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A PALAVRA FINAL

Vivemos dias da self-espiritualidade aquela que vai se servindo de tudo o que existe e monta sua melhor opção. É politicamente correta, elegante e honesta.
 
O problema é servir-se apenas do que concorda consigo.
 
Eu tudo leio, observo e reflito, enquanto submeto inteiramente ao ensino de Jesus de Nazaré.
 
Ele é a Palavra Final de tudo, pra mim.
 
E ao concordar com Ele, discordo de mim mesmo.
 
Quem quer um caminho assim?
 
A espiritualidade contemporânea já se mostra, e se mostrará ainda mais, frágil e incapaz de produzir a transformação interior que somente se dá no confronto e rendição de tudo o que sou e penso às palavras de Jesus de Nazaré, que são espírito e vida.
 
É nEle, dEle, por Ele e para Ele que são todas as coisas; os conhecimentos e os mistérios.
 
Nada que o homem conheça nEle não se encontra! Tudo o que não seremos capazes de discernir, nEle será explicado!
 
Um dia todos saberemos. Um dia todos verão e todos o adorarão ajoelhados e rendidos. Nisso creio mais do que naquilo que meus olhos veem!
 
(Apocalipse 5).
 
Fé para todos os que insistirem em crer, apesar de tudo!
 
©2016 Alexandre Robles
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MOLDURA

(Analisando o que a Bíblia tem a dizer sobre os temas da vida)
Quando pretendemos analisar as situações da vida, do cotidiano, sejam sociais, religiosas ou familiares, bom é partirmos da compreensão de que a História Humana é marcada por três realidades que são apresentadas como fundamento da experiência. A primeira é a Criação, que apresenta o Mundo Perfeito, em que cada elemento do relato está localizado de modo organizado e funcional, onde há harmonia e equilíbrios plenos, onde tudo é como é, sem disfunção alguma. A segunda é Queda, como nomeia a Teologia, aquele fenômeno da rebelião, da desobediência humana, que explica porque a vida não é como aquela narrada na Criação. A queda desconfigurou todas as realidades, as visíveis e as invisíveis. E a terceira é a Redenção, que inicia-se na manifestação histórica da Salvação, através de Cristo e se consuma na Eternidade, após o fim da História.
 
Utilizando este padrão podemos analisar todos os aspectos da organização dos homens na História, de sua relação com Dinheiro e o Trabalho; de sua estruturação familiar; de sua experiência sexual; de sua organização social e política; enfim. Como o Trabalho deve ser tratado? Vejamos como era na Criação, no que se tornou a partir da Queda e o como foi redimido (reconceituado) na Redenção, considerando que tudo é redimido em parte hoje e com a ação dos redimidos, até que seja plenamente na Eternidade. E por aí vai.
 
Sugiro que guarde esta Moldura das Realidades para suas análises e aplicações; e que assista o Vídeo completo de uma aplicação que realizei sobre a o Exercício da Liderança, especialmente no ambiente familiar:
 
 
©2016 Alexandre Robles
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VAMOS FAZER DIFERENTE?

O Poder da Cultura
(Para quem for capaz de ler até o fim)
 
A cultura é a maneira como um ser vivo se estabelece em um ambiente. De bactérias a seres humanos. Nós, criamos sistemas de estabelecimento, propagação e manutenção de nosso conhecimento e ocupação do Planeta. Isso é uma cultura. Parte dela é sua arte, outras seu folclore, suas expressões religiosas, seu comércio, sua organização política e social, enfim.
 
Havia uma só cultura na raça humana que foi completamente dizimada nos tempos de Noé, quando seres angelicais rebeldes a Deus, invadem a Terra, se imiscui com os seres humanos e cria uma cultura de destruição, maldade e morte inimagináveis, que nenhuma sociedade foi capaz de registrar plenamente, mas que em cada registro dos povos da Antiguidade há referência à presença destes seres gigantes e poderosos que construíram o Mundo Antigo observável.
 
Esta cultura absolutamente tomada pelo mal, foi lavada da Terra no evento do Dilúvio. Fato também mencionado nos relatos de muitos povos antigos ao redor do mundo.
 
Após o Dilúvio, os seres humanos viveram a grande migração pela Terra. O relato bíblico que explica tal evento é o da Torre de Babel, quando o Criador confundiu os idiomas dos povos para que fossem separados. Isto, porque quando havia uma cultura apenas na Terra, tendo chegado a níveis absurdos de maldade, a solução teve de ser o extermínio. E para que não fosse novamente necessária tal intervenção divina, acontece a divisão dos povos, cada um com sua língua, a fim de dar origem a várias culturas diferentes.
 
Deste modo, quando um cultura chega a níveis inadmissíveis de maldade, ela desaparece, mas a raça humana é preservada através de outras culturas que sobrevivem em limites aceitáveis ou desejáveis. A partir desta “confusão” de línguas, a humanidade se desenvolveu nas culturas da Antiguidade até chegarmos em nossos dias.
 
E de todas as culturas antigas, O Criador estabeleceu uma relação com um povo iniciado por Abraão, a fim de que este povo fosse uma referência cultural para todas as culturas da Terra.
 
A comunicação é fundamental na consolidação da cultura. Por isso que somente surgiram várias culturas a partir da diversificação linguística.
 
Quando um grupo de pessoas se organiza a partir de uma linguagem, ele estabelece uma cultura. A linguagem pode ser o idioma, mas pode ser também uma referência artística, religiosa, etc. Deste modo, podemos estabelecer na história a cultura do consumismo, a cultura da corrupção, a cultura da solidariedade, a cultura da guerra. Sua casa é uma cultura, seu escritório, sua igreja. Começamos a agir de determinado modo, elegemos valores e expressões e comunicamos internamente, mesmo que tais processos sejam inconscientes. Minha família, meu ambiente de trabalho, minha igreja, qualquer estrutura pode desenvolver a cultura da hostilidade ou da gentileza; do exagero ou do equilíbrio; da doença ou da saúde; do desperdício ou da preservação; da banalidade ou do idealismo; etc.
 
E o Evangelho é o poder do Espírito Santo unindo pessoas num novo idioma, extraindo o poder de toda e qualquer cultura da Terra sem se tornar uma Cultura Alternativa, mas a manifestação de uma Nova Humanidade como deveríamos ser desde sempre. Quando o Espírito Santo se manifesta entre os primeiros seguidores de Jesus, Ele unifica os diferentes, através de um novo e mesmo idioma espiritual. É como se o evento do Pentecostes fosse a resposta do Criador à intervenção promovida no evento da Torre de Babel. Em Babel o idioma é confundido, no Pentecostes os idiomas são unificados.
 
Nós temos o poder de criar, modificar, abandonar e finalizar culturas. Elas dependem de nós para existirem.
 
E quando duas pessoas começam a concordar a respeito de valores, modos e objetivos, nasce uma cultura nova. Jesus afirmou que apenas dois ou três são necessários para que uma Igreja se manifeste na história, por exemplo. Se é assim com a igreja, é assim com a família, o trabalho, o bairro, a cidade. Josué, um líder político em Israel, propôs e afirmou uma cultura em seus dias quando disse: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” e ainda disse que havia a opção de que outras pessoas criassem culturas diferentes da dele: “vocês escolham a quem vão servir”.
 
Nosso mundo somente muda, quando duas ou três pessoas começam um processo de reestruturação cultural.
 
Que música vamos ouvir? Como viveremos nossa sexualidade? Como faremos negócios?
 
Estamos precisando urgentemente de pessoas que construam culturas do bem ao nosso redor. E se você chegou até o fim deste texto, já mostra ser capaz de pensar além de sua cultura imediatista e de frases de efeito empobrecidas pela obviedade. Obrigado por me acompanhar.
 
Vamos analisar, refletir, alterar, recriar a cultura? Chame dois ou três e recomece com uma oração simples ao Criador, pedindo que o Espírito Santo lhes dê o idioma de comunicação do amor.
 
Paz e bem!
 
2016 Alexandre Robles
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UMA BREVE CONDIDERAÇÃO DO DINHEIRO NA CONSTRUÇÃO DO PROTESTANTISMO, CAPITALISMO E EVANGELICALISMO

A ideia de prosperidade atrelada à fé, no mundo moderno ocidental, surgiu com o Movimento Protestante, que afirmou que o trabalho gera prosperidade, com a bênção de Deus. Tal princípio foi usado sem limites éticos pelo Espírito Capitalista que aumentou a importância do enriquecimento pessoal em detrimento da ética do trabalho, ou seja, o Capitalismo afirmou que o que importa é ser rico, mesmo que não seja através de um trabalho ético e promotor do bem social e da justiça. Depois, a Teologia da Prosperidade afirmou que Deus é quem enriquece as pessoas que doam dinheiro nas igrejas. Deste modo, eliminou a importância do trabalho e relativizou a ética.

 

A Ética Protestante do trabalho encontra-se nos livros de história que contam o início de algumas grandes nações capitalistas do mundo ocidental. O Espírito Capitalista predatório encontra em Wall Street sua cidade sagrada. E a Teologia da Prosperidade da magia da intervenção de Deus, a despeito do trabalho e da ética, encontra-se nos templos religiosos evangélicos e tem em seus pastores, bispos e apóstolos, os feiticeiros responsáveis por acionar as forças espirituais que fazem prosperar qualquer pessoa que faça campanhas e sacrifícios financeiros.

 

De acordo com as palavras de Jesus e de Paulo, aprendo que o Dinheiro, como sistema de valores que domina as estruturas sociais e de poder, é um deus e que não se pode servir ao Deus Criador e ao deus Dinheiro ao mesmo tempo. Aprendo que o Dinheiro, este sistema, é a raiz de todos os males e que as pessoas que têm como objetivo essencial tornarem-se ricos, perdem a vida e causam mortes ao seu redor. Aprendo que numa sociedade injusta, nem sempre o trabalho honesto e dedicado, gerará ganhos condizentes, portanto, nem o espírito protestante pode ser uma Lei, mas apenas serve como instrumento de qualificação das relações entre os homens; sendo que numa sociedade injusta, há aqueles que ganharão mais e os que ganharão menos. Quanto menor for essa distância, mais justa e desenvolvida é uma Nação. E ainda nestas, a maneira como o Evangelho atua é através da solidariedade, pois como nos ensinou Paulo, no Reino de Deus, aquele que ganhou mais, não teve sobrando e quem ganhou menos, não teve faltando.

 

Portanto, no Evangelho, o Capitalismo sem ética é completamente condenado, ainda que traga enriquecimento. A Teologia da Prosperidade é uma bobagem manipuladora e denunciadora de gente crente e egoísta. E o espírito ético do protestantismo é apenas princípio norteador de estruturação social, mas não é suficiente para eliminar injustiças de ganho e acúmulo.

 

Arrisco alguns conselhos:

 

  1. Trabalhe honestamente e com dedicação, fazendo o melhor que pode, através da sua atuação, para melhorar a vida das pessoas e o mundo em que vivemos.
  2. Ganhe o quanto for possível, de modo ético e respeite seus limites e os limites das pessoas que vivem com você.
  3. Compartilhe do que ganha, para que não sobre na sua vida e a sobra seja objeto de ostentação, orgulho, vaidade, imposição e exercício de influência e poder; e para que não falte a ninguém que estando ao seu alcance, pode não ter recebido dignamente, mas diante de Deus é digno de viver como qualquer outra pessoa no mundo.
  4. Poupe de modo responsável, um pouco do que ganha, para prever e prover para o dia mau, não faça isso por medo de não ter amanhã, mas com a responsabilidade de quem sabe que recebeu de Deus hoje o que pode administrar de tal modo a que o supra na hora de maior necessidade.
  5. Desfrute com paz e alegria do bem da vida, com as pessoas que ama. Viva hoje e não trate o dinheiro como impeditivo de suas pequenas felicidades.

Deus abençoa o trabalho e a produção, sementes lançadas em solo certo dão seu fruto, apenas trabalhe. Num mundo injusto, nem sempre o resultado de nosso trabalho será coerente, como se as sementes lançadas em bom solo, fossem arrancadas pelas tempestades. Quando isso acontece precisamos sobreviver com a solidariedade de quem colhendo mais não tem sobrando. Mostre que você ama a Deus e ama a vida, não acumulando, mas compartilhando dos seus bens, seja com organizações e as pessoas que alimentam seu desenvolvimento espiritual, seja com instituições de assistência aos mais necessitados, seja com pessoas que promovem arte e cultura e que alimentam nossa transcendência. E Deus abençoa seu lazer e seu descanso, gaste seu dinheiro com passeios, viagens e experiências que irão marcar sua vida e de sua família.

 

O melhor lugar do dinheiro, é longe do nosso coração.

 

2015 Alexandre Robles

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DIVÓRCIO E AMPUTAÇÃO

O que vem depois

Em vigência, nos dias de Jesus, havia a Lei de Moisés e a tradição dos líderes religiosos de Israel. A interpretação do que o novo testamento oferece à primeira, depende de como o povo se relacionava com a segunda. Desse exercício é que devemos derivar nossa leitura.

Havia a Lei de Moisés, que normativaza o casamento, e a Tradição, que o fazia valer na prática. De acordo com Moisés, o casamento era uma união entre homem e mulher, que não deveriam ser parentes próximos. Havia forte recomendação a que não houvesse casamento entre israelitas e pessoas de outros povos. E havia o divórcio, como concessão.

A Tradição tornou o casamento uma relação comercial e fez da mulher uma propriedade do homem. Cobiçar a mulher do próximo era o mesmo que cobiçar sua propriedade. Uma mulher casada pertencia ao marido e a solteira ao pai. Somente o homem passava a ter direito à poligamia e também ao divórcio.

Na Lei de Moisés o adultério requeria apedrejamento. A Tradição tornou o adultério apenas um ato feminino, ou seja, somente a mulher é quem adulterava, caso tivesse outro homem além de seu marido, e merecia o apedrejamento. O homem, como já dito, podia ser polígamo.

Com o passar do tempo, a Tradição criou nova modalidade de relacionamento. A poligamia exigia do homem provisão e proteção a todas as esposas que tivesse e como isso começava a tornar-se caro, surgiu a acomodação que protegia o homem em seu direito à poligamia, sem obriga-lo ao dever da provisão, o repúdio.

Diferentemente da Carta de Divórcio, o repúdio era o ato em que o homem desprezava publicamente sua mulher, a mantinha sob seu poder, porque não havia lavrado Carta de Divórcio, e a mantinha sua propriedade, sem precisar tratá-la como honra de mãe de seus filhos. Com o repúdio, ele podia ter nova esposa. Mantinha a antiga sob seu domínio, não precisava tratá-la com dignidade de esposa e podia se casar novamente.

Com o passar o tempo, a Tradição começou a discutir se o homem poderia repudiar sua esposa por qualquer motivo. Havia os que diziam que sim e os que diziam que somente em caso de adultério.

Nesse ambiente é que trataram a questão com Jesus.

Primeiro, Jesus disse que o adultério está no coração, do homem especialmente, não exclusivamente, óbvio, mas para efeito de confrontação histórica, era necessário que Jesus afirmasse que adultério era algo interno e espiritual, para uma sociedade que acreditava que o adultério era praticado somente por mulheres. Assim, Jesus solapa o machismo.

Depois, Ele afirma que a mulher repudiada não pode se casar de novo e o homem que se casa com esta, também estará em adultério. Aqui, Ele está fazendo uma constatação da realidade. Era isso o que acontecia, porque os homens repudiavam suas esposas ao invés de se divorciarem delas, mantendo-as presas a ele, como propriedade, portanto, uma vez repudiada, e não divorciada, ela não podia “ser” de outro homem, caso isso acontecesse, ambos estariam cometendo adultério, a mulher repudiada (porque ainda pertencia legalmente ao seu marido) e o homem que a desejasse. Jesus está afirmando um problema social grave, resultado de uma má interpretação da Lei, e baseada na Tradição religiosa.

Quando questionado diretamente, por causa de seus discursos contra o repúdio e a favor da mulher, o assunto chegou à base. E como fica Moisés? Ele permitiu a Carta de Divórcio! Sim, respondeu Jesus, o divórcio é uma concessão, por causa da dureza dos corações. Quando não é possível que se continue, porque os corações não encontram mais saída, então o divórcio é a concessão. Mas, enfatizou Jesus, não foi assim no princípio, quando Deus criou homem e mulher e abençoou a união física, emocional e espiritual e decretou que deveria ser até o fim da vida. O princípio não é o Divórcio, ele é apenas concessão. O repúdio não é divórcio, é uma agressão imposta num relacionamento e que deve ser inaceitável.

Diante da afirmação de Jesus de que não somente a mulher é passível de adultério, mas o homem também e de que o adultério acontece antes no coração; diante de sua afirmação de que o repúdio é uma situação social absurda que promove a indignidade feminina e a transforma numa “adúltera” caso tente refazer sua vida com outro homem; diante de sua afirmação de que homens e mulheres são iguais perante Deus no casamento, a reação dos próprios discípulos foi de surpresa e cínico desanimo. Perguntaram que vantagem havia então em casar?

Em Jesus acaba a “vantagem machista-patriarcal”.

O que Deus odeia, registrado em Malaquias, é o repúdio. Não que Ele ame o Divórcio, mas é necessário compreendermos a diferença.

Repúdio é um ato de agressão, desprezo e aprisionamento, que acontecia nos dias de Jesus de forma concreta e pública, quando um homem que não quisesse mais sua esposa a mantinha presa e recebia o direito de contrair novas núpcias.

Divórcio é uma concessão para que as pessoas que não conseguem mais viver juntas, possam recomeçar suas vidas.

Deus abençoa o casamento, concede o divórcio, que torna livres as pessoas para se casarem novamente, e abomina o repúdio.

Hoje, qualquer relação que envolva agressão, desprezo, opressão, rejeição, descaso, de que ordem for, é um repúdio, mesmo que esteja legitimada pelas leis do casamento.

Hoje, o divórcio é o mesmo que era em Moisés e em Jesus. Com a lembrança enfática de que o divórcio é expediente de casos extremos, tão extremos que Jesus afirmou que deveria ser administrado em casos de adultério. Aliás, Jesus humanizou as relações ao dizer que em caso de adultério é melhor haver divórcio, uma vez que pela Lei o adultério gerava condenação à morte. O que você prefere, a morte da Lei ou a Graça de Jesus? Para Jesus, nem o adultério deveria promover condenação à morte.

Considerando a diferença entre repúdio e divórcio; considerando o adultério como doença da alma antes de ser consumação na cama; considerando a maneira humanitária de Jesus tratar a questão em confrontação ao machismo legalista de sua época, leio, avalio e considero:

Deus deseja o casamento indissolúvel, monogâmico, entre homem e mulher. Este é o ideal, este é o princípio. Tudo o mais será arranjo histórico surgido da tensão entre o Reino de Deus e os reinados humanos. Inclusive, algumas pessoas viverão situações que impossibilitam-nas para o casamento monogâmico, entre homem e mulher, serão como Eunucos, que assim se farão por causa do Reino de Deus. Suas tensões serão tão profundas, que precisarão anular parte de si mesmas pelo Reino de Deus, se assim puderem;

Repúdio é qualquer forma de indignidade no casamento. Não deve ser aceito. Ninguém deve permanecer casado sob risco de integridade física, emocional, social e espiritual;

Divórcio é concessão, não opção de resolução de problemas no casamento. Quando duas pessoas não podem mais permanecer casadas, melhor que se divorciem antes que haja repúdio.

Na prática:

Somente gente insana casa pretendendo se divorciar;

Há que se tentar de todas as maneiras tratar o casamento a fim de melhorar a relação e a vida;

É melhor divorciar que repudiar;

Quem se divorcia está livre para recomeçar sua vida.

Há pessoas que precisam entender tais aspectos para que tenham discernimento espiritual diante de suas próprias histórias. Além da dor que envolve o fim de um casamento, muitos carregam culpas e são alvos de julgamento.

Comparo o divórcio a uma amputação.

Você está diante de um médico que avalia que uma parte do seu corpo está em estágio avançado de putrefação, que compromete a saúde do restante do corpo e exige a amputação. Neste momento você pode exercer sua fé e orar a Deus, que pode curar a parte morta. Ele pode sim, mas nem sempre faz. Sobretudo nos casos do casamento, quando Deus não faz o que não deixamos que Ele faça. Nosso coração é o único ambiente onde Deus só reina sob permissão. Em corações endurecidos, nem Deus governa.

Voltemos à amputação. Você recebeu o diagnóstico médico, orou, pediu milagre, fez sua parte e a parte moribunda de seu corpo está tomando o restante, um pouco a cada dia. Chegou a hora de decidir. Manter a parte é arriscar o corpo todo, tirá-la, é perder uma parte de si mesmo.

Este é o dilema. Não existe vida fácil para quem precisa decidir entre divórcio e recomeço. Há pessoas que acham que vão “resolver um problema” com o divórcio, mas se enganam não entendendo que a partir disso sua vida será ainda difícil, muito.

É por isso que ninguém decide por amputar uma perna por estar com unha encravada. Somente um louco decidiria amputar o pé, sentado na cadeira do podólogo. Unha encravada a gente trata, põe remédio, muda hábitos, faz de tudo para não somente não perder dedo, mas, principalmente ter melhor qualidade de vida.

No entanto, você está diante do especialista e não é “unha encrava”, mas trombose grave, não tem jeito, terá de amputar. Marca a cirurgia e realiza a intervenção. A partir deste dia, parte de você morre, acaba. Não existe amputação fácil, não existe divórcio fácil.

Há três atitudes que preocupam. A primeira é de gente que, porque cansou de algo em seu casamento, resolve se divorciar. É como amputar a perna por causa de unha encravada. A segunda é gente que não se submete à amputação por causa das aparências sociais, por medo de encarar o julgamento dos outros, “prefere morrer” a recomeçar a vida sem uma perna. A terceira é justamente o julgamento sobre quem precisa de amputação, como se fosse uma escolha moral, do tipo, um dia a gente acorda e resolve amputar o pé porque não gosta da cor que usou para pintar a unha.

Um divórcio é uma amputação. Considere isso:

Ninguém nos prepara para viver como amputado, simplesmente porque ninguém prevê isso no planejamento da existência. Assim é com o divórcio. Há cursos e livros sobre o casamento, em todas fases, com fartura à disposição de quem quiser. Mas pouco há disponível para ensinar a vivermos após o divórcio, nem mesmo para realizar um divórcio sadio. Sim, há divórcio sadio e divórcio doente, assim como é diferente amputar uma perna num hospital especializado e arranca-la no quintal de casa com canivete. O pós-operatório é completamente diferente.

Os amputados/divorciados precisarão de muita força de vontade para recomeçar a vida. Existe vida após a amputação/divórcio. Aliás, há muitas pessoas que se tornam uma melhor versão de si mesmas após uma amputação, sua experiência traumática tem poder de torná-las fortes, resilientes, decididas, com imenso poder de superação. Muitos tornam-se atletas sem uma perna, quando passaram uma vida sedentária antes. Há vida após o divórcio e ela pode sim ser melhor.

Amputados/divorciados precisam de próteses e de terapias para conseguirem andar novamente com a melhor possibilidade. Sem ajuda terapêutica fica mais difícil recomeçar.

Depois que passamos pela amputação/divórcio, precisamos aprender a lidar com o “olhar” ingênuo, descuidado, legalista e de ordens semelhantes. Lembre-se, a gente entende melhor quando passa pela mesma experiência. Por isso, não devemos esperar a aprovação de todos para recomeçarmos.

Amputados relatam a “dor fantasma”. Quando “sentem” o membro amputado como se ainda estivesse ali. Isso é tão real para divorciados! Haverá dores, coceiras, incômodos, como lembranças do passado. Precisamos lembrar nossa mente de que é “dor fantasma” e as pessoas que convivem com os amputados/divorciados precisam entender este fenômeno.

Enfim, que ninguém pense que estou sugerindo que se planeje o divórcio/amputação, isso seria tão tétrico e trágico quando fazer uma plano de previdência para poder amputar um braço aos quarenta anos. Óbvio que não tem propósito, significado, lógica.

Relatei os textos bíblicos de Mateus 5, Mateus 19 e Malaquias 2.16. Valho-me de duas leituras esclarecedoras indicadas abaixo.

Há tantos desdobramentos da vida após a amputação/divórcio! Quem sabe eu possa falar um pouco mais, adiante?

Desejo a todos, amputados ou não, paz, bem e vida de Deus, que nasce do conflito entre Seu Reino Ideal e nossos reinos humanos, gerando a vida possível de ser vivida aqui e agora, por gente que ama a Deus, a vida e vive com os pés aqui, enquanto mantém a cabeça em Deus!

http://www.pastorjoao.com.br/123/?p=654 encontrei o texto do Walter L. Calisson, neste blog. Recomendo este texto, não conheço o blog ou o responsável por ele.

Eunucos pelo Reino de Deus http://books.google.com.br/…/Eunucos_pelo_reino_de_Deus.htm…

© Alexandre Robles

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O MUNDO DE ENOQUE

“Enoque, o sétimo a partir de Adão, profetizou acerca deles: “Vejam, o Senhor vem com milhares de milhares de seus santos, para julgar a todos e convencer todos os ímpios a respeito de todos os atos de impiedade que eles cometeram impiamente e acerca de todas as palavras insolentes que os pecadores ímpios falaram contra ele”.”
Judas 1.14,15

Enoque não somente foi um homem com uma história especial na Antiguidade prediluviana, como foi lido e citado pelos escritores do Novo Testamento com frequência.

O mundo de Enoque são os dias anteriores ao Dilúvio e que era habitado por seres angelicais rebeldes, gigantes e espécies de amimais que hoje não temos mais. Era um mundo que nossa mentalidade moderna chama de mitológico e que moldou o inconsciente coletivo de todas as culturas antigas da terra.

Para os primeiros discípulos era real e importante. Para a Teologia Moderna simplesmente desprezado. A realidade espiritual de anjos e demônios e sua relação direta com todos os eventos históricos, deve ser revista a partir das citações bíblicas do Mundo Antigo, do escrito de Enoque que tanto influenciou os apóstolos e das descobertas científicas e arqueológicas das Civilizações da Antiguidade.

O Mundo de Enoque tem mais a dizer sobre nosso mundo atual do que desconfia nossa vã teologia.

2015 Alexandre Robles

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TEOLOGIA QUÂNTICA

“O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo e manifestado na história”.
Pedro, o pescador

Pedro entendeu e nos contou algo extraordinário, que tem poder de eliminar a importância de discussões filosóficas e teológicas sobre o tempo, escolhas e processos da salvação. Paulo dizia isso também.

O que eles entendiam é que o evento da crucificação de Jesus de Nazaré já era a Realidade Cósmica sobre a qual todo o Universo se sustenta. E como costuma dizer o profeta contemporâneo Caio Fábio, “antes de Deus dizer Haja Luz, Ele disse Haja Cruz”.

Há anos que vejo que a Física Quântica e da Relatividade contribuem mais para a interpretação do Evangelho em sua relação com o Cosmos, que a Teologia com suas discussões calvinistas, arminianas, e semelhantes, que de tão desconectadas da Revelação simples do pescador e seus amigos e também dos estudos modernos da Física Quântica, padecem hoje da mesma caduquice que o farisaísmo padecia nos dias de Jesus.

Prefiro o deslumbramento da Revelação que não controlo que o conforto das teses da minha lógica.

2015 Alexandre Robles