cruzeiro como atacante!
 
– Mas ele também era improvisado como meia armador quando precisava!
 
– Improvisado! Você disse certo agora! Improvisado!
 
– Mas mesmo assim, aquele time foi o melhor.
 
– Cinquenta e oito!
 
Novo silêncio, apropriado para a aproximação das senhoras com suas bandejas e quitutes e a tentativa de faze-los mudar de assunto, que não tinha qualquer valia.
 
– E quer saber? Eu ainda acho que a seleção de oitenta e dois era melhor que a de setenta.
 
– Agora mesmo você mostra o quanto está gagá.
 
– Gagá é você! Aquela seleção jogou mais bonito que todas as outras, só não ganhou!
 
– “Só não ganhou!”. E de que adianta jogar bem e não ganhar, você e essa mania de valorizar o futebol arte, porque não vai tomar café com o Telê Santana?
 
– Porque ele está no lugar que você deveria estar já faz tempo, seu velho babão!
 
O clima esquentava e as senhoras se continham, rindo discretamente e admirando a cena dos dois.
 
– Você não lembra de nada! O Zico ainda perdeu o pênalti.
 
– Eu que não lembro de nada! O Zico perdeu o pênalti em oitenta e seis e não em oitenta e dois.
 
– Tudo a mesma coisa, seleção de Telê não conseguia ganhar.
 
– E você prefere Zagalo e Parreira! Grande coisa! Ganhamos noventa e quatro, mas jogando feio.
 
– Jogamos feio, mas ganhamos.
 
Não havia impasse que tivesse solução. Há anos atrás, elas até se preocupavam com os dois, porque toda semana era a mesma coisa, se encontravam e acabavam discutindo, parecia que iam brigar. Depois, elas entenderam que eles queriam apenas lembrar juntos de tudo o que juntos haviam feito uma vida toda. Eram amigos mais chegados que qualquer outra amizade ousou pretender na história, um sabia o outro inteiro, assim como elas aos dois.
 
E todo domingo era sempre igual, no fim eles lembravam das circunstâncias em que se conheceram e celebravam a amizade.
 
– E já faz tempo né?
 
– E como faz?
 
– Foi quando mesmo? – esta era a pergunta mais bem comportada e mais generosa da tarde, alternada sempre, quando um dava ao outro a oportunidade de narrar um dos dias mais marcantes de sua história comum.
 
– Foi naquele dia em que o pregador estava lendo aquele Evangelho que dizia sobre os amigos.
 
– Isso, aquele em que se dizia que o mais importante na vida é usar todos os nossos recursos para fazermos amigos, porque amizades são eternas.
 
– É verdade. Ele leu textos que diziam sobre a importância de um amigo ajudar o outro a se tornar melhor pessoa, como um ferro que afia outro ferro.
 
– É mesmo! Nos conhecemos naquele dia!
 
– E até aqui estamos juntos.
 
– É!
 
– Que bom que vieram compadre!
 
– Nosso prazer!
 
– Então até semana que vem!
 
– Passar bem!
 
– Passar bem!
 
E assim foi, durante algumas décadas, que jovens amigos aprendiam a arte de deixar o tempo enraizar a amizade que o coração desejou plantar.
 
© 2013 Alexandre Robles
 
Assista: https://www.youtube.com/watch?v=HFo_pivpd0A
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SOLIDÃO ÍNTIMA

Jesus pediu que seus amigos fossem com Ele orar, no Getsêmani, mas retirou-se um pouco mais a fim de orar sozinho. Há um ambiente de oração que exige solitude. Só se fazem presentes Deus e quem ora. As pessoas vão conosco até um certo ponto, depois vamos sós; sabem do que sentimos, podem compreender o que vivemos, apenas até um limite, depois, apenas Deus consegue observar, compreender, participar. Isso porque fazem parte de nossas confusões não alcançadas pelas tentativas de explicação; ou por serem nossas feiuras e vergonhas, que nem aos mais íntimos queremos mostrar; sobretudo, por serem as fraquezas e debilidades que acreditamos não serem suportadas por ninguém.

E é deste ambiente de profunda solidão consciente e sensível que surgem nossas expressões mais honestas. Os artistas visitam este ambiente com freqüência. Os profetas saem dali carregados de urgências. Os poetas o interpretam. Cada pessoa ali está diante de Deus, mesmo que não reconheça que com Ele esteve.

©2016 Alexandre Robles

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É a medida certa que faz bem. Nem menos, nem mais. O excedente e a escassez fazem mal. Há vezes em que se dá muito e recebe pouco; outras em que se recebe muito e dá pouco. Bom mesmo é quando há reciprocidade. Faz bem às amizades, aos casamentos, às parcerias.

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PONTES E TÚNEIS

Quando construímos muros, separamos, segregamos, delimitamos, definimos quem não é bem-vindo. Caim murou a cidade que construiu para se proteger dos perigos, depois de ter matado o próprio irmão a quem deveria ter protegido. Havia um muro de inimizade entre nós e Deus, que foi destruído por Cristo.
 
Hoje, em Brasília há um muro que apenas expressa o muro da discussão política rasa que foi construído em nossas casas, igrejas, escritórios.
 
Necessário construir pontes e túneis, numa sociedade murada.
 
©2016 Alexandre Robles
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NUVENS

Nossas emoções são nuvens que vêm e vão, pouco somos responsáveis por produzi-las, mas na maioria das vezes apenas as observamos. Elas, assim como as nuvens, ganham as formas daquilo que projetamos. Dizemos o que elas são e elas se tornam pra nós. E quando olhamos de novo, depois de um tempo, a nuvem se foi, a emoção se desfez, nós ficamos. Até outra nuvem de emoções.
 
Eu já senti medos profundos do que não existe; já fantasiei situações e pessoas que não existem, foram nuvens, se desfizeram, eu fiquei.
 
Hoje, olho para o céu com mais cuidado.
 
©2016 Alexandre Robles
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A PALAVRA FINAL

Vivemos dias da self-espiritualidade aquela que vai se servindo de tudo o que existe e monta sua melhor opção. É politicamente correta, elegante e honesta.
 
O problema é servir-se apenas do que concorda consigo.
 
Eu tudo leio, observo e reflito, enquanto submeto inteiramente ao ensino de Jesus de Nazaré.
 
Ele é a Palavra Final de tudo, pra mim.
 
E ao concordar com Ele, discordo de mim mesmo.
 
Quem quer um caminho assim?
 
A espiritualidade contemporânea já se mostra, e se mostrará ainda mais, frágil e incapaz de produzir a transformação interior que somente se dá no confronto e rendição de tudo o que sou e penso às palavras de Jesus de Nazaré, que são espírito e vida.
 
É nEle, dEle, por Ele e para Ele que são todas as coisas; os conhecimentos e os mistérios.
 
Nada que o homem conheça nEle não se encontra! Tudo o que não seremos capazes de discernir, nEle será explicado!
 
Um dia todos saberemos. Um dia todos verão e todos o adorarão ajoelhados e rendidos. Nisso creio mais do que naquilo que meus olhos veem!
 
(Apocalipse 5).
 
Fé para todos os que insistirem em crer, apesar de tudo!
 
©2016 Alexandre Robles
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Eu gosto de gente que ora, canta e prega como se estivesse conversando. Parece-me que essas pessoas entenderam que o Deus a quem se referem e com quem se comunicam está de fato ali, entre nós, simples e sobrenaturalmente, como Jesus prometeu.

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MOLDURA

(Analisando o que a Bíblia tem a dizer sobre os temas da vida)
Quando pretendemos analisar as situações da vida, do cotidiano, sejam sociais, religiosas ou familiares, bom é partirmos da compreensão de que a História Humana é marcada por três realidades que são apresentadas como fundamento da experiência. A primeira é a Criação, que apresenta o Mundo Perfeito, em que cada elemento do relato está localizado de modo organizado e funcional, onde há harmonia e equilíbrios plenos, onde tudo é como é, sem disfunção alguma. A segunda é Queda, como nomeia a Teologia, aquele fenômeno da rebelião, da desobediência humana, que explica porque a vida não é como aquela narrada na Criação. A queda desconfigurou todas as realidades, as visíveis e as invisíveis. E a terceira é a Redenção, que inicia-se na manifestação histórica da Salvação, através de Cristo e se consuma na Eternidade, após o fim da História.
 
Utilizando este padrão podemos analisar todos os aspectos da organização dos homens na História, de sua relação com Dinheiro e o Trabalho; de sua estruturação familiar; de sua experiência sexual; de sua organização social e política; enfim. Como o Trabalho deve ser tratado? Vejamos como era na Criação, no que se tornou a partir da Queda e o como foi redimido (reconceituado) na Redenção, considerando que tudo é redimido em parte hoje e com a ação dos redimidos, até que seja plenamente na Eternidade. E por aí vai.
 
Sugiro que guarde esta Moldura das Realidades para suas análises e aplicações; e que assista o Vídeo completo de uma aplicação que realizei sobre a o Exercício da Liderança, especialmente no ambiente familiar:
 
 
©2016 Alexandre Robles
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O QUE SOBRA QUANDO A PÁSCOA ACABA

Depois que Jesus ressuscitou e apareceu aos discípulos novamente, foi elevado aos céus, de onde não será mais visto fisicamente até que volte, no fim dos Tempos. Quando não era mais visto, os discípulos permaneceram olhando para os céus, talvez na esperança de que Ele aparecesse logo em seguida, ou de mesmo de lá mandasse sinais claros e físicos, ou porque não sabiam exatamente o que fazer após todos aqueles eventos extraordinários. É assim, depois dos dias mais significativos e importantes à Fé Cristã, como a Crucificação e a Ressurreição, e mesmo para nós que não testemunhamos fisicamente, mas que crendo, celebramos seus símbolos e significados, o que fica depois dos eventos de êxtase espiritual é a vida que segue em frente, no dia a dia, todo dia, do jeito que ela vier, com cada mal no dia certo.

Precisamos desenvolver habilidades para lidar com este paradoxo entre a Fé que Celebra a Ressurreição num “Domingo”, e a rotina difícil da “Segunda-Feira”. Depois de participarmos de celebrações artísticas, musicais, cheias de inspiração, vamos entrar no transporte público, atender pessoas no balcão, “correr” atrás das metas para pagar as contas.

Vamos em frente, não adianta ficar olhando para o céu porque Jesus prometeu que estaria conosco todos os dias, enquanto seguimos em frente em nosso dia a dia.

©2016 Alexandre Robles

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DEUS NÃO NOS AMA DO JEITO QUE SOMOS

Deus nos ama, não como somos, mas apesar de quem somos. Se nos amássemos como somos, incondicionalmente, não haveria conflito existencial algum, nós não lutaríamos contra nossa consciência que insiste em afirmar que algo está errado em nós, em nosso olhar. E Ele não teria morrido na Cruz por nós. Por que Deus iria entregar seu próprio Filho para morrer pelos nossos pecados, se Ele simplesmente aceitasse-nos como nós somos?
 
Deus quer quer eu seja outra pessoa. O Amor é assim. Não nos ama do modo que somos, mas quer que sejamos outra pessoa. A diferença entre nossos amores e o de Deus não é que Ele aceita quem ama como é, mas que é Perfeito no amor e perfeita é a pessoa que Ele quer que sejamos.
 
Eu não espero que as pessoas me amem como eu sou, nem eu me amo assim. Eu espero encontrar na vida pessoas que demorem a desistir de me amar e espero encontrar pessoas que queiram que eu seja alguém melhor que eu mesmo, mas não acredito que serei amado por alguém que não espere de mim alguma mudança, que não espere que eu seja outra pessoa, durante toda a nossa convivência.
 
Nós vivemos a ilusão de que amar é aceitar a pessoa como ela é. Isso não existe. Nem Deus ama assim. Na Cruz aprendemos que o Deus que quer nos mudar pagou perfeitamente o preço dessa transformação. Na Cruz eu aprendo que a pessoa que eu sou custa muito caro para o amor de Deus por mim.
 
A salvação é de Graça, para mim; mas custou muito caro, para Deus. Disso vem minha eterna, reverente, limitada e desconhecida Gratidão!
 
E na Ressurreição eu experimento o milagre do amor que pode fazer renascer tudo o que em mim morre.
 
©2016 Alexandre Robles
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GENTE FINA, ELEGANTE E SINCERA
Julgadores, fofoqueiros, esta estirpe, passa o dia procurando situações e pessoas sobre quem possam dizer: “eu não sei como essa pessoa é capaz de fazer uma coisa dessas”. Solidários, conscientes de si mesmos e de suas mazelas, cultivadores de esperança, de alma essencialmente cuidadora, gente “fina, elegante e sincera”, passa o dia atento às oportunidades de poder dizer, escrever, manifestar com o olhar reverente: “eu sei o que você está sentindo, eu te entendo”.
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A CURA NA DOENÇA

Qualquer adoecimento, seja físico, emocional ou uma combinação, é, antes de tudo e em algum nível, incapacitante. Adoecer é perder algumas capacidades que a saúde pressupõe, seja de mobilidade, seja de percepção sensorial, seja de convivência social. Por isso que antes, leva-nos a uma observação moral, o doente não pode realizar o que o saudável pode. Desta observação inconsciente, extraímos avaliações carregadas de juízo e amplificamos o sofrimento. A primeira consequência natural é a frustração. O adoecimento nos rouba a possibilidade de realizarmos o que idealizamos. Quem adoece e, especialmente quem convive com o adoecido sofre esse processo de frustração. Ninguém faz planos para o adoecimento.
 
Nisso, o adoecimento nos cura de nossas fantasias e projeções de perfeição. O mundo não é perfeito, a vida não é, nada será. Ninguém realizará seus sonhos integralmente, é certo que a vida dará conta de mudar nossos planos muitas vezes. O adoecimento é o amigo que nos convida à realidade e nos liberta da cegueira da fantasia.
 
O limite incapacitante que o adoecimento nos impõe é útil para nos lembrar dos limites da própria vida. Pessoas que precisam retirar de sua alimentação certos ingredientes ou medidas sem controle de tais ingredientes, nada mais vivem senão uma necessidade que todas pessoas têm. O limite que exige uma certa dependência de auxílio para locomoção nada mais é do que a declaração de que todos os seres humanos precisam de auxílio para se locomover, em tudo na vida. A noção de independência que nossa percepção preconceituosa de saúde nos oferece é que é a doença da fantasia, todos dependemos de todos o tempo todo para nos locomover na vida, em todos os aspectos, sejam físicos, principalmente sejam emocionais.
 
Os adoecimentos físicos, aliás, têm uma capacidade imensa de nos levar a considerar nossas realidades emocionais e espirituais. Deles, Jesus de Nazaré se utilizou como metáfora o tempo todo.
 
Pessoas que digam que por causa de seu adoecimento não podem trabalhar o tanto que trabalhavam antes, que precisam dormir certo número de horas pois senão não vão conseguir se sentir bem no dia seguinte, que não podem comer em excesso, que sequer podem fazer planos muito precisos, pois não podem garantir como estarão no momento determinado, enfim, tais pessoas estão apenas relatando o que é verdade para todo mundo e que deveria ser uma consciência coletiva de que todos temos limites.
 
O adoecimento nos convida a assumirmos nossos limites.
 
No adoecimento não há vaidade. A beleza se vai, os ambientes terapêuticos e de tratamento não são convidativos, etc. E por mais que alguém faça de seus limites incapacitantes uma tentativa de promoção de sua capacidade de superação, ainda assim causará nas outras pessoas apenas a sensação de admiração momentânea, mas jamais será objeto de “desejo”, pois ninguém desejará ter limite de mobilidade, a fim de aprender o que é superar a si mesmo. Todos nós continuaremos sendo atraídos pelo projeto saúde e beleza.
 
A vaidade é a mais tola manifestação humana que alimenta a mais nociva expressão, a Inveja. O adoecimento tem o poder de isolar os dois.
 
O adoecimento coloca tudo no lugar certo. Quando adoecidos nós aprendemos a dar importância ao que realmente tem importância. Pessoas, quando conscientes de que estão próximas da morte, se agarram com firmeza ao essencial que geralmente tem a ver com a companhia de amados, perdão que precisa ser pedido e oferecido, pequenas alegrias, sabores, lembranças dos simples momentos, um cobertor e um bom ouvido. Muitas pessoas quando sobrevivem a episódios trágicos, começam a viver de verdade.
 
O adoecimento abre nossos olhos para o que é importante na vida.
 
Antes de se obter restabelecimento, adaptação, sobrevida, a cura essencial que o adoecimento nos oferece é a do olhar; quando nos deparamos e aceitamos em paz os limites da existência.
©2016 Alexandre Robles
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ESTAMOS INDO, DE VOLTA PRA CASA

Estamos todos em busca do acolhimento profundo que perdemos no passado remoto, instantes após o Big Bang de nossa existência e que de poeiras estelares infinitamente distantes, condensou-se em forma de vida em nossa própria consciência. E assim fomos dados à luz. Desde que nascemos, nos perdemos, pois saímos do estado de maior acolhimento, ainda que limitado, que um ser pode viver, nesta vida; para a experiência de sobrevivência hostil que é a história, de cada um, de todos, dos mais iludidos aos mais conscientes de si mesmos. Nascer é perder e viver é buscar o caminho de volta. Não olhamos para o futuro quando sonhamos e idealizamos, mas para o passado, aquele passado remoto ao qual nossas consciências não foram apresentadas, mas que nosso inconsciente carrega de modo inexorável.

E o que haverá será sempre contentamento e adequação. Por mais perto que alguém chegue, não será realização.

Na jornada de volta, em que nossas almas procuram o útero do Criador, pequenas alegrias satisfatórias se fazem necessárias. Trarão alívio, senso de direção, gotejamento de uma esperança instalada em nós de que vamos chegar, seja como for que cada um, coletiva ou individualmente, descreva o lugar, todos queremos chegar.

Eu acreditei no Carpinteiro de Nazaré que disse que estava voltando pra Casa e que iria preparar lugar para nós.

©2016 Alexandre Robles

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OUTONO

Desde muito as folhagens exuberantes coloriam a caminhada dos observadores; delas muitos se serviam, muitos admiravam. Eram apenas folhas, embora sua elegância vistosa causasse a impressão de que fossem eternas. Aparência. Segurando cada ramo, pontas de galhos presas ao tronco frágil, que sem exposição, envergava sob a força do vento. Raízes, sim, fortes, não observáveis, mas seguramente profundas a sustentar altura suficiente para forçar que a cabeça fosse erguida a fim de que o topo fosse avistado.
 
Talvez, essa fosse a maior contribuição, a de fazer com que fosse necessário erguer a cabeça. Cabeças erguidas alongam o corpo e fazem notar o céu, por trás. E é com os olhos fitos aos céus que se encontra esperança.
 
Mas como sempre, a estação de quedas chega, as folhas começam a despencar de sua altivez, vê-se o tronco pelado, fragilidade exposta.
 
É outono. Estação da vida que nos lembra quão frágeis somos, afinal, independente da folhagem que somos capazes de produzir. É tempo de aproveitar a fragilidade exposta, a necessidade de resguardo.
 
A vingança marota de quem já viveu um tanto é saber que as estações passam, mas a árvore permanece, trocando folhagem, fortalecendo tronco, aprofundando a raiz.
 
©Outono de 2016 – Alexandre Robles
 
Obs.: Dizem que 21/3 é o Dia Internacional da Poesia e que 20/3/16 é o início do Outono. Que bela estação pra se pensar e escrever poesia.
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Eu só acredito em manifestações que protestem contra a corrupção sistêmica e não nas que são a favor de um grupo e contrário a outro grupo político, como se houvesse santos nessa história. No final das contas, todos os que militam por causas partidárias, a favor ou contra os políticos, saberão que foram apenas massa de manobra, gado, ainda que sejam suficientemente capacitados para elaborar argumentos e discursos políticos eruditos.

Eu sou Pró apuração e punição de todos os corruptos e a favor de uma reestruturação política profunda. O que for menos que isso, não me interessa.

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VAMOS À LUTA!

Os líderes que me inspiram à luta pelo bem, que não se silenciaram diante do mal e quando realizaram manifestações, estavam dispostos a apanhar e morrer, nunca a bater e matar. Homens como Ghandi, Luther King e Jesus de Nazaré. Coragem é isso!
 
Os líderes que me inspiram a mudar o mundo, eram pacifistas e agiam diretamente para aliviar o sofrimento dos abandonados e explorados, seus atos eram o melhor discurso e não se corrompiam com o sistema político, usando como desculpa a luta pelos pobres. Pessoas como Madre Teresa, Ghandi, Mandela. Engajamento é isso!
 
Os líderes que me inspiram a lutar com integridade, não aceitavam o sistema mau, a começar em si mesmos; sabiam que eles deveriam “ser a mudança que queriam ver no mundo” e ao protestarem contra a corrupção, antes de limpar a sala dos poderosos, conclamavam à limpeza de suas próprias casas. Homens como Ghandi, que convocou os indianos ao embargo de consumo dos produtos ingleses, já que queriam se tornar independentes da Inglaterra. Limpeza social, começa em casa!
 
Sigo guiado não por rumores circunstanciais de uma política medíocre e caótica dos nossos dias, mas pela nuvem de testemunha de grandes exemplos que marcaram a história e, sobretudo, pelas pegadas de Jesus de Nazaré, meu Senhor e meu Mestre.
 
©2016 Alexandre Robles
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É HORA DE IR PRO CONFLITO OU DE SER DISCRETO?

Em João 6, lemos que os irmãos de Jesus, por não acreditarem em que Ele dizia ser, à época, o incitavam a que fosse às Festas Oficiais dos Judeus e se apresentasse em público. Diziam eles que se Jesus queria que as pessoas soubessem quem Ele dizia ser, deveria se mostrar para um grande número de pessoas.

Eles sabiam, Jesus sabia, qualquer pessoa já sabia que a liderança judaica ali estaria em peso e que já nutria suspeitas e desafeto por Ele, esperando oportunidade de desacredita-lo diante do povo e incrimina-lo perante os romanos. Estariam também ali os líderes políticos de movimentos revolucionários armados, que ao menor sinal da presença de Jesus tentariam aproveita-la para confrontar os judeus. E, em dias de festas como aquelas, os governantes Romanos utilizavam Jerusalém como uma espécie de Cidade de Campo, onde descansavam e tiravam “férias”. Se Jesus fosse abertamente às festas iria causar conflito, com possível incitação popular e de repente, sem que soubessem porquê ou para quê, uma multidão poderia ser envolvida numa briga generalizada. 

Se Jesus quisesse apenas ser um líder político, este seria o cenário ideal para avaliar seu eleitorado e demonstrar a força de sua militância.

Mas não era esse o caso, não é nesse palco que Ele atuava, por isso, decidiu ir à festa discretamente, sem que nem mesmo os próprios irmãos atiçadores soubessem. Somente depois de momento apropriado, em lugar adequado, passou a ensinar o Evangelho do Reino de Deus, sem se ocupar com a militância hostil dos reinos partidários humanos.

Hoje, dia 18 de março de 2016, possivelmente teremos dois grupos diferentes se manifestando numa mesma avenida paulista. E dizem que haverá presença de personagens centrais nos conflitos políticos atuais. Temo pelo que pode acontecer. Inicio minha manhã com um olhar cuidadoso nos dias de hoje e com o coração inclinado aos passos de Jesus de Nazaré, meu Senhor e Mestre.

©2016 Alexandre Robles

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ESPADAS OU ARADOS

Se você quer ter uma noção de como se compunha o grupo de discípulos de Jesus, imagine que havia gente revolucionária, que desejava pegar em armas para destituir Roma e que se aproximou de Jesus justamente por crer que Ele seria uma espécie de Messias Político. Havia também gente de extrema direita conservadora, que se servia do Poder que oprimia o povo com impostos absurdos, valores estes que eram cobrados pessoalmente por tais pessoas. Havia ainda gente apenas ocupada de sobreviver, enriquecer com seu comércio e desfrutar do conforto do consumo. Facilmente, à mesa, olhariam estranho um para o outro; haveria xingamentos semelhantes aos “coxinha” e “petralhas”; e cada um tentaria capitalizar sua relação com Jesus a fim de promover sua ideia política e social. Enquanto isso, alguns considerados alienados, apenas ocupados de seus interesses pessoais.

Jesus desarmava os ânimos e os convidava a uma tarefa maior, a de tornarem-se pescadores de pessoas; andarilhos servindo multidões com seus próprios pães; de apagarem tochas que antes desejariam utilizar para queimar inimigos; e de guardar espadas ao invés de cortar orelhas de soldados.

Tenho orado para que depois deste reboliço político, os amigos que têm se posicionado de modo tão apaixonado e antagônico, sejam novamente atraídos à mesa do Mestre, que tira de nossas mãos as espadas, que agridem a todos a começar de nós, e nos instrumentaliza com arados, para que nosso trabalho produza frutos de justiça.

©2016 Alexandre Robles

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QUE BEIJO É ESSE?

O Salmo 2 foi escrito, provavelmente, para a coroação de Davi como Rei. Nele há uma referência a “beijar o filho”. Filho era expressão usada para os Imperadores e Reis da Antiguidade, chamados de “Filhos de Deus”. Deste modo, o salmo 2 é considerado um texto profético, que faz referência a Jesus, o Filho de Deus a quem devemos beijar. O beijo, no contexto, é uma atitude de reverência.

Com um beijo Judas traiu a Jesus e foi por ele questionado: “com um beijo você está traindo o Filho de Deus?”. 

Se Judas se lembrou do Salmo, entendeu o que Jesus dizia.

Mais do que o beijo em si, o que vale é a intenção com que é dado.

Nem todo beijo é de amor. Nem toda carícia é carinhosa. Nem todo silêncio é concordância. Nem toda bronca ou palmada são agressivas. Nem todo distanciamento é rejeição.

Nada é em si mesmo, senão aquilo que deseja-se transmitir.

Por isso que não a forma, mas a essência é o que realmente importa.

Porque nem toda oração é verdadeira, nem toda canção é louvor, nem todo culto é adoração, nem todo conhecimento é experiência.

A questão é o que quer com o beijo que se dá!

©2016 Alexandre Robles

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JESUS NÃO TEM LADO

Em Jesus, eu aprendi que em nome dos pobres, não se pode ser ladrão, como Ele advertiu Judas. Aprendi também que Ele, e quem o segue, não tem lado político, nem de César, nem dos revolucionários zelotes. E aprendi que a verdadeira revolução na sociedade é promovida por quem dá de comer a quem tem fome e se preciso for morre e não mata; vai preso e não luta para se manter no poder.

O que não entendo é como alguns líderes religiosos desta Nação estão erguendo bandeiras partidário-ideológicas e defendendo publicamente a tese de que a luta justifica a corrupção, ou de que há uma oposição que é paladino-messiânica de um futuro sem a corrupção, como se nunca na história deste país tivesse havido.

De minha parte, não tenho lado, bandeiras, torcida. Apenas sigo tentando perceber as pegadas de Jesus, de Nazaré.

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Suportar uns aos outros, como ensina a Bíblia, não é “aguentar” o outro, mas dar suporte. É ajudar o outro a se tornar melhor a cada dia; é contribuir para extrair o melhor do outro; é dar o apoio necessário para que o outro seja tratado e cuidado por Deus.

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Não se pode esperar que as pessoas nos amem com os defeitos que temos, mas sim apesar deles. E se é “apesar” então haverá em nós uma franca disposição de mudança. Quem quer ser aceito do jeito que é ainda não entendeu a gravidade do mal que causa. Ninguém está isento de mudar para tornar a convivência possível.

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MARKETING DA FELICIDADE

Nós somos filhos da geração do marketing da felicidade, cujo o tema é faça de tudo e seja o máximo feliz que puder, utilizando seu tempo, conhecimento e recursos para isso. Os Templos Evangélicos também são guiados por isso e pela mobilização das pessoas para os projetos imperialistas de seus líderes, que seja guiando uma multidão ou apenas meia dúzia em algum canto da cidade, acreditam ser uma espécie de messias do movimento que irá ensinar todas as pessoas do mundo a conquistar tudo o que querem, usando as ferramentas religiosas adequadas.
 
Poucos os que ensinam e ajudam a refletir sobre a vida. A maioria mobiliza as pessoas para servirem de mão de obra de seu projeto institucional de crescimento.
 
Mas as pessoas são apenas pessoas, não peças da engrenagem ministerial de alguém. Ainda precisam voltar pra casa e cumprir tarefas cotidianas, ainda precisam cuidar de seus doentes, ainda passarão a maior parte de seu tempo lidando com necessidades urgências de sobrevivência e convivência.
 
Pena que entram e saem de templos lotados onde ouvem sobre vidas vitoriosas que não existem e retornam para suas vidas, mais confusas e mais culpadas, por não experimentar aquela vida declarada e oferecida no último de culto de domingo em que participaram.
 
Louca não é a pessoa que luta para viver como dá, num mundo caído e sofrido, mas aquela que promete que este mundo não existe e que é possível mudar toda uma vida a partir das catarses religiosas vividas no culto e com a confissão positiva e mentirosa de quem passa a crer que estará imune aos sofrimento somente porque faz parte da campanha de conquistas do último mês.
 
Em Jesus eu sou chamado a caminhar em verdade, não em marketing.
 
©2016 Alexandre Robles
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O LIMITE DA BUSCA

O que buscamos que torna alguns de nós insatisfeitos crônicos, à procura de algo que jamais se encontra, quando tal busca é capaz de destruir todos os mundos simples e possíveis construídos ao redor? Sim, alguns de nós somos tomados por uma angústia da busca, como se a busca em si tivesse se tornado nosso encantamento e sempre que chegamos a um espaço bom e satisfatório, na avaliação de todos ao nosso redor, nós simplesmente abandonamos tudo e seguimos procurando, procurando, procurando… Até que a alma cansa, a gente olha pro lado e percebe o estrago causado na vida de tanta gente que sinceramente ama, mas não entende porque o amor por tais pessoas, a vida simples e rotineira, o bem comum, enfim, não são capazes de apaziguar essa angústia pela busca de algo que não sabemos identificar!

Deixamos família, filhos, acreditando na necessidade de realização pessoal, profissional. Deixamos morrer o casamento porque buscamos relações que sejam leves, distraídas, agitadas.

E esse tal de contentamento que o Apóstolo Paulo descreve nos parece tão distante! Sofremos e desejamos “aprender a estar contente em toda e qualquer situação (Filipenses 4)”, porque a dor de ferir pessoas é tão lacerante quanto a dor da própria busca.

Mas há alguns de nós que não conseguem deixar de buscar, até o fim de suas vidas insatisfeitas.

©2016 Alexandre Robles

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A MEDIDA DO CHORO

Que droga existencial é esta que há em nossa consciência e que nos faz sentir culpa por pequenas alegrias e angústia depressiva em sofrimentos que são parte da vida? Sim, é uma espécie de droga, porque vicia-nos a pensar e a agir como se não houvesse outro meio de existir. Ela nos rouba a integridade das emoções, pois poderíamos ser mais felizes e gratos com as pequenas alegrias, aceita-las sem automaticamente nos cobrarmos por todas as faltas com que ainda convivemos; e poderíamos assimilar com mais serenidade as inadequações e os sofrimentos inevitáveis, procurar o abrigo das amizades sinceras e confiáveis, sem nos desesperar em angústias e fobias.
 
Daí, o convite bíblico, aparentemente obvio, ser tão elementar: “chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram”. É só isso que se pede da vida, reagir coerentemente ao que acontece. Quando alegre, sorrir; quando triste, chorar.
 
É por essas, e outras, que Jesus nos ensinou que o Evangelho opera conversão e transformação essencialmente dentro de nós, não fora. O bem do Evangelho não são objetos e circunstâncias, mas um coração protegido e fortalecido pela Verdade, de onde brotam todas as fontes da existência.
 
©2016 Alexandre Robles
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Controlamos quase nada. Não controlamos o futuro, o coração das pessoas, nem nossos próprios desejos. O que controlamos, de fato, é nossa decisão. Sempre podemos escolher o que fazer e como reagir a tudo o que nos acontece. E é a decisão que se torna semente para tudo o que se realiza em nós. Bom desejos, sem decisão, nada realizam. Maus desejos, com a decisão de resistência, não confirmam erros. Amanhã, não importando o que nos aconteça, seremos o resultado de cada pequena decisão.

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Contentamento é o segredo do Apóstolo Paulo. Ele diz que aprendeu a estar contente em toda e qualquer situação, então afirmou o que na boca da média religiosa se tornou apenas chavão: “tudo posso naquele que me fortalece”. Ele pode atravessar qualquer situação, da abundância à carestia, mantendo o contentamento.

Numa época pendular, que oscila entre euforia e depressão, precisamos aprender o que é contentamento.