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A ENTRADA

 

 

A entrada era estreita. Era o final de uma estrada que gradualmente também estreitava. Começava ampla na sua base, mas à medida que subia, tornava-se um caracol que rasgava a montanha, ladeando um precipício que forçava a multidão a se tornar fila.

 

Todos andavam ritmados, não havia paradas, e o que se comentava era a expectativa da chegada. Alguns se sentiam preparados para o momento, por causa dos objetos que carregavam, como relatórios de realizações pessoais, fotografias de viagens religiosas, livros sagrados, patuás, diplomas e homenagens; enquanto outros seguravam fortemente as mãos uns aos outros, esperando que sua união contasse a seu favor, talvez até porque se sentissem protegidos. Havia aquelas que desfilavam confiança ao se cercarem de gurus e líderes religiosos.

 

De modo geral o sentimento de todos era de confiança, mas não havia como esconder certa dose de ansiedade. Ouvia-se sussurros de rezas e dogmas decorados, o que aumentava a sensação de temor sobre o momento.

 

Quanto mais distantes da entrada, maior era a distração que o momento promovia, muita conversa, um raro momento de plena diversidade cultural, muitos idiomas, muitas cores, muitos traços.

 

Conforme a estrada encolhia em largura, maior ia se tornando a concentração. Era necessária acomodação dos passos, alguns esbarrões, pequenos deslizes, tudo com bastante calma, sem maiores complicações. Exigia que fossem desfeitos os grupos que estavam formando, o que causava certo constrangimento. Alguns iam ficando um pouco pra trás. Lamentos iam surgindo, discretos, por causa do que caía enquanto se ajeitavam na caminhada.

 

E a surpresa maior estava por vir. O que começava a incomodar era a diminuição de espaço, a estrada insistia em afunilar e preocupar os caminhantes. Até que apenas uma pessoa por vez podia prosseguir. Começavam a enxergar uma porta, era o primeiro sinal de que estavam chegando, agora caminhando um a um, tentando segurar o que podiam e a quem conseguiam.

 

No topo, encontravam uma área ampla, quando podiam se agrupar novamente e desfrutar certa tranquilidade que já estava minguando no percurso final da subida. Conseguiam se ajeitar e pôr em ordem o que carregavam nas mãos e os que subiram sussurrando retomaram seus ensaios.

 

De um lado, a escada que os trouxe até o que parecia uma ante-sala e do outro, um portal, com forte feixe de luz, mas estreito, tão estreito que somente era possível atravessar uma pessoa por vez.

 

Mais uma vez precisavam soltar as mãos de familiares e amigos, alguns temiam o fato de não poderem entrar com seus gurus religiosos, pois se agarravam à ideia de uma boa companhia para um momento tão importante.

 

Por maior que fosse o esforço, não havia condições de entrar com qualquer objeto, de tão estreito que era o portal, como estreito tinha se tornado o caminho. Houve frustração, pois quase todo mundo carregava o que podia para apresentar como prova de boas ações e importância histórica. Eram diplomas e títulos, fotos de inaugurações e formaturas, relatórios de trabalho voluntário, cartas de crianças e doentes agradecidos.

 

Estranhamente, apenas os que nada carregavam, não se frustravam. E, surpreendentemente atravessavam a porta de entrada com maior satisfação. Isso gerou indignação em quem passou a vida inteira tentando fazer o que achava justo e bom a fim de ser recompensado neste dia. Não aceitavam o fato de que toda sua história honrada fosse nivelada com a história de pessoas que nada fizeram de nobre, mas que tinham o mesmo direito de entrar.

 

Não havia negociação, pela porta estreita somente entraria quem não se apegasse a nada que carregava. Quem se desfazia de tudo o que passou a vida acumulando como garantia para aquela hora, se sentia leve, livre e seguro para entrar. E ao entrar descobria que nada do que na vida foi realizado com expectativa de recompensa ou de compensação por culpa, tem qualquer valor naquele lugar, apenas o que foi realizado em amor gratuito. Descobriam que a única recompensa de uma vida de amor é a comprovação do que já se sabia, que o destino justificava os meios, saber que um dia iriam habitar aquele lugar era suficiente para viverem a vida como se já estivessem ali, não para conquistar sua entrada.

 

E tudo o que havia sido realizado em amor não era computado pelos métodos humanos e históricos.

 

É o portal das indignações da autojustiça, é a entrada que expõe as reais motivações de todos os homens, é o afunilamento da consciência nua e exposta, sem as máscaras que escondem quem realmente somos.

 

E a história estava apenas começando, muitos sustos de libertação ainda estavam preparados.

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À LUZ

Exponha-se, somente às claras é que as questões da alma podem ser vistas; como quando acendemos a luz para enxergar o ambiente em que estamos. Entretanto, exponha-se com cuidado, não é qualquer pessoa que pode ver sua intimidade, nem todos são confiáveis e sua vida não é novela; isto, claro, considerando que você não quer apenas aparecer. Exponha a si mesmo, jamais aos outros, de nada adianta procurar ajuda para falar de outras pessoas com quem se relaciona. Muitos processos de aconselhamento e terapia não são bem sucedidos justamente porque ao dizer que se procura ajuda, muitas vezes está buscando álibi, testemunha de suas próprias razões, concordância com suas reclamações. Exponha a verdade de si mesmo, não perca tempo, não gaste tempo dos outros; não se preocupe em impressionar seu ouvinte, isso não trata, não cura, apenas alimenta vaidades.

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FALAR É A MELHOR SOLUÇÃO

Setembro traz a primavera e talvez seja mesmo a melhor época do ano para falarmos honestamente sobre o suicídio, que é, em última análise, o fim da esperança. Para a Religião é um tabu. Para as pessoas que buscam a Deus, uma possibilidade. Elias foi um dos mais importantes profetas da Antiguidade e chegando a níveis profundos de desesperança, disse que seria melhor morrer. Jonas, confessou o mesmo. Jó, sentiu tais dores. Davi mencionou em seus Salmos.

Em algum momento da vida será normal querer morrer.

Algumas pessoas, porém, são tão pressionadas por situações, experiências e pela freqüência de tais sentimentos, que decidem dar fim à vida.

O bullying é uma causa, quando alguém é submetida à longos processos de vergonha, humilhação, exposição públicos. Em tempos de internet e redes sociais, uma pessoa pode ser destruída em poucas horas. É necessário prestarmos atenção na prática do vexame e da humilhação e protegermos as pessoas que estão sendo submetidas, especialmente crianças e adolescentes. Não se pode subestimar o poder de tais exposições, que muitas vezes começam com brincadeiras, mas se tornam uma séria causa de suicídio.

A solidão e as neuroses que a solidão produz, que fazem alguém se sentir tão só, tão invisível, tão desnecessário, que parece lógica a decisão de se matar, afinal, se não há ninguém que note, que sente falta, que precise de si, não há razão de viver. É muito comum que uma experiência simples de solidão gere um processo mental neurótico, não necessariamente verdadeiro, de que não há um ser humano sequer no mundo que se importe consigo. Por isso que muitas vezes uma pessoa comete suicídio mesmo tendo vários amigos e família, mesmo rodeado de gente. Pode ser que nossa mente produza este fenômeno mesmo quando não estamos de fato sozinhos. Precisamos prestar atenção a pessoas que costumam evidenciar sua solidão, mesmo quando convivem com outras pessoas. E devemos prestar atenção a pessoas que de fato vivem muito sós, que não convivem com outras pessoas, mas somente através das redes sociais.

Um abuso psicológico, físico, sexual, com privação de liberdade e agressão. Especialmente quando crianças e adolescentes, que se sentem ameaçados caso procurem ajuda e sofrem muito por se sentirem desamparados. Sentem medo de contar, sentem raiva por não terem sido protegidos, sentem vergonha por serem submetidos a tais agressões. Quando não tratado profundamente, esse trauma é causa frequente de suicídios. Precisamos nos aproximar de nossos filhos e de todas as crianças e adolescentes de nosso círculo de relacionamento, buscando evitar tais riscos; atentos para intervir e proteger caso aconteça; amando, acolhendo e tratando quem já foi vítima de tais abusos.

O fracasso, a falência. Muitas pessoas que experimentam uma grave perda na vida, seja profissional, financeira, familiar, se sentem tão frustradas e envergonhas que consideram seriamente a morte como única opção. Precisamos apoiar pessoas que vivem profundas perdas, com encorajamento e atenção, a fim de que recomecem suas vidas.

Sentir vontade de morrer é comum. Considerar realmente que a morte seria a melhor solução para problemas ou uma vida que parecem insolúveis é uma possibilidade a qualquer pessoa. Desenvolver uma ideia fixa de morte, planeja-la, contabiliza-la, enfim, é sinal de que estamos adoecidos e precisamos de ajuda.

Prestar atenção sensível a essas possibilidades e às pessoas que dão tais sinais é necessário, é possível, é divino. Sobretudo, tratar com cuidado todas as pessoas com quem convivemos, com afeto, com atenção, é um chamado de Deus à vida.

Sejamos honestos, atentos, cuidadosos, respeitosos e proativos. Não se sabe quando, mas certamente com o passar dos tempos, tais fenômenos serão cada vez mais frequentes, até chegarem os dias em que “os homens desejarão a morte e não a acharão; desejarão morrer e a morte fugirá deles” (Apocalipse 9.6).

O Amor sempre vence!

©2016 Alexandre Robles

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MUDE AGORA

Às vezes a gente sabe o que está errado, sabe que não deve seguir, mas fica orando esperando que Deus mude as leis da vida para que a gente escape imune às consequência; ou que Ele mude nossos desejos de modo mágico e instantâneo. E, ora buscamos conselhos de pessoas que ou concordem conosco para termos a ousadia de fazer mais uma vez; ora buscamos aqueles que discordam de nós, para nos sentimos culpados, como um autoflagelo, que equilibre nosso prazer proibido.

Quando tudo o que precisamos é de decisão e atitude, sim, uma pequena atitude nos liberta. Por isso em Jesus tudo é simples. Ele não explica muito ao convidar diz “vem”, “deixe e me siga”, “vá”, “levante”, “veja”. Todos os que tomam a atitude de seguir a Voz de Jesus em sua própria consciência e abandonam as relações, os comportamentos, os sistemas que os aprisionam, são libertos.

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NÃO É DOS FORTES

As grandes personagens da história, especialmente bíblica, não eram fortes, mas eram fortalecidos pelo Senhor. Eram pessoas como eu e você, como explica Thiago ao falar sobre Elias, o maior profeta do Antigo Testamento. Elas apenas tinham fé. E não tinham pretensão de se bastarem, muito menos de se mostrarem fortes. Tinham medos, confusões, pecados. Uma das marcas da Bíblia, aliás, é mostrar as fragilidades de seus protagonistas.
Lembro-me de um hino antigo. “Não é dos fortes a vitória, nem dos que correm melhor, mas dos fiéis e sinceros, assim nos diz o Senhor”.
Paz e coragem aos frágeis e honestos!

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FOI NA CRUZ

Foi na crucificação que Deus fez tudo por sua criação, especialmente pelos homens. Nenhum instante histórico é tão carregado de significado eterno quanto aquele. Geralmente, quando quero testar a intensidade e a importância de minhas questões, sejam pessoais, sejam teológicas, faço o exercício de me aproximar de Jesus crucificado e perguntar a Ele o que pensa, se é importante mesmo.

Por exemplo, quando me deparo com tarefas e compromissos que preciso cumprir, mas que não tenho vontade, lembro-me dele orando ao Pai, horas antes de ser preso, que se fosse possível, passasse aquele cálice de morte, no entanto, que fosse feita a vontade do Pai e não a dele.

Ou, quando me sinto traído, rejeitado, não reconhecido, enfim, lembro-me dele sendo abandonado e traído por seus amigos.

Quando me lembro de que Ele ficou mudo diante de acusações falsas, eu me envergonho por toda reação impulsiva e agressiva para impor minha razão, brigar por meus direitos e defender minha fama.

E sou desafiado a aprofundar meus relacionamentos quando lembro de Sua oração, pedindo que o Pai perdoe seus maltratores, porque não sabem o que fazem.

Lembro-me de ouvir minha avó cantarolar um hino, enquanto pregava as roupas no varal, “foi na cruz, foi na cruz, onde um dia eu vi, meus pecados, castigados em Jesus, foi ali, pela fé, que meus olhos abri e agora me alegro em sua Luz”.

É ali que meus olhos são abertos e eu enxergo a vida, a importância de cada coisa na vida.

Meus sonhos e desejos pessoais diminuem. Minhas demandas carentes se acomodam. Meus direitos aviltados se aliviam. Minhas importâncias teológicas e filosóficas desaparecem. Sobra minha alma frágil, ajoelhada, adorando e reconhecendo o Amor que não compreendo, mas que me esforço por experimentar em fé, até o dia em que estarei no Colo Eterno do Pai.

©2016 Alexandre Robles

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UTOPIA

Nós não somos apenas a civilização que está distante da Utopia de Humanidade, sobretudo, somos a geração que perdeu a Utopia, não sabemos para onde seguir. Faz-se necessário que os poetas, os profetas, os pastores, os mentores, os sábios e os loucos nos relembrem a Utopia. Da Justiça, da Igualdade, da Fraternidade; de que Homem não violenta, não bate, não agride as mulheres, mas protegem; de que a Família é a base de qualquer sociedade e que uma criança precisa sim ser criada por pai e mãe; de que Casamento é uma aliança inquebrável, sendo o Divórcio uma grave amputação na existência; de que um Servidor Público, seja político, seja funcionário, está à serviço do povo, como um sacerdote social; de que todos somos iguais diante de Deus e da Lei, não importa o gênero, a cor, o credo, a etnia, a religião; de que a Guerra já começa como fracasso, não importando quem a vença, todos perdem; de que a Escravidão é o maior crime que se comete contra uma pessoa, com todos os seus derivados de cárcere privado, tráfico de pessoas, trabalho forçado, condições insalubres de produção; de que Roubar é crime e por isso pai e mãe ensinam desde cedo uma criança a não pegar o lápis do colega na escola e exigem que ele se desculpe diante de todos na sala caso o faça; de que a Professora é a pessoa mais importante na formação das crianças e deve ser respeitada como Autoridade Absoluta fora de casa; de que o Planeta é nossa casa, nós somos sua extensão e portanto precisamos preserva-lo e não consumi-lo; de que os Idosos devem ser respeitados e protegidos.

Sem Utopia nós não caminhamos. “E para o que serve a Utopia? Para isso, para que continuemos caminhando”
Eduardo Galeano

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TABU E TARA
Não falar sobre sexo, tratar como sujo, proibido, é tabu. Expor o sexo pela pura exposição, ainda que se chame de expressão, atitude política, ou qualquer outra falácia, é tara. Dois lados da mesma moeda adoecera, seja a Religião ou a Indústria Pornográfica. Uma sociedade doente apenas gerará e se alimentará de uma cultura doente e irá adoecer as pessoas.

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QUE BOM QUE HÁ FOTOGRAFIAS

Quando crescem, sei que crescem porque já não olham do mesmo jeito, com aquele olhar que admira sem razão, apenas porque a gente é. Sei que crescem quando os beijos são raros; e em publico, proibidos. Filhos crescem e precisam reforçar que não são nosso, mas de si mesmos. Ainda bem que temos as fotografias e as imagens tatuadas na alma, como prova de que podem crescer o quanto for e serem para si mesmos o mais distante que quiserem, ainda são nossos de alguma maneira, nas lembranças que confessam, na verdade, que nós é que somos deles, até o fim.

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MEMÓRIA VIRTUAL

As redes sociais criaram um fenômeno perigoso, elas mantêm todas as informações que um dia postamos ou que postaram de nós, para sempre talvez, sabe-se la até quando. O Feicibuqui, por exemplo, agora traz à memória das timelines tudo o que já aconteceu. Bom isso? Nem sempre!

Enquanto até Deus se esforça para esquecer nosso passado, como descrevem Miquéias (7.18,19) e Isaías (43.25), lançando nossos pecados ao “mar o esquecimento”, as redes sociais se ocupam de não permitir que esqueçamos nada.

Há pessoas protestando judicialmente pelo direito a terem seu “passado virtual” esquecido.

De minha parte tento deixar o passado no lugar dele, como um baú que abro de vez em quando para ver fotografias antigas, depois fecho novamente, porque é para frente que se vive.

©2016 Alexandre Robles

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ANTES DE DESISTIR

Pense em uma realidade que lhe cansa, pode ser trabalho, casamento, filhos, igreja. É preciso coragem para identificar algo que está sugando nossa energia, mas que publicamente seríamos julgados se admitíssemos. Depois, converse com pessoas, assista e leia histórias de quem sente falta justamente daquilo que você identificou. Avalie se as pessoas que perdem ou abrem mão de tais realidades estão felizes e seguras ou se arrependem. Então, considere, pode ser que aquilo do que você quer abrir mão seja o que mais faz falta à maioria das pessoas.

Cansaço a gente resolve com descanso e alteração de rotina, não necessariamente desistindo. Muitas vezes estamos apenas iludidos com uma possibilidade de vida que não canse, mas isso não existe.

Que Deus nos dê sabedoria.

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PODER E PERMISSÃO, AUTORIDADE E AUTORIZAÇÃO

“Toda Autoridade me foi dada, portando, vão e façam discípulos”, disse Jesus. Ele tem Autoridade, tem Poder. E nos deu autorização para servir em Seu Nome. Nós não temos Autoridade e Poder; tais pertencem somente a Ele. O que temos é autorização, permissão. Eu e você fomos autorizados para servir a humanidade em nome de Jesus.
Todo exercício de poder em qualquer ambiente só se justifica no Serviço. Não há poder hierárquico no Evangelho de Jesus, portanto não há na igreja.
Liderança é serviço. O líder é escravo de Deus a serviço dos homens.
Se entendermos isso a maior parte dos problemas de liderança que envolvem vaidade, poder, benefícios, estarão resolvidos.

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MÃOS À OBRA

Há inúmeras questões graves no mundo inteiro. Destas, há três que estão em níveis mais baixos de desumanidade; que expõe suas vítimas à condições de maior fragilidade e exigem que haja resgate externo; e ainda que ocorrem em nível Global. Uma é a Cultura de Violência sexual contra mulheres e crianças; outra é a escravidão e o trabalho análogo à escravidão; e a terceira é a migração de refugiados pela fome e pela guerra.

Essa é uma pauta urgente! Missionários e empreendedores sociais, eis nossa tarefa!

©2016 Alexandre Robles

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A ERA DE JACÓ

A geração dos meus pais não podia se manifestar ou protestar sob risco de ser punida pela Ditadura Militar. A minha geração viveu o início da abertura política e a liberdade para se manifestar, mas foi a Geração Coca-cola, rebelde sem causa, que por falta de ideais, sucumbiu ao consumismo e à produção de nulidades culturais. Esta geração está aprendendo a ocupar as ruas e a protestar nas escolas e nas redes sociais. Hoje, quando um político assume uma posição de destaque, nós nos manifestamos com tamanho volume que ele não resiste em suas posições, argumentos, decisões e votos. Essa garotada de hoje está aprendendo a força que seus posicionamentos têm. Não sei se viveremos novamente dias de censura em breve, mas o que sei é que meus filhos viverão dias mais nobres que os meus.

O paralelo é o da época dos patriarcas bíblicos. Abraão foi um homem notável, desafiado a transformar seus dias, sair de seu conforto, mudar limites estabelecidos. Uma história rica. Seu filho Isaque não tinha causas próprias, não assumiu desafios, casou com a mulher que o papai arranjou pra ele, viveu à sombra da história do pai. Seu filho Jacó foi um lutador, brigou com Deus, ocupou seu espaço à força, tomou o lugar do irmão, casou com quem quis, foi à luta por uma nova história.
Vivemos a era de Jacó e eu estava esperando que estes dias chegassem, porque sendo da era de Isaque, sempre carreguei uma nostalgia dos tempos de Abraão.

Eu acredito é na rapaziada.

©2016 Alexandre Robles

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Tudo o que vale a pena, dá trabalho

Paulo reclamava que sua geração era infantilizada, que deveria poder comer comida sólida, mas ainda se servia de leite espiritual, como se estivesse na infância existencial.
Nossa geração é assim. Desde que nos disseram que adultos não precisam sofrer, ter trabalho, de que podem parar de cozinhar, lavar e limpar e têm direito a ter todo prazer e não ter nenhum desconforto, desde que acreditamos que a vida pode ser uma grande brincadeira, infantilizamos nossas emoções, nossas relações e o mundo que nos cerca.

Tudo o que vale a pena, dá trabalho.

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PROVISÃO

Uma das experiências mais marcantes para o Povo de Israel no Deserto, que influenciou a Oração de Jesus, foi a do Maná. O Maná era uma espécie de orvalho que brotava diariamente à entrada das tendas; cada família deveria recolher o suficiente para o dia, não devendo recolher com sobra, crendo que no dia seguinte haveria o pão-orvalho milagroso. Eram dias de escassez, de Deserto.

Nessa época de escassez, de privação, de restrição de recursos, o que se experimenta é a provisão. Provisão é receber a porção suficiente para o dia, todo dia. Não sobrando, não faltando. A medida exata que nos possibilita viver o dia.

Muitas pessoas em nosso país estão vivendo dias de escassez de trabalho, de ganho, de pão. Estamos em dias em que a maioria vai ter pra conta, pro dia.

É tempo de aprender o que é provisão. Nesses dias, descubra que o Pão de cada dia é suficiente, sacrifique o supérfluo. Confie que Deus sabe suprir o que precisamos, mas Ele faz isso mandando a provisão de cada dia, no dia. E compartilhe do que recolher com aqueles que estiverem ao seu lado. Há que ter muita fé para continuar compartilhando seus recursos em tempos de crise.

“E o meu Deus, segundo suas riquezas, suprirá todas as suas necessidades.”
Filipenses 4.19

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SOLIDÃO ÍNTIMA

Jesus pediu que seus amigos fossem com Ele orar, no Getsêmani, mas retirou-se um pouco mais a fim de orar sozinho. Há um ambiente de oração que exige solitude. Só se fazem presentes Deus e quem ora. As pessoas vão conosco até um certo ponto, depois vamos sós; sabem do que sentimos, podem compreender o que vivemos, apenas até um limite, depois, apenas Deus consegue observar, compreender, participar. Isso porque fazem parte de nossas confusões não alcançadas pelas tentativas de explicação; ou por serem nossas feiuras e vergonhas, que nem aos mais íntimos queremos mostrar; sobretudo, por serem as fraquezas e debilidades que acreditamos não serem suportadas por ninguém.

E é deste ambiente de profunda solidão consciente e sensível que surgem nossas expressões mais honestas. Os artistas visitam este ambiente com freqüência. Os profetas saem dali carregados de urgências. Os poetas o interpretam. Cada pessoa ali está diante de Deus, mesmo que não reconheça que com Ele esteve.

©2016 Alexandre Robles

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PONTES E TÚNEIS

Quando construímos muros, separamos, segregamos, delimitamos, definimos quem não é bem-vindo. Caim murou a cidade que construiu para se proteger dos perigos, depois de ter matado o próprio irmão a quem deveria ter protegido. Havia um muro de inimizade entre nós e Deus, que foi destruído por Cristo.
 
Hoje, em Brasília há um muro que apenas expressa o muro da discussão política rasa que foi construído em nossas casas, igrejas, escritórios.
 
Necessário construir pontes e túneis, numa sociedade murada.
 
©2016 Alexandre Robles
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O QUE SOBRA QUANDO A PÁSCOA ACABA

Depois que Jesus ressuscitou e apareceu aos discípulos novamente, foi elevado aos céus, de onde não será mais visto fisicamente até que volte, no fim dos Tempos. Quando não era mais visto, os discípulos permaneceram olhando para os céus, talvez na esperança de que Ele aparecesse logo em seguida, ou de mesmo de lá mandasse sinais claros e físicos, ou porque não sabiam exatamente o que fazer após todos aqueles eventos extraordinários. É assim, depois dos dias mais significativos e importantes à Fé Cristã, como a Crucificação e a Ressurreição, e mesmo para nós que não testemunhamos fisicamente, mas que crendo, celebramos seus símbolos e significados, o que fica depois dos eventos de êxtase espiritual é a vida que segue em frente, no dia a dia, todo dia, do jeito que ela vier, com cada mal no dia certo.

Precisamos desenvolver habilidades para lidar com este paradoxo entre a Fé que Celebra a Ressurreição num “Domingo”, e a rotina difícil da “Segunda-Feira”. Depois de participarmos de celebrações artísticas, musicais, cheias de inspiração, vamos entrar no transporte público, atender pessoas no balcão, “correr” atrás das metas para pagar as contas.

Vamos em frente, não adianta ficar olhando para o céu porque Jesus prometeu que estaria conosco todos os dias, enquanto seguimos em frente em nosso dia a dia.

©2016 Alexandre Robles

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DEUS NÃO NOS AMA DO JEITO QUE SOMOS

Deus nos ama, não como somos, mas apesar de quem somos. Se nos amássemos como somos, incondicionalmente, não haveria conflito existencial algum, nós não lutaríamos contra nossa consciência que insiste em afirmar que algo está errado em nós, em nosso olhar. E Ele não teria morrido na Cruz por nós. Por que Deus iria entregar seu próprio Filho para morrer pelos nossos pecados, se Ele simplesmente aceitasse-nos como nós somos?
 
Deus quer quer eu seja outra pessoa. O Amor é assim. Não nos ama do modo que somos, mas quer que sejamos outra pessoa. A diferença entre nossos amores e o de Deus não é que Ele aceita quem ama como é, mas que é Perfeito no amor e perfeita é a pessoa que Ele quer que sejamos.
 
Eu não espero que as pessoas me amem como eu sou, nem eu me amo assim. Eu espero encontrar na vida pessoas que demorem a desistir de me amar e espero encontrar pessoas que queiram que eu seja alguém melhor que eu mesmo, mas não acredito que serei amado por alguém que não espere de mim alguma mudança, que não espere que eu seja outra pessoa, durante toda a nossa convivência.
 
Nós vivemos a ilusão de que amar é aceitar a pessoa como ela é. Isso não existe. Nem Deus ama assim. Na Cruz aprendemos que o Deus que quer nos mudar pagou perfeitamente o preço dessa transformação. Na Cruz eu aprendo que a pessoa que eu sou custa muito caro para o amor de Deus por mim.
 
A salvação é de Graça, para mim; mas custou muito caro, para Deus. Disso vem minha eterna, reverente, limitada e desconhecida Gratidão!
 
E na Ressurreição eu experimento o milagre do amor que pode fazer renascer tudo o que em mim morre.
 
©2016 Alexandre Robles
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A CURA NA DOENÇA

Qualquer adoecimento, seja físico, emocional ou uma combinação, é, antes de tudo e em algum nível, incapacitante. Adoecer é perder algumas capacidades que a saúde pressupõe, seja de mobilidade, seja de percepção sensorial, seja de convivência social. Por isso que antes, leva-nos a uma observação moral, o doente não pode realizar o que o saudável pode. Desta observação inconsciente, extraímos avaliações carregadas de juízo e amplificamos o sofrimento. A primeira consequência natural é a frustração. O adoecimento nos rouba a possibilidade de realizarmos o que idealizamos. Quem adoece e, especialmente quem convive com o adoecido sofre esse processo de frustração. Ninguém faz planos para o adoecimento.
 
Nisso, o adoecimento nos cura de nossas fantasias e projeções de perfeição. O mundo não é perfeito, a vida não é, nada será. Ninguém realizará seus sonhos integralmente, é certo que a vida dará conta de mudar nossos planos muitas vezes. O adoecimento é o amigo que nos convida à realidade e nos liberta da cegueira da fantasia.
 
O limite incapacitante que o adoecimento nos impõe é útil para nos lembrar dos limites da própria vida. Pessoas que precisam retirar de sua alimentação certos ingredientes ou medidas sem controle de tais ingredientes, nada mais vivem senão uma necessidade que todas pessoas têm. O limite que exige uma certa dependência de auxílio para locomoção nada mais é do que a declaração de que todos os seres humanos precisam de auxílio para se locomover, em tudo na vida. A noção de independência que nossa percepção preconceituosa de saúde nos oferece é que é a doença da fantasia, todos dependemos de todos o tempo todo para nos locomover na vida, em todos os aspectos, sejam físicos, principalmente sejam emocionais.
 
Os adoecimentos físicos, aliás, têm uma capacidade imensa de nos levar a considerar nossas realidades emocionais e espirituais. Deles, Jesus de Nazaré se utilizou como metáfora o tempo todo.
 
Pessoas que digam que por causa de seu adoecimento não podem trabalhar o tanto que trabalhavam antes, que precisam dormir certo número de horas pois senão não vão conseguir se sentir bem no dia seguinte, que não podem comer em excesso, que sequer podem fazer planos muito precisos, pois não podem garantir como estarão no momento determinado, enfim, tais pessoas estão apenas relatando o que é verdade para todo mundo e que deveria ser uma consciência coletiva de que todos temos limites.
 
O adoecimento nos convida a assumirmos nossos limites.
 
No adoecimento não há vaidade. A beleza se vai, os ambientes terapêuticos e de tratamento não são convidativos, etc. E por mais que alguém faça de seus limites incapacitantes uma tentativa de promoção de sua capacidade de superação, ainda assim causará nas outras pessoas apenas a sensação de admiração momentânea, mas jamais será objeto de “desejo”, pois ninguém desejará ter limite de mobilidade, a fim de aprender o que é superar a si mesmo. Todos nós continuaremos sendo atraídos pelo projeto saúde e beleza.
 
A vaidade é a mais tola manifestação humana que alimenta a mais nociva expressão, a Inveja. O adoecimento tem o poder de isolar os dois.
 
O adoecimento coloca tudo no lugar certo. Quando adoecidos nós aprendemos a dar importância ao que realmente tem importância. Pessoas, quando conscientes de que estão próximas da morte, se agarram com firmeza ao essencial que geralmente tem a ver com a companhia de amados, perdão que precisa ser pedido e oferecido, pequenas alegrias, sabores, lembranças dos simples momentos, um cobertor e um bom ouvido. Muitas pessoas quando sobrevivem a episódios trágicos, começam a viver de verdade.
 
O adoecimento abre nossos olhos para o que é importante na vida.
 
Antes de se obter restabelecimento, adaptação, sobrevida, a cura essencial que o adoecimento nos oferece é a do olhar; quando nos deparamos e aceitamos em paz os limites da existência.
©2016 Alexandre Robles
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VAMOS À LUTA!

Os líderes que me inspiram à luta pelo bem, que não se silenciaram diante do mal e quando realizaram manifestações, estavam dispostos a apanhar e morrer, nunca a bater e matar. Homens como Ghandi, Luther King e Jesus de Nazaré. Coragem é isso!
 
Os líderes que me inspiram a mudar o mundo, eram pacifistas e agiam diretamente para aliviar o sofrimento dos abandonados e explorados, seus atos eram o melhor discurso e não se corrompiam com o sistema político, usando como desculpa a luta pelos pobres. Pessoas como Madre Teresa, Ghandi, Mandela. Engajamento é isso!
 
Os líderes que me inspiram a lutar com integridade, não aceitavam o sistema mau, a começar em si mesmos; sabiam que eles deveriam “ser a mudança que queriam ver no mundo” e ao protestarem contra a corrupção, antes de limpar a sala dos poderosos, conclamavam à limpeza de suas próprias casas. Homens como Ghandi, que convocou os indianos ao embargo de consumo dos produtos ingleses, já que queriam se tornar independentes da Inglaterra. Limpeza social, começa em casa!
 
Sigo guiado não por rumores circunstanciais de uma política medíocre e caótica dos nossos dias, mas pela nuvem de testemunha de grandes exemplos que marcaram a história e, sobretudo, pelas pegadas de Jesus de Nazaré, meu Senhor e meu Mestre.
 
©2016 Alexandre Robles
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É HORA DE IR PRO CONFLITO OU DE SER DISCRETO?

Em João 6, lemos que os irmãos de Jesus, por não acreditarem em que Ele dizia ser, à época, o incitavam a que fosse às Festas Oficiais dos Judeus e se apresentasse em público. Diziam eles que se Jesus queria que as pessoas soubessem quem Ele dizia ser, deveria se mostrar para um grande número de pessoas.

Eles sabiam, Jesus sabia, qualquer pessoa já sabia que a liderança judaica ali estaria em peso e que já nutria suspeitas e desafeto por Ele, esperando oportunidade de desacredita-lo diante do povo e incrimina-lo perante os romanos. Estariam também ali os líderes políticos de movimentos revolucionários armados, que ao menor sinal da presença de Jesus tentariam aproveita-la para confrontar os judeus. E, em dias de festas como aquelas, os governantes Romanos utilizavam Jerusalém como uma espécie de Cidade de Campo, onde descansavam e tiravam “férias”. Se Jesus fosse abertamente às festas iria causar conflito, com possível incitação popular e de repente, sem que soubessem porquê ou para quê, uma multidão poderia ser envolvida numa briga generalizada. 

Se Jesus quisesse apenas ser um líder político, este seria o cenário ideal para avaliar seu eleitorado e demonstrar a força de sua militância.

Mas não era esse o caso, não é nesse palco que Ele atuava, por isso, decidiu ir à festa discretamente, sem que nem mesmo os próprios irmãos atiçadores soubessem. Somente depois de momento apropriado, em lugar adequado, passou a ensinar o Evangelho do Reino de Deus, sem se ocupar com a militância hostil dos reinos partidários humanos.

Hoje, dia 18 de março de 2016, possivelmente teremos dois grupos diferentes se manifestando numa mesma avenida paulista. E dizem que haverá presença de personagens centrais nos conflitos políticos atuais. Temo pelo que pode acontecer. Inicio minha manhã com um olhar cuidadoso nos dias de hoje e com o coração inclinado aos passos de Jesus de Nazaré, meu Senhor e Mestre.

©2016 Alexandre Robles

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ESPADAS OU ARADOS

Se você quer ter uma noção de como se compunha o grupo de discípulos de Jesus, imagine que havia gente revolucionária, que desejava pegar em armas para destituir Roma e que se aproximou de Jesus justamente por crer que Ele seria uma espécie de Messias Político. Havia também gente de extrema direita conservadora, que se servia do Poder que oprimia o povo com impostos absurdos, valores estes que eram cobrados pessoalmente por tais pessoas. Havia ainda gente apenas ocupada de sobreviver, enriquecer com seu comércio e desfrutar do conforto do consumo. Facilmente, à mesa, olhariam estranho um para o outro; haveria xingamentos semelhantes aos “coxinha” e “petralhas”; e cada um tentaria capitalizar sua relação com Jesus a fim de promover sua ideia política e social. Enquanto isso, alguns considerados alienados, apenas ocupados de seus interesses pessoais.

Jesus desarmava os ânimos e os convidava a uma tarefa maior, a de tornarem-se pescadores de pessoas; andarilhos servindo multidões com seus próprios pães; de apagarem tochas que antes desejariam utilizar para queimar inimigos; e de guardar espadas ao invés de cortar orelhas de soldados.

Tenho orado para que depois deste reboliço político, os amigos que têm se posicionado de modo tão apaixonado e antagônico, sejam novamente atraídos à mesa do Mestre, que tira de nossas mãos as espadas, que agridem a todos a começar de nós, e nos instrumentaliza com arados, para que nosso trabalho produza frutos de justiça.

©2016 Alexandre Robles

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QUE BEIJO É ESSE?

O Salmo 2 foi escrito, provavelmente, para a coroação de Davi como Rei. Nele há uma referência a “beijar o filho”. Filho era expressão usada para os Imperadores e Reis da Antiguidade, chamados de “Filhos de Deus”. Deste modo, o salmo 2 é considerado um texto profético, que faz referência a Jesus, o Filho de Deus a quem devemos beijar. O beijo, no contexto, é uma atitude de reverência.

Com um beijo Judas traiu a Jesus e foi por ele questionado: “com um beijo você está traindo o Filho de Deus?”. 

Se Judas se lembrou do Salmo, entendeu o que Jesus dizia.

Mais do que o beijo em si, o que vale é a intenção com que é dado.

Nem todo beijo é de amor. Nem toda carícia é carinhosa. Nem todo silêncio é concordância. Nem toda bronca ou palmada são agressivas. Nem todo distanciamento é rejeição.

Nada é em si mesmo, senão aquilo que deseja-se transmitir.

Por isso que não a forma, mas a essência é o que realmente importa.

Porque nem toda oração é verdadeira, nem toda canção é louvor, nem todo culto é adoração, nem todo conhecimento é experiência.

A questão é o que quer com o beijo que se dá!

©2016 Alexandre Robles

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JESUS NÃO TEM LADO

Em Jesus, eu aprendi que em nome dos pobres, não se pode ser ladrão, como Ele advertiu Judas. Aprendi também que Ele, e quem o segue, não tem lado político, nem de César, nem dos revolucionários zelotes. E aprendi que a verdadeira revolução na sociedade é promovida por quem dá de comer a quem tem fome e se preciso for morre e não mata; vai preso e não luta para se manter no poder.

O que não entendo é como alguns líderes religiosos desta Nação estão erguendo bandeiras partidário-ideológicas e defendendo publicamente a tese de que a luta justifica a corrupção, ou de que há uma oposição que é paladino-messiânica de um futuro sem a corrupção, como se nunca na história deste país tivesse havido.

De minha parte, não tenho lado, bandeiras, torcida. Apenas sigo tentando perceber as pegadas de Jesus, de Nazaré.

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MARKETING DA FELICIDADE

Nós somos filhos da geração do marketing da felicidade, cujo o tema é faça de tudo e seja o máximo feliz que puder, utilizando seu tempo, conhecimento e recursos para isso. Os Templos Evangélicos também são guiados por isso e pela mobilização das pessoas para os projetos imperialistas de seus líderes, que seja guiando uma multidão ou apenas meia dúzia em algum canto da cidade, acreditam ser uma espécie de messias do movimento que irá ensinar todas as pessoas do mundo a conquistar tudo o que querem, usando as ferramentas religiosas adequadas.
 
Poucos os que ensinam e ajudam a refletir sobre a vida. A maioria mobiliza as pessoas para servirem de mão de obra de seu projeto institucional de crescimento.
 
Mas as pessoas são apenas pessoas, não peças da engrenagem ministerial de alguém. Ainda precisam voltar pra casa e cumprir tarefas cotidianas, ainda precisam cuidar de seus doentes, ainda passarão a maior parte de seu tempo lidando com necessidades urgências de sobrevivência e convivência.
 
Pena que entram e saem de templos lotados onde ouvem sobre vidas vitoriosas que não existem e retornam para suas vidas, mais confusas e mais culpadas, por não experimentar aquela vida declarada e oferecida no último de culto de domingo em que participaram.
 
Louca não é a pessoa que luta para viver como dá, num mundo caído e sofrido, mas aquela que promete que este mundo não existe e que é possível mudar toda uma vida a partir das catarses religiosas vividas no culto e com a confissão positiva e mentirosa de quem passa a crer que estará imune aos sofrimento somente porque faz parte da campanha de conquistas do último mês.
 
Em Jesus eu sou chamado a caminhar em verdade, não em marketing.
 
©2016 Alexandre Robles
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O LIMITE DA BUSCA

O que buscamos que torna alguns de nós insatisfeitos crônicos, à procura de algo que jamais se encontra, quando tal busca é capaz de destruir todos os mundos simples e possíveis construídos ao redor? Sim, alguns de nós somos tomados por uma angústia da busca, como se a busca em si tivesse se tornado nosso encantamento e sempre que chegamos a um espaço bom e satisfatório, na avaliação de todos ao nosso redor, nós simplesmente abandonamos tudo e seguimos procurando, procurando, procurando… Até que a alma cansa, a gente olha pro lado e percebe o estrago causado na vida de tanta gente que sinceramente ama, mas não entende porque o amor por tais pessoas, a vida simples e rotineira, o bem comum, enfim, não são capazes de apaziguar essa angústia pela busca de algo que não sabemos identificar!

Deixamos família, filhos, acreditando na necessidade de realização pessoal, profissional. Deixamos morrer o casamento porque buscamos relações que sejam leves, distraídas, agitadas.

E esse tal de contentamento que o Apóstolo Paulo descreve nos parece tão distante! Sofremos e desejamos “aprender a estar contente em toda e qualquer situação (Filipenses 4)”, porque a dor de ferir pessoas é tão lacerante quanto a dor da própria busca.

Mas há alguns de nós que não conseguem deixar de buscar, até o fim de suas vidas insatisfeitas.

©2016 Alexandre Robles

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A MEDIDA DO CHORO

Que droga existencial é esta que há em nossa consciência e que nos faz sentir culpa por pequenas alegrias e angústia depressiva em sofrimentos que são parte da vida? Sim, é uma espécie de droga, porque vicia-nos a pensar e a agir como se não houvesse outro meio de existir. Ela nos rouba a integridade das emoções, pois poderíamos ser mais felizes e gratos com as pequenas alegrias, aceita-las sem automaticamente nos cobrarmos por todas as faltas com que ainda convivemos; e poderíamos assimilar com mais serenidade as inadequações e os sofrimentos inevitáveis, procurar o abrigo das amizades sinceras e confiáveis, sem nos desesperar em angústias e fobias.
 
Daí, o convite bíblico, aparentemente obvio, ser tão elementar: “chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram”. É só isso que se pede da vida, reagir coerentemente ao que acontece. Quando alegre, sorrir; quando triste, chorar.
 
É por essas, e outras, que Jesus nos ensinou que o Evangelho opera conversão e transformação essencialmente dentro de nós, não fora. O bem do Evangelho não são objetos e circunstâncias, mas um coração protegido e fortalecido pela Verdade, de onde brotam todas as fontes da existência.
 
©2016 Alexandre Robles
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EU CREIO, MAS DESCREIO.

Se isso serve para ajudar, confirmo que creio que Deus nos sustenta e que provê o pão de cada dia, sou prova disso; mas, confesso, todo dia preciso lembrar meu coração de que pode confiar, porque o medo é persistente.

Se isso serve para ajudar, confirmo que é muito bom ter uma vocação e viver por algo maior, desde cedo me descobri um pastor e vivo assim desde sempre; mas, confesso, sempre tem dias em que me pergunto se estou fazendo o que devo fazer, se deveria fazer algo diferente, se sou mesmo o que gostaria.

Não há confianças, alegrias, sentidos eternos, senão aqueles que acordam e dormem a cada dia e precisam ser alimentados, todo dia.

©2016 Alexandre Robles

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O PRA SEMPRE, SEMPRE ACABA

Nós temos mentes mágicas. Há em nós uma busca instintiva por uma experiência finalizadora. O “felizes para sempre” e o “nunca mais” são artifícios mentais que alimentamos com nossa ilusão de definitivos.
 
Daí vêm as frustrações quando o período da paixão acaba e nós, que estávamos tomados por uma convicção de que seria eterno, somos dilacerados pela mudança inesperada de sentimentos. E até pior, vêm também as desistências depois de decisões mudança, quando pensávamos que o ato de decidir havia transformado completamente a realidade.
 
Apenas os rotineiros conseguem permanecer e alterar significativamente suas próprias vidas. Quem acredita na rotina, está alinhado ao funcionamento do Universo, onde não há espaço para magias, mas há que se preparar a terra, lançar a semente, regar o solo, aguardar o broto, acomodar o caule, para então colher os frutos.
 
O que há na vida é o “cada dia”. Hoje eu preciso tomar as mesmas decisões, novamente; hoje eu preciso alimentar bons sentimentos por quem e pelo que um dia me apaixonei; hoje eu preciso cumprir sadia rotina que um dia será responsável pela vida que irei colher. E ali, no fim, talvez eu chame de “pra sempre” aquilo que a “cada dia” eu repeti com sinceridade e dedicação.
 
©2016 Alexandre Robles
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COMPAIXÃO

O que nos impede de nos tornarmos psicopatas é a capacidade de ter compaixão, porque é ela que nos faz sentir o que outros sentem e esta solidariedade com a dor do outro é o que nos limita em nossa maldade. Por ela também somos motivados a nos tornarmos altruístas e agirmos na direção da defesa de alguém, da doação de algo, da manifestação de sentimentos.
 
Nossa compaixão é seletiva. Sentimos por proximidade. Quando observamos diretamente, nos compadecemos; ou quando uma situação que eventualmente ocorra a milhares de quilômetros de distância, encontra similaridade em nós.
 
É também o que nos liga às outras pessoas. Sem ela, nos concentramos apenas em nós mesmos e nos fechamos obcecados em satisfazer apenas nossa necessidade. A falta de compaixão nos adoece à medida que nos faz pensar que somente nós sofremos, que somente nós existimos e que somente importa o que precisamos.
 
Ela pode ser estimulada através de um exercício de prestar atenção de modo consciente ao mundo que nos rodeia e tentar entender como se sentem as outras pessoas que nos cercam. A observação, seguida da ação simples na tentativa de ajudar alguém, cria o bom hábito de estímulo da compaixão, que nos salva de nosso egoísmo.
 
Agora, imagina o quanto nossa sociedade foi construída para desestimular a compaixão. Primeiro definiu que cada ser humano, individualmente deve lutar com sua próprias forças a fim de ser feliz. Somos apenas escravos do Mercado que se tornando nosso deus, sacralizou o consumo como a experiência religiosa universal e fez com que cada um de nós acreditasse em seu dogma da meritocracia, a fim de estimular a competição e abafar qualquer resquício de consciência culpada por ver a desgraça alheia, afinal, todo mundo tem a mesma oportunidade e quem se esforça bastante merece desfrutar de tudo o que há de melhor, afirma o código canônico do Senhor de nossa era, o Dinheiro.
 
A mesma sociedade que há pouco tempo experimentou a Revolução Industrial, que tornou cada ser humano numa peça da engrenagem da produção em escala; e há menos tempo experimenta a Revolução Tecnológica, que gerou o aumento exponencial de atrativos e distrações a fim de manter cada um de nós ocupado o suficiente com nossas próprias vidas limitadas, impossibilitando-nos de prestar atenção na vida que acontece ao nosso redor. Que, por fim, criou uma geração de haters, num ambiente hostil de ódio e estímulo à ofensa, ao abuso, à agressão. Estamos nos tornando historicamente semelhantes aos mais obscuros momentos em que a escravidão, o abuso sexual, a corrupção e toda sorte de maldade se institucionaliza, enquanto estamos suficientemente ocupados com as distrações de nossos gadgets mais sofisticados.
 
Houve um dia em que Jesus havia acabado de receber a notícia de que seu primo tinha sido assassinado, por motivos banais. Foi tomado de tristeza, própria de gente que ainda sente algo num mundo de insensíveis. Depois de um tempo de quietude, ele viu uma grande multidão que parecia estar perdida, sem rumo, com fome e dor. E mesmo com sua própria dor, teve compaixão dela e passou a cuidar de todos.
 
Jesus Viu, Sentiu e Agiu. Eis o exercício de nutrição da compaixão. Ela, que há de nos salvar quando chegarem os dias preditos por Jesus, em que o amor de muitos esfriará. Que bom que não de todos! Espero que não o nosso.
 
©2016 Alexandre Robles
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ONDE FOI QUE DEIXAMOS CAIR?

Em algum lugar, a gente perdeu algumas noções. A de que as redes sociais são um ambiente público, em que muitas pessoas veem e leem o que publicamos, portanto ela se parece mais com a rua do que com a sala de casa. A gente ainda precisa falar em público apenas o necessário e reservar aos de casa a intimidade. Perdemos também a noção do constrangimento e da dor, pois pensamos que podemos comentar da forma mais agressiva e hostil, sobre qualquer pessoa, sem nos importarmos de que se trata de um ser humano, que se ofende e sofre, que sente. Lá atrás, também, ficou a segurança de uma autoestima mais apoiada no que pensamos a cerca de nós mesmos ao invés de nos incomodarmos tanto com o que as pessoas pensam de nós. Nos viciamos nas curtidas e nos comentários e medimos quem somos através disso. Perdemos também os limites de lealdade e traição. A linha se tornou tão tênue que algumas pessoas mantêm conversas íntimas e pornográficas pelo WhatsApp e acreditam que não estão traindo seus cônjuges somente porque não estão consumando fisicamente o ato. E ainda, jogamos fora o crivo, quando deixamos de analisar informações com rigor cuidadoso e passamos a compartilhar boatos e fofocas. É tão mais fácil compartilhar que pesquisar!
 
Perdemos tanto pelo caminho, que, confesso, quero saber quando é que na nossa balança, ganharemos mais do que perdemos com a mudança irrevogável de vida que a Internet nos proporcionou.
 
©2016 Alexandre Robles
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SANTO DE CASA

Um dilema presente em todas as relações íntimas de um cuidador é a sensação da rejeição de sua oferta, especialmente dos mais próximos. Pastores que não sentem que seus familiares mais próximos lhes dão ouvidos; terapeutas que não têm acesso mínimo à alma de seus mais íntimos; professores que não conseguem inspirar aos estudos seus próprios filhos. Muitas vezes é assim! Foi assim com Jesus também. No desenvolvimento dos Evangelhos podemos observar este fenômeno presente. Ainda menino, discutindo Teologia com os Doutores da Religião, não foi compreendido pelos pais. Já adulto, ao iniciar seu ministério público, foi tratado com descrédito pelos irmãos. Em outra ocasião, sua mãe e irmãos pretendiam leva-lo de volta pra casa de qualquer maneira e Ele respondeu que sua família eram seus discípulos. Em sua cidade Natal foi rejeitado e afirmou que “o profeta não é aceito em sua própria terra”.
 
Traz sofrimento tal realidade, quando aqueles que atendem, ensinam e acolhem a tantos, não se sentem efetivos na tentativa de “pastorear” os seus. Gera incompreensão e quase sempre uma obsessão pessoal que leva à imposição. Nasce o conflito e muitas vezes as pessoas mais próximas passam a rejeitar enfaticamente qualquer tentativa de aproximação, ensino, acolhimento. Há uma resistência natural dos mais próximos, eles têm a impressão de que aqueles que pastoreiam, ensinam, acolhem estão sempre educando e analisando. Há que se falar menos, oferecer menos, orar mais.
 
E a esperança é de que os mais próximos hão de assimilar o que lhes é necessário na vida, através de outras fontes, e um dia irão olhar com respeito a quem manteve-se por perto, observando e disponível. Com Jesus foi assim. Depois dos conflitos familiares que viveu, sua mãe se tornou uma das mais próximas seguidoras, presente na crucificação até o fim, sendo cuidada pelo Filho até o fim, que pediu ao amigo João que acolhesse sua mãe como se fosse a mãe dele. Os irmãos de Jesus se tornaram líderes da primeira igreja; Tiago e Judas escreveram cartas que constam do Novo Testamento.
 
Por ora a resiliência do afastamento que compreende que “santo de casa não faz milagre”. Depois, a esperança de que os mais próximos desfrutem da mesma oferta que tantos recebem, mesmo que seja de outros.
 
©2016 Alexandre Robles
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SOZINHO NÃO

A gente teme mais a não proteção que a ameaça. Podemos atravessar um inferno se estivermos acompanhados, mas tememos até o silêncio, se estivermos sozinhos pela rua numa madrugada.

Essa é uma das heranças ancestrais do sentimento do Caim, que ao matar o irmão, elimina seu fator de proteção e se sente sozinho, precisando fugir. Ele matou seu companheiro, não somente aquém que deveria proteger, mas por quem seria protegido.

Jesus, de outro modo, momentos antes de ser preso e crucificado, precisando orar profundamente, não quis fazer isso sozinho, pediu aos amigos que ficassem por perto.

E Moisés disse que só enfrentaria o Faraó se o irmão fosse junto com ele.

Fato é que nossa coragem frente aos perigos da vida depende bastante das pessoas que nos fazem sentir seguros e protegidos.

2016 Alexandre Robles

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EU POSSO DIZER NÃO A VOCÊ?

Há algumas razões, que nos levam a atitudes e comportamentos, que causam nas pessoas que mais convivem conosco a sensação de que elas não podem nos dizer “não”, de que nada podem nos negar. Às vezes somos exigentes, demonstramos rancor e amargura, espalhamos uma atmosfera de manipulação emocional chamando atenção demasiada para nossas demandas, etc. Por essas e outras, as pessoas se sentem constrangidas e obrigadas. Somos e agimos assim, muitas vezes por causa de carências profundas ou hábitos nocivos. Traumas e perdas nos tornam carentes e exigentes de atenção e aprovação e por não sabermos lidar com negativas, pensamos que quando alguém nos diz “não” para uma demanda, está nos abandonando ou rejeitando completamente. E a cultura familiar pode ser tão nociva, quando desde a infância fomos habituados a receber tudo com muita facilidade, fomos mimados por parentes que faziam tudo o que exigíamos sem nos permitir viver as benéficas experiências de frustração da infância e da adolescência.
 
São apenas algumas camadas de uma realidade que torna insuportável os relacionamentos, que é a impossibilidade de ser conviver com os “nãos” sem perder o equilíbrio e a continuidade.
 
O “não” precisa deixar de significar para nós abandono e rejeição e precisa ser assimilado como uma forma de limite amoroso, a fim de que libertemos as pessoas que amamos e nos libertemos também.
 
2016 Alexandre Robles
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DA PRA MUDAR

Irritações, que são incômodos, tornam-se estresse e acomodam-se como linguagem nos relacionamentos, que chegam a ser transmitidos a outras gerações. De tão presente em nosso modo de reagir, passam a ser tratadas como se fossem parte da personalidade, aceitável, apesar dos estragos que causam nos ambientes. Para justificar o comportamento, pensamos ter direito às manifestações de irritação, diante das dificuldades da vida. Os irritados inclusive se irritam com a calma de outras pessoas, chegam a julga-los como se não se importassem.

Ninguém deveria viver irritado e qualquer pessoa pode tratar tal comportamento de modo consciente, pelas camadas.

Primeiro, assumir que se trata de um comportamento adquirido e não de um traço inato, ou seja, podemos e devemos mudar porque ninguém é obrigado a aceitar-nos do jeito que somos, porque não somos, apenas nos comportamos. Depois, avaliar que há situações e experiências que disparam tais processos e que podem ser modificadas. E então, assumir as rédeas das reações e aprender um novo comportamento, mais sadio pessoal e socialmente, como se fosse uma reeducação, assim como fazemos com a alimentação e os exercícios físicos.

2016 Alexandre Robles

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O BLOCO DOS RECALCADOS 

Uma fantasia dos dias de Carnaval é a ideia de que toda pessoa tem cerca de quatro dias para ser e fazer tudo aquilo que não pode na vida normal. Deve-se viver sob o rigor religioso e moral durante todo o tempo e para aliviar participa-se do Festival da Carne, um tempo em que se dá vazão a tudo o que reprime. Assim nascem os carnavais ao redor do mundo.

O problema, a meu ver, não é esse tempo de Carnaval, mas uma vida inteira reprimida, porque o Carnaval perde sua razão de ser e sua intensidade para pessoas que não vivem vidas reprimidas.

Conheço um monte de gente que amaria fazer tudo o que vê as pessoas fazendo no Carnaval, mas não faz por medo de ser condenado e de tanto desejo que carrega, torna-se invejoso e moralista, condenando tudo o que todos fazem. Aliás, quanto maior o moralismo maior o recalque.

A melhor condição do coração é de quando a gente não se permite realizar certos exageros de corpo e alma não porque tem medo de ser punido, mas porque já sabe o valor de uma vida equilibrada e já desfruta de uma vida cotidiana sem pesos e sem excessos, em paz, que vive o que de melhor pode viver.

Uma vez uma pessoa disse a um pregador: “eu sinto pena do senhor, pois não pode fazer certas coisas por causa da função que exerce”. Ele então respondeu: “a diferença entre nós não é que você pode e eu não, mas que você quer e eu não”.

Feliz é quem não precisa de períodos de alívio para cometer excessos, porque vive de modo equilibrado o que é bom, saudável e prazeroso, sem recalque, na medida certa.

2016 Alexandre Robles

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DEIXE IR

Uma vez, os discípulos mais próximos chamaram Jesus pra um canto e lhe “deram um toque”, afinal, Ele estava falando coisas muito difíceis de se ouvir, que atingiam profundamente seus ouvintes que, por isso, estavam se afastando. Ele estava perdendo seguidores. Então, Jesus fez o exercício do desapego, disse que eles podiam ir embora, caso preferissem e que Ele não faria nada para mantêm-los artificialmente, não tentaria fazer o que lhes agradava e não mudaria sua essência para não perde-los. E mais, ainda disse que os discípulos mais próximos podiam ir também. Jesus não queria que as pessoas ficassem obrigatoriamente e não mudaria, para não perder audiência.

Precisamos aprender a deixar ir, aqueles que estão demonstrando que não querem ficar.

Pedro, um dos discípulos próximos, declarou que não tinha pra onde ir, não queria ir embora, sabia que somente Ele tinha palavras de Vida.

É melhor a verdade dos que ficam porque querem.

2016 Alexandre Robles

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CADA UM NA SUA

Jesus, como alguns de nós, tinha multidão de seguidores; contudo, Ele não confiava neles (João 2), porque sabia que o abandonariam quando mais precisasse. Como nós, Ele também mantinha sua “network”, seu grupo de parceiros de trabalho e colaboradores, cerca de 70 pessoas com quem compartilhava missão. Como nós, tinha seu pequeno grupo de convivência e amizade, seus 12 apóstolos. Destes, tinha seu grupo de maior intimidade, gente que o via chorando nos momentos mais difíceis, Pedro, Thiago e João. E quando estava morrendo, confiou a João o cuidado de sua mãe.
 
Não se fala à multidão o que somente os grupos menores podem ouvir; não se confia a própria família a pessoas desconhecidas; não se espera intimidade com a multidão de seguidores das redes sociais.
 
Nossa saúde relacional depende do reconhecimento e da importância que damos às diversas redes de relacionamentos que mantemos.
 
2016 Alexandre Robles
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UMA CONVERSA COM JESUS

Estava conversando com Jesus sobre minhas ansiedades cotidianas. Tenho que trabalhar, alimentar quem amo, pagar despesas diversas. Então Ele me disse para “não estar ansioso, não me preocupar com minha própria vida, com o que vou comer e beber, porque a vida é mais importante que a comida e o corpo, mais que a roupa, que o Pai sabe que eu preciso destas coisas e que cuida de mim mais do que aos pássaros e às flores.

Mas eu ainda tinha o que dizer, não sei se Ele entendeu bem. Acontece que não me bastam apenas comer, vestir e morar em algum lugar, eu carrego anseios mais profundos, objetivos maiores e para viver nesses dias a gente precisa de algumas coisas a mais. Não se trata apenas do alimento, eu tinha que dizer a Ele que eu preciso frequentar alguns restaurantes novos que todos estão conhecendo e postando fotos. Não se trata apenas de vestir, eu preciso comprar tênis e roupa de marca. Não se trata apenas de morar, eu preciso de uma casa maior, com espaço gourmet para ter mínimas condições de aprender a cozinhar.

Ele então me explicou sou eu mesmo quem crio necessidades que não são nada além de projeções e desejos dispensáveis, que me mantêm adoecido e angustiado, consumindo o que não preciso, para mostrar o que não sou, a pessoas que não se importam.

Solenemente Ele afirmou que eu não posso passar a minha vida servindo a dois senhores, não posso dizer que a Ele dei meu coração se a maior parte de meus pensamentos, planos, ocupação, motivação são dedicados ao desejo de ter mais Dinheiro para poder realizar mais sonhos dispensáveis.

Depois, disse ainda que eu podia buscar antes de tudo o Reino de Deus e explicou que eu deveria viver a vida em paz, fazendo tudo de modo a mostrar a realidade deste Reino, que se vê a partir de valores de vida. Disse que o Reino de Deus se manifesta na maneira como vivo, como faço negócios, como trato as pessoas, etc.

Por fim, para me certificar, retoricamente balbuciei pra ver se eu entendi que então eu não deveria chamar de necessidade o que é apenas desejo ansioso de ter e ostentar o que de fato eu não preciso; que eu deveria criar um gatilho em meu consumo, que deveria perguntar se realmente preciso do que estou comprando ou planejando comprar; que eu preciso tratar minhas emoções que me dizem que eu preciso me bancar porque ninguém vai me ajudar nisso.

Mas e amanhã? Será que eu vou ter, amanhã? Jesus então terminou dizendo que a cada dia bastam as dificuldades daquele dia; que o amanhã será como hoje, com os mesmos desafios de fé e ocupação correta; que o Pai que cuida hoje, cuidará amanhã também e por isso eu posso me concentrar no hoje, no agora.

Ele sorriu com confiança e ternura e disse que eu podia viver em paz, porque Ele vai cuidar do que eu realmente preciso enquanto eu me dedico a viver o que realmente importa.

@2016 Alexandre Robles

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QUAL É O PESO DE SUA EXISTÊNCIA?

Todas as pessoas são iguais diante do Criador, mas há pessoas que têm maior densidade histórica. Não se trata de valor, mas de expressão na história a partir de um propósito existencial. Creio que é assim é isso me leva a observar que quão mais próximos e vinculado a pessoas historicamente densas, mais os eventos que nos cercam são afetados pela importância do que eles estão cumprindo na história, mesmo que nem eles mesmos saibam.

Por causa do que Deus estava realizando na vida de Abraão, muitas pessoas e nações inteiras foram e ainda hoje são afetadas. Segue-se observação pelos demais personagens centrais da História.

Hoje ainda é assim, creio. Por causa do que Deus está realizando na vida de algumas pessoas com densidade histórica existencial, tantos ao seu redor são afetados.

Será que somos capazes de medir nossa própria densidade e assumir a responsabilidade de que nossas escolhas e decisões afetam outros? Adultos que antes de decidirem por seus projetos pessoais de felicidade e realização considerem cônjuges, filhos, amigos, irmãos. Líderes sociais e políticos que vivam pelo ideal maior.

Será que somos capazes de reconhecer e aceitar que orbitamos ao redor de outros que são mais densos que nós?

Eu tento e hoje reflito um pouco.

2016 Alexandre Robles

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DEIXEM-NOS NA BASE DA PIRÂMIDE

A melhor forma de controle é a manutenção da luta pela sobrevivência. Na Pirâmide de Maslow, é o primeiro patamar. Gente ocupada de lutar pela comida, não tem estímulo, tempo e condições para construir ideais. Gente na fila indigna de um Hospital imundo e abandonado, com dores e doenças não consegue sonhar e trabalhar por mudanças em sua cidade. Gente que sobe os móveis comprados, em prestação, e limpa sua casa da lama das enchentes, não tem ânimo para ter utopias. Gente com fome não se preocupa se o pouco pão que lhes sobra seja da mesa de um corrupto que acendeu ao poder.
 
Somente saciados de nossas primeiras necessidades é que seremos capazes de dar um passo em direção às mudanças conceituais e ideais em busca de um mundo melhor. Por isso que têm mesmo obrigação moral e social de lutar pelos direitos e pela dignidade dos desprezados, aqueles que vivem acima da linha do conforto do suprimento das necessidades básicas. A omissão de quem já comeu é a mãe da fome dos marginalizados.
 
Não importa se a obtenção de recursos e o acúmulo de riquezas tenha sido pela via da Lei e das Regras do Mercado, ainda assim, aquele que tem só pra si, que ganha só pra si, que se preocupa só consigo é responsável pela má distribuição do bem comum, tanto quanto os mais vis e descarados corruptos dos sistemas político e comercial.
 
2016 Alexandre Robles
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EU QUERO VER

Um cego percebe Jesus em meio a multidão e lhe pede ajuda. Jesus se aproxima dele e pergunta o que deseja. Não é obvio que ele quer ser curado? Não. Assim como não no meu caso e no seu caso. Sendo cego, naqueles dias, fatalmente tornava-se um mendigo, como era o caso daquele homem. Ficava pelo caminho, contando com as migalhas da sociedade que preferia não enxergar sua deficiência. A mendicância se torna sobrevivente na carência.
 
Assim, quando carregamos carências existenciais profundas, nos tornamos mendigos emocionais e sociais. Passamos a aceitar qualquer migalha nos relacionamentos; nos submetemos a posições humilhantes, aceitamos como se fosse amor, o egoísmo usurpador das pessoas; exigimos de nós mesmos que a todos entendamos, razões e os motivos.
 
A pergunta de Jesus ainda ecoa. O que você quer hoje, uma esmola ou a cura?
 
De esmola em esmola a carência é administrada, mas Deus não atua no ramo da administração das carências e sim na ação libertadora e restauradora do ser humano.
 
Sabe a sensação de que as pessoas que estão com você só permanecem porque você faz tudo o que elas querem, mesmo quando isso lhe agride? Sabe a sensação de que você serve como peça de uma engrenagem, de uma máquina, de que seu valor no ambiente é apenas funcional, que no dia em que não satisfizer as expectativas, não servirá mais? Sabe o medo de perder o que tem, quando profundamente sabe que tal realidade é indigna, nem mesmo é verdadeira, que lhe desumaniza, mas que o medo de ficar sozinho(a) é maior que a situação em que se encontra? Sabe o poder de manipulação emocional que você desenvolveu para atrair a atenção das pessoas para a sua dor? Sabe a sensação de não ter certeza se a situação em que hoje está veio naturalmente como resultado da vida ou foi forçada com agressões e decisões precipitadas que o levam a suspeitar constantemente se deveria estar onde está?
 
São algumas das sensações da carência que nos torna mendigos.
 
O que você quer? Quer ser curado? É o que Jesus pergunta.
 
O cego abriu mão da mendicância e disse a Jesus que queria enxergar de novo.
 
2016 Alexandre Robles
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SÓ A INTIMIDADE CURA A SOLIDÃO

Lembro-me de conversar com minha terapeuta, uma profissional que muito me ajudou, sobre a solidão, a minha. Havia pessoas que escreviam comentários a respeito do meus desabafos, à época, afirmando que a pior solidão era se sentir longe de si mesmo. Eu discordava. Sabia que no fundo eu precisava não aceitar a mim mesmo, somente, mas precisava de uma intimidade profunda me tocasse ambientes de minha alma que estavam feridos. Precisa de gente. Diziam alguns que eu precisava aprender a viver sem depender de pessoas. Eu discordava. Lembrava da citação poética e teológica do Gênesis, em que o Criador diz que “não é bom que se viva só, farei uma semelhante para que não esteja sozinho”. O ser humano tinha plena comunhão com o Criador e com a criação, mas não tinha sua semelhante. Solidão é não ter semelhante.
 
Minha terapeuta me dizia que eu poderia viver uma experiência de intimidade que me acolhesse. Obviamente que ela não me prometia isso, porque seria leviana, mas disse que sim, era disso que minha alma precisava. Eu concordava.
 
Nenhuma tese sobre a solidão humana que dispense outro ser humano e a intimidade emocional deve ser levada em conta; na teoria ou na prática, não passa de resiliência individualista. Ninguém se basta e ninguém deve buscar se bastar, precisamos uns dos outros.
 
Eu prefiro ser essa metamorfose emocional em busca de intimidade e acolhimento, do que ter aquela velha capacidade de solitariamente dispensar a todo mundo.
 
2016 Alexandre Robles
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VAI FICAR POR ISSO MESMO?

Há anos que reflito sobre José, o Pai de Jesus. Antes e depois de saber o que, me parece, ele soube. Era noivo de uma moça e num dia ela lhe disse que estava grávida. Como o filho não era dele, a história que ouviu a partir dali, levou-o a tomar a decisão que tomou. Ela disse que a criança era um milagre de Deus em seu ventre, que permanecia virgem, mas quem acreditaria tão facilmente numa história dessas? José, aparentemente, também teve dificuldades. Percebo isso a partir de seus próximos movimentos.

 

Decidiu separar-se dela. Não acreditou na história contada pela menina que sendo sua noiva, aparece grávida de outro homem. Uma mulher que perdesse sua virgindade antes do casamento, seria desprezada e poderia ser inclusive morta, ainda mais na situação que se apresentava, de traição. O adultério era crime de pena de morte. O pai deveria apresentar a filha para ser apedrejada em praça publica.

 

José acreditava ter sido traído e a história que a moça contou parecia tão absurda que qualquer homem em seus dias exigiria do pai a reparação da desonra, com a morte da menina.

 

Mas ele decidiu que iria fugir da cidade. E há tantas motivações possíveis para isso. Primeiro, ele se sentindo traído, resolveu perdoar o que lhe havia acontecido, ao não exigir a reparação do dano sofrido. Ele foi emocionalmente lúcido ao abrir mão de uma justiça humana que apenas se trata de vingança, pois de nada adiantaria a morte da menina para tratar a dor que seu coração carregaria, se não apenas para que sua honra publica fosse retratada. As aparências não importaram mais que a verdade, por isso que a justiça não foi confundida com vingança. Ele abriu mão de reparação e é assim que começa qualquer processo de perdão.

 

E mesmo perdoando a menina, decidiu que não mais ficaria com ela. A traição inviabilizou a reconciliação. A dor de ser traído era tamanha que não conseguia mais confiar na menina. E continua sendo perdão, porque perdoar alguém não torna obrigatória a permanência do relacionamento; pode-se sinceramente perdoar e ao mesmo tempo desejar a distância segura do vínculo que pode acarretar novas dores. Perdoar é não exigir reparação. Manter-se numa situação de constante sofrimento e renovação de agressão ou traição, pode ser apenas masoquismo.

 

E ainda, quando José decide fugir da cidade, à noite, ele está tomando sobre si consequências tão pesadas que desconfio que um ser humano é incapaz de carregar. Depois de alguns dias sem notícias do rapaz, as pessoas na cidade começariam a pensar que ele havia abandonado sua noiva. Em breve, saberiam da gravidez e ainda que ela contasse a história da fecundação sobrenatural, mais facilmente acreditariam no que é lógico, o rapaz engravidou a moça e fugiu. Diante desta tese, ele, José, seria considerado o responsável e calado, distante, nada faria para corrigir o engano histórico.

 

Para ele, depois de ser traído pelo amor de sua vida, depois de ter visto sua história acabar, depois de ter morrido internamente, importava bem pouco o que as pessoas iriam pensar sobre o que aconteceu.

 

Maria viveria na mesma comunidade, não seria considerada adúltera, não seria apedrejada e possivelmente seria consolada pelos amigos e pela comunidade. A mesma comunidade de José, que agora estaria distante, sozinho e por uma razão espiritual mais profunda, não tentaria corrigir a impressão que as pessoas teriam de que ele era o culpado de tudo.

 

Nos dias de hoje, José ficaria sabendo de Maria através das fotos publicadas nas redes sociais e do apoio dos amigos de outrora à menina que passara para a história com a tese de vítima de uma relação interrompida por ele.

 

Que dor! A incompreensão! O trago amargo de uma pergunta que ecoaria sussurrante na mente: “vai ficar por isso mesmo?”.

 

Um anjo apareceu a José, depois que ele havia decidido fugir secretamente e antes de ter terminado de fazer as malas, contou a verdade e disse que ele havia sido escolhido para ser pai do Filho de Deus. Que boa escolha para pai, o homem que melhor encarna os limites mais profundos da dor, da traição, da angústia e do perdão.

 

Que os anjos que honram os perdoadores console os corações!

 

©2016 Alexandre Robles

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O RISCO DE SER LIBERTO

Jesus estava a caminho da casa de um homem que havia lhe implorado que salvasse sua filha da morte. Uma multidão seguia ao seu lado, espremendo-o e dificultando a caminhada. No meio, havia uma mulher que havia 12 anos sofria com um fluxo de sangue contínuo. Ela toca nas vestes de Jesus e é curada no mesmo instante. Jesus interrompe a caminhada e pergunta quem o tocou. Mesmo Pedro tendo dito que seria impossível determinar alguém específico já que todos o estavam tocando, Jesus afirmou que alguém o havia tocado de modo especial. A mulher, então, se apresenta e o ouve dizer que por causa de sua fé ela havia sido curada.

 

Era uma mulher e por isso não podia sequer olhar diretamente nos olhos de um homem, que não fosse seu marido, ainda mais em público; não podia conversar, não deveria estar ali. Obviamente, tocar em Jesus lhe condenaria sumariamente, porque além do fato de ser mulher, ainda sofria deste ininterrupto fluxo de sangue, quando a Tradição Religiosa determinava que quando a mulher estivesse em seus dias mensais de “incômodo”, não poderia sair às ruas porque se um homem inadvertidamente a tocasse ou fosse por ela tocado, ficaria impuro também. Ela já havia tentado todos os recursos médicos e num misto de desespero e fé (que é quando a fé pode se apresentar mais forte), resolveu se expor ao risco das ruas, entrou em meio a uma multidão de homens com quem trocava toques e ousou tocar diretamente no homem que todos ali já consideravam um santo; arriscou torna-lo impuro.

 

Isso se repete a cada dia em que nos vemos sem recursos, sem saída, sem solução; quando nada mais há a fazer e nos entregamos em clamor pedindo a Deus que nos salve, nos liberte.

 

Muitas vezes estamos doentes há anos, com chagas na alma, já cansados e sem esperança de que algo aconteça. Já tentamos de tudo. Conversamos; nos expusemos em ambientes que achávamos seguros, mas que transformaram nossa dor em espetáculo; fomos tratados como impuros pela religião, pela família, pela sociedade; acreditamos que não há mais jeito.

 

Até que um dia a gente crê que não importa o tempo que passou, apenas um instante é suficiente para mudar toda uma história; que não há nada em nós que seja tão ruim ou vergonhoso que seja capaz de impressionar, enojar ou afastar Deus de nós, Ele insiste em salvar; que não importa qual seja a força que em nós afirma que já tentamos de tudo e devemos simplesmente aceitar nossa doença, hoje pode ser o dia de mudança; que não importa se as pessoas ficarão incomodadas, constrangidas e se afastarão de nós quando descobrirem nossa ousadia de buscar a libertação, o mais importante é o encontro curador com Jesus.

 

Até que um dia a fé vence o cansaço de quem já tentou muito, o medo de quem sabe que pode ser rejeitado e morto e arrisca ser curado, acolhido, amado.

 

©2016 Alexandre Robles

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ALÍVIO POR ORA, CURA, DEPOIS.

Na metáfora que o Apocalipse faz sobre a Eternidade, apresenta uma Árvore da Vida que cura as feridas, da qual todos poderemos nos servir. Penso que será assim, porque aqui na história, por melhores que sejam nossas experiências, ainda carregaremos feridas.

Algumas delas teremos vergonha de mostrar pedindo ajuda. Outras tentaremos sarar sozinhos, obstinada e solitariamente, como cirurgiões operando o próprio cérebro. Outras ainda, acreditaremos tratar, enquanto tratamos das feridas dos outros, como magia, numa esperança cármica de causa e efeito. E haverá às vezes em que mostraremos nossas feridas, pedindo socorro, a pessoas que sem compreender nossa dor, mostrarão que atrapalhamos sua festa, sua falsa sensação de vida plena, sua felicidade plástica facebooquiana; de algum modo nos dirão que não deveríamos mostrar nossa ferida, que deveríamos guardar pra nós mesmos, porque no fundo, nossas dores confrontam-nas em sua incapacidade, seu egoísmo e a aparência de felicidade que preferem ostentar.

Há feridas, que ainda que obtenham alívio histórico, serão saradas apenas na Eternidade.

Por isso, também, que os primeiros discípulos de Jesus cantavam e oravam “Hosana, ora vem, Senhor Jesus!”

Alexandre Robles

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Depressão Pós-Férias

Os sintomas são: hesitação em retomar tarefas rotineiras; lembrança de cada momento divertido; saudade das pessoas com quem esbarramos e sobre quem nos acumulamos em cada palmo de espaço da casa que virou acampamento; e a impressão de que nada mudou no mundo conturbado, verificado nos noticiários com as mesmas manchetes de quando saímos. O tratamento passa por uma dose profunda de realismo, que pode trazer o efeito colateral do cinismo, mas que é amenizado com uma outra dose generosa de gratidão e confiança, confirmada pela certeza de que enquanto estávamos em férias, Deus seguiu sua agenda, sem precisar de nós.

Férias são como o Shabat de Deus, que no Antigo Testamento era simbolizado num dia, mas que na verdade é um espaço no tempo, um período, em que paramos o que normalmente fazemos para experimentar o cuidado do Deus que continua cuidando de nós, enquanto abrimos mão, ainda que temporariamente, de controlar e prover tudo ao nosso redor.

@2016 Alexandre Robles

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LISTA DOS DESAPEGOS PARA O ANO NOVO

Como manter a mochila com o peso adequado

 

Passamos a vida acumulando. Objetos, experiências, conhecimento. Quanto mais se tem, mais próspero se pensa ser. É como se nos entregassem uma mochila vazia para darmos conta de encher no decorrer de nossa vida, crendo, inclusive, que quanto mais cheia ela estiver, maior é nosso valor. E já tentamos carregar nessa mochila realidades de toda sorte, que vão do acúmulo do supérfluo, passando pela necessidade de ostentar, chegando às emoções e traumas que pesam a caminhada.

 

O correto é passarmos a vida desapegando de realidades que tornam a mochila pesada e aprendendo a seguir a jornada como um bom observador, parafraseando o conselho dos mochileiros: “da ‘vida’ nada se tira, a não ser fotos; nada se deixa, a não ser pegadas; e nada se leva, a não ser lembranças”.

 

Sugiro para o Novo Ano uma Lista de desapegos, que ao invés de você fazer sua lista de desejos e promessas, você faça a lista do que vai deixar pra trás, uma lista que tenha objetos e bens, emoções e traumas, manias e até antigos objetivos não concretizados e que apenas servem para fazer-lhe sentir-se derrotado e que o atrapalham de realizar o que é de fato importante.

 

Que no Ano Novo sejamos mais cuidadosos com o peso da mochila, pra evitar dor nas costas e na alma.

 

©2015 Alexandre Robles

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PROCURE SEU MÉDICO

Davi escreveu, por volta de 1000 a.C.: “enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer” (Salmo 32.3). Hoje já se conhece os efeitos da psicossomatização, em que muitas dores e doenças físicas têm causa emocional e psicológica. Expandimos por entender que além dos pecados escondidos, como Davi descreveu, os traumas e outros desarranjos causam o mesmo efeito. Em tais situações, o melhor médico é a própria consciência; o tratamento é a investigação interior profunda e invasiva, que prevê incômodos, dores e exposição; mas com otimista prognóstico de restabelecimento da saúde integral para a mente, a alma e o corpo.

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TUDO PELO PODER

Em dias em que as pessoas estão tornando públicos seus anseios inescrupulosos pelo poder, é bom avisar que Jesus ensinou que em seu reino o poder está na mãos de quem serve.

Trata-se de poder como capacitação, aquele que nos habilita a realizar o que não seríamos capazes sozinhos; e de poder como autorização, agora estamos autorizados por Deus a agir em seu Nome.

O Poder da posição, da autoridade recebida ou imposta para dar ordens e comandar, este não recebemos, ele não existe no Reino de Deus, porque somos todos servos uns dos outros e de Deus.

Falando sobre o exercício e pelo poder que vemos facilmente nas entrelinhas de cada jogada política, por exemplo, Jesus disse aos seus discípulos que “entre vocês não será assim”.

Quem vai querer este poder?

2015 Alexandre Robles

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Uma das melhores descrições da tarefa que me sinto responsável por cumprir, foi feita pelo Paulo, o apóstolo, que disse ter recebido de Deus o ministério da reconciliação, baseado em que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo inteiro.

Reconciliação da pessoa consigo mesma; com seus semelhantes; com a Criação. Esta é a experiência da reconciliação com o Criador.

Sente-se em paz com Deus quem está em paz consigo mesmo, com seus semelhantes e com a Natureza.

Cumpro minha tarefa como alguém que está vivendo dia a dia os efeitos da reconciliação e deseja que todas as pessoas também experimentem.

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PRECE

Peço a Deus que me livre de reuniões desnecessárias, encontros vaidosos e debates arrogantes; peço que me livre do entorpecimento da cultura rasa, do humor escrachado, da opinião idiota e do consumismo ansioso; que me livre do rancor, da angústia, das fobias e da depressão; peço, sobretudo, a leveza de desfrutar em paz consciente das pequenas alegrias do dia, como o vídeo do meu sobrinho marchando como soldado de cabeça de papel, com a amizade do meu filho que vejo crescer ao meu lado, com o beijo carinhoso de minha esposa e companheira, com um pequeno texto que anime meu espírito, com o refrão de uma música chiclete que me faça viajar pela estrada das lembranças, com a esperança fundamental que, antes, acima e depois de tudo, afirma que minha alma pertence à eternidade, de onde vim e para onde voltarei, eternidade que me visita sempre que consigo desfrutar de modo simples da oração que faço, causando o efeito relativo do tempo, quando a vida inteira cabe num instante eterno. Amém.

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A MORTE DE NOSSOS AFETOS RELIGIOSOS

Quando Jesus começou a ensinar publicamente, sua mensagem incomodava especialmente os religiosos, em boa parte porque se tratava de uma denúncia de uma prática religiosa legalista e manipuladora, mas não só isso. Também, porque seu ensino atingia apegos emocionais e culturais importantes. Ao relativizar o Templo, o Sábado, as cerimônias e a própria cidade de Jerusalém, por exemplo, Jesus estava mexendo com lembranças, histórias, linguagem e relações. Todos temos muita dificuldade em abrir mão de nossa bagagem afetiva e transformamos essas bagagens em Dogmas Religiosos a fim de que ninguém os altere.

Por isso afirmamos que certos instrumentos e certos ritmos musicais não podem ser executados na igreja porque são ou parecem ser profanos, quando na verdade estamos apenas nos agarrando em desespero à cultura de nossas lembranças afetivas, diante do que é novo.

Para seguirmos a Jesus precisamos fazer morrer nossos apegos afetivos com nossas tradições religiosas e familiares. Entende porque até nisso, seguir a Jesus implica em morrer para o passado a fim de viver uma nova vida?

2015 Alexandre Robles

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SEMPRE VAI FALTAR ALGO

Somos incompletos e insatisfeitos. Tais constatações já foram interpretadas como confirmação de que não fomos feitos para este mundo, apenas, mas para o que há de vir; e isso sustentava a nossa esperança na certeza de que tudo aquilo que está em aberto hoje, encontrará explicação e satisfação na eternidade. A isso dávamos o nome de transcendência.

Acontece que passamos a transcender a partir de concretização de pequenos projetos de conquista e de consumo, aqui mesmo. A felicidade divulgada nos finais felizes, o brinquedo tecnológico que promete mudar completamente a vida, o corpo esculpido, etc. Consumir e aparentar felicidade se tornaram a promessa de que seremos completos e satisfeitos.

Já nos alertava o Apóstolo Paulo, de que “se nossa esperança for somente para esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”.

Eu creio que todos nós fomos infantilizados pelo espírito de nossa época hedonista, que toda uma geração desaprendeu o poder da resiliência consciente. Nada vai satisfazer completamente o anseio de eternidade que carregamos na alma.

2015 Alexandre Robles

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QUINTAL, MOCHILA E LAR

A infância acontece em ambiente parecido com quintal de casa de avó, onde podemos explorar um Universo e estamos protegidos pelos olhos atentos dos mais velhos.

A juventude deve caber numa mochila. A vida precisa ser leve e livre, precisamos de pouco e o mundo é nosso limite.

A maturidade é quando a alma começa a querer encontrar seu lar, então, todas as explorações da infância e as conquistas da juventude criam no coração uma Casa existencial, de amigos, lembranças, cheiros e sabores, então precisamos nos acomodar numa boa cadeira na varanda para passar a observar nossos netos e filhos começarem sua jornada.

Criança não pode ter tudo pronto, precisa de estímulo para criar e inventar. Adolescentes e jovens não podem se preocupar com próprio patrimônio e limitar sua história com medo de arriscar. Adultos maduros e idosos têm o direito a se aconchegar em algum ambiente existencial que chamam de Lar.

2015 Alexandre Robles

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NÓS SENTIMOS A DOR DA TERRA

Nós pulsamos no mesmo ritmo que o restante da Criação. Há muito maior ligação entre nossas emoções e as energias sutis do Universo, do que desconfia nossa vã teologia. Há muito maior assimilação dos gemidos da Criação do que nossos diagnósticos são capazes de determinar.

Ouvi de um manauara que sua alma é como o Rio Amazonas, que seca e transborda nas estações certas. Fez-me pensar nas barragens que se rompem liberando rios de lama. Também fazemos assim, por isso que muitas pessoas estão transbordando lama em si e a partir de si mesmos, lama tóxica, porque passaram a vida criando diques de contenção na alma, barreiras para segurar emoções e traumas, de modo resiliente fizeram tudo o que outros exigiam e esperavam, até que um dia não aguentam mais e rompem.

Ouvi de outra pessoa, que é muito difícil para quem tem tendência à depressão, viver em áreas invernais, com muita neve, porque quando se vê tudo muito cinza e branco, com muito frio e neve por um longo período, a alma começa a esfriar e acizentar. Como na depressão!

Ultimamente temos ouvido falar do vírus Zika, provável causador de alguns males e más-formações graves. Imperceptível e transmissível por pequeno inseto, se assemelha ao espírito de uma época, às impressões que são transmitidas de modo quase imperceptível e que vão infectando a alma sem que a gente perceba. De repente estamos todos apressados, entristecidos, angustiados, sem que saibamos as razões disso.

O que falar da falta de ideais advinda da corrupção política sistêmica? O que falar da constatação da desumanidade nas cadeias de produção de quase tudo o que comemos, vestimos e usamos e que diminui nossa satisfação com o simples presente? O que falar do volume de notícias das tragédias e catástrofes que criam em nós os medos e fobias?

Não à toa, cada vez mais, nós experimentaremos os efeitos emocionais e psicológicos de tais realidades. Precisamos aprender a ler os sinais de nossa época para poder tratar nossa alma como precisa ser tratada.

2015 Alexandre Robles

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ESTÁ TUDO DENTRO DE NÓS

Há uma fonte inesgotável de descobertas e recursos existenciais dentro de cada um de nós. Jesus disse que abriria, nos seres humanos que tivessem sede, uma fonte interior que jorraria sem interrupção; disse isso a uma pessoa que mostrava sedes profundas.

Tudo está dentro de nós, por isso, somente encontraremos o amor, a aceitação, a aprovação, enfim, apenas encontraremos fora de nós, nas pessoas e nas experiências, aquilo que antes encontrarmos em nós mesmos.

Somente quem ama a si mesmo é capaz de encontrar amor fora de si.

2015 Alexandre Robles

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QUER SAIR DESSA?

Algumas vezes, buscamos quem possa nos ouvir, sem nos darmos conta de que há estágios de nossa busca por soluções de situações e emoções. O primeiro estágio é o da busca por aprovação, queremos que o conselheiro, terapeuta, confidente ou sacerdote nos ouça e concorde com nossas motivações e atitudes. Muitos param por aqui e vão trocando de interlocutor quando são confrontados; interrompem a terapia, fogem das conversas.

Um segundo estágio é quando buscamos ajuda mágica e mística para questões que dependem de processos. É quando depositamos sobre pessoas uma expectativa de que elas tenham uma palavra, uma direção, que sejam oráculos, que sejam profetas de Deus, capazes de nos dizerem uma palavra suficiente para resolver tudo, de uma vez. Por isso que muitas vezes procuramos até um adolescente, quando ele nos inspira ser uma “pessoa de Deus”, para falar sobre crises de casamento e divórcio, educação de filhos ou crise de meia idade. Ora, não é lógico que a pessoa que está ouvindo não tem experiência para nos indicar algum caminho?

Fato que de vez em quando vivemos experiência de milagre em que o mesmo adolescente, não tão experiente na vida, é usado por Deus para nos dar uma palavra solucionadora. Mas isso é milagre e não expediente terapêutico.

Até que chegamos a um estágio mais consciente de nossa busca por tratamento e soluções, quando passamos a buscar orientação para abrir por dentro as portas e janelas de nossa alma; quando assumimos a responsabilidade de nossa própria condição e tratamos nossos ajudantes como orientadores e não mais como cúmplices ou oráculos.

A gente só sai de onde está quando dá um passo de cada vez na direção certa. Feito isso, nem a velocidade importa tanto.

2015 Alexandre Robles

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TÁ TODO MUNDO NU

Nós gostamos muito da nudez. Seja porque “toda nudez será castigada” e a atração pelo proibido está em nosso DNA; seja pela curiosidade comparativa; seja porque somos seres visuais e nossos instintos são ativados através da observação. Seja por qual destes e outros possíveis motivos, basta haver um corpo nu que qualquer movimento chama a atenção, qualquer produto é vendido, qualquer discussão entra em pauta.

Li que um dos programa de maior audiência na TV é um reality que coloca um casal nu para sobreviver na selva. Ninguém quer saber de selva ou de sobrevivência, qualquer programa oferece isso, o que vale mesmo é que estão nus.

Sobretudo, a mais importante consideração a se fazer é que quem está nu, está exposto, vulnerável; e o observador vestido está protegido. Quando lidamos com a vulnerabilidade dos outros, nos sentimos superiores.

Por isso que gostamos de ver o fracasso, a falência, o vexame, até a doença e a morte trágica dos outros; por isso que tal nudez existencial promove tanta audiência.

Exponha e você chamará atenção, mas saiba que será de abutres voyeur’s que se deliciarão assumindo a impressão de superioridade.

2015 Alexandre Robles

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QUANDO CRISTIANISMO E ISLAMISMO DÃO NO MESMO

Somente em Jesus é que a Bíblia deve ser lida, a partir dele, interpretada somente através de suas palavras e pela maneira como viveu. Quem lê a Bíblia sem passar todo seu conteúdo por Jesus Cristo, corre sempre o risco de ter uma Religião ideológica, partidária, étnica, intolerante, xenofóbica e no limite do terrorismo.

Sem Jesus, pode-se ler o Antigo Testamento e tentar tratar as mulheres com a mesma as mesmas absurdas leis da Sharia muçulmana. Em Moisés, também se encontra apedrejamento e posse da mulher, regras de como deve se vestir e etc. Sem Jesus, apoiando-se na leitura literal do Antigo Testamento, mata-se o inimigo em nome de Deus. O Antigo Testamento conta a história de um povo semelhante ao que hoje vemos nos territórios ocupados pelos extremistas islâmicos.

Eu leio a Bíblia através de Jesus. Não através de Moisés, nem dos teólogos cristãos, ou de que qualquer outra fonte. Sou escravo de Jesus, limitado a Ele e nada mais importa tanto, quanto o que Ele diz.

Cristianismo sem Cristo e Islamismo radical dão no mesmo.

2015 Alexandre Robles

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Um minuto de silêncio na França fala mais do que os mais inflamados e politizados discursos. Deus VÊ orações silenciosamente contritas e solidárias, na proporção em que não ouve a ufanista cantoria de muitos templos evangélicos repletos de pessoas mais preocupadas com a compra do próximo celular no final do ano.
(Isaías 1 e Mateus 6.6)

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CRER É TAMBÉM PENSAR

Nós os seres humanos somos aprendizes. Não nascemos sabendo e nos adaptamos ao que aprendemos. A maior parte do ensino é familiar, relacional, através da imitação do comportamento. Deste modo, aqueles que atravessam os limites do aprendizado instintivo, que segue este padrão de imitação e assimilação geracional, e conseguem ver o mundo numa nova perspectiva, são os que propõe novas formas de enxergar a vida. São intérpretes da história, pessoas que nos levam a ver além da Caverna de Platão.

Acontece que esses pensadores cometem um equívoco básico: pensam que assim como eles conseguiram enxergar além, todos também conseguiram e por acreditarem demais na capacidade de todos, desprezam o obvio e se concentram na busca pela originalidade constante.

Diferentemente, os tiranos, quando percebem que enxergaram além das massas, as dominam. Conhecimento é poder, talvez a mais forte expressão de poder. Assim, são capazes de arregimentar exército de jovens descontentes com a vida, que desprezando o niilismo filosófico secular da Europa, se engajam em missões terroristas e suicidas. Este também é o expediente da Religião, alguns líderes que enxergam além, manipulam a massa mantida em cativeiro de sua própria cegueira.

Não à toa, Jesus e Paulo afirmavam que o homem precisa ser livre e que sua liberdade vem através do encontro da verdade através do exercício da reflexão. Como disse John Scott, “crer é também pensar”.

2015 Alexandre Robles

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O que aconteceu em Mariana e se espalha por todo o Vale do Rio Doce não é tragédia, é genocídio é crime ambiental promovidos pela Mineradora Samarco. O silêncio e a demora do Governo não são uma falha administrativa, mas abandono. A escolha de deputados para apuração dos fatos, que recebem volumosas doações da Vale é falta de caráter e canalhice política. O silêncio de ONG,s como a do Sebastião Salgado, que tem como finalidade proteger aquela área e que recebe doações da Vale, também segue o mesmo princípio dos políticos. Resta-nos esperar que o Ministério Público faça alguma coisa efetiva para punir os responsáveis.

A despeito de toda essa estrutura corrupta e indigna, seguimos solidários e fazendo o que de prático é possível para ajudar as vítimas. Precisam de água e você pode ajudar observando as informações do post fixado no topo desta página.

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O Reino de Deus é um reino de hospedeiros, recebemos refugiados e estrangeiros, mesmo que sua chegada afete nossa cultura cristã. O Reino é maior que a cultura. Recebemos o estrangeiro em adoração a Deus e, como adoradores de Jesus e não surtados alistados em qualquer guerra santa, nós, os seguidores de Jesus estamos prontos para morrer com Ele, jamais para matar em nome dele.

Todo discurso que pretende generalizar os muçulmanos como se todos fossem terroristas é tão raso e idiotia quanto o preconceito de quem compara alguns de nós evangélicos com as lideranças evangélicas midiáticas e dizem que somos todos iguais.

Todo discurso do fundamentalismo cristão que afirma que não se pode abrir as fronteiras para receber muçulmanos sob o risco de se perder a cultura cristã ocidental está sempre a um passo de preferir o extermínio deles ao risco da miscigenação, portanto, próximos de matar em nome de sua cultura dizendo matar nome de Deus.

Preste atenção que você perceberá os profetas que estão defendendo apenas a cultura cristã e fomentando a violência em nome de Deus.

O Reino de Deus é o Reino
de Jesus que não mata, mas morre em nome de Deus.

2015 Alexandre Robles

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Fujam dos ambientes religiosos manipuladores, intolerantes e alienadores, enquanto há tempo! Virão dias em que a ilusão que seus profetas anunciam não suportará a realidade.

Era sobre isso que Jesus falava, quando advertia seus seguidores sobre os dias difíceis. Há que se ter fé!

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Em dias apocalípticos como os nossos, Jesus advertiu da importância de não sobrecarregarmos nosso coração com as realidades alienadoras e anestediadoras dos sentidos, como a futilidade e o ufanismo de nossa geração consumista e hedonista; também não buscarmos o prazer como um fim em si mesmo, que transforma todas as experiências, das alimentares às sexuais, numa orgia de sentidos; e ainda sobrecarregarmos a alma com as ansiedades da vida, que geram fobias, temores, ilusões frustadas e adoecimentos emocionais e físicos.

Ele deixou claro que tais dias viriam e se repetiriam até o fim de tudo e avisou-nos como agir e pensar. É hora para se ter fé!

2015 Alexandre Robles

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O que está acontecendo no mundo não é tão odioso quanto os intolerantes religiosos tentarão provar com sua xenofobia e não é tão simples quanto os progressistas tentam afirmar desprezando a influência cultural e religiosa que a migração causa na Europa.

Sobretudo, nada foge ao que Jesus afirmou que ocorreria, sendo apenas o princípio do fim, o que vem será pior num nível que nossa pior experiência ainda não provou.

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Hoje cedo ouvi que há pessoas vendendo água com preço 300% maior, em Governador Valadares, cidade que é gravemente afetada com a interrupção de consumo, por causa do crime ambiental cometido pela Mineradora Samarco.

Como pode haver gente que tem coragem de lucrar com a tragédia de seus semelhantes?

Há pouco, acompanhando com pesar os ataques terroristas em Paris, vi que pessoas estavam abrindo suas casas para quem estivesse nas ruas e tivesse dificuldade de chegar às suas casas. Imagina, gente que abre sua casa para quem não conhece numa noite de atentados!! Logo após, vi que os taxistas estavam transportando de graça as pessoas até suas casas.

É diabólico lucrar com a tragédia e a dor. É divino ser solidário nela.

2015 Alexandre Robles

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SE QUER TER SUCESSO, NÃO SIGA JESUS

Jesus é o pior modelo de marketing, liderança organizacional, adesão e manutenção de seguidores, em comparação com as técnicas modernas de liderança. O paradoxo é que há uma porção de gurus organizacionais que o utilizam como o Maior Líder. Cômico e trágico. Jesus escolheu pessoas sem crédito e sem influência na sua época para serem seus seguidores; confundia-os o tempo todo ao ponto de no final do “programa de treinamento” eles ainda não haviam entendido quase nada. Tinha mensagens duras e não convidativas, quem queria segui-lo ouvia-o dizer que seria muito difícil ao ponto de não terem nem onde dormir à noite. Quando seus discípulos esboçaram não entender o que estava acontecendo e sugerirem que muitos estavam indo embora por causa de seu discurso, Jesus perguntou se eles não queriam ir embora também. Não fazia alianças estratégica, não era diplomata e não deixava de expor a verdade mesmo quando incomodava gente importante. Não fazia propaganda de si mesmo, se afastava quando sua popularidade aumentava e pedia para que as pessoas que tinham sido curadas não contassem a ninguém.

Eu sigo rindo das tolices escritas pelos gurus da auto-ajuda e da mística do executivo que segue os monges, que utilizam a imagem de Jesus como modelo de tudo aquilo que Jesus desprezou.

2015 Alexandre Robles

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O PASSADO SÓ EXISTE EM NÓS

Passado é condição emocional. Já não é e nunca mais se repetirá. Nós existimos no tempo presente, mas o passado é a existência do tempo em nós.

Por vezes tentamos reviver experiências e repetir histórias, a fim de consertar algo que ficou pra trás, como quem pensa que se tivesse mais uma chance, faria tudo diferente. Muitas vezes tentamos reproduzir cenários, clima e personagens de histórias já vividas. E tantas vezes repetimos histórias de outras pessoas, especialmente dos pais, quando trilhamos as mesas rotas sociais, escolhemos pessoas parecidas, cometemos erros semelhantes.

E o passado que já não é, existe com energia dentro de nós.

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SORRISO DE MONALISA

Deus é discreto, Ele se revela nos detalhes, especialmente os mais simples. Poucos percebem seu poder revelado nos fracos e desprovidos; sua alegria na simples felicidade de uma criança; sua sabedoria disfarçada no silêncio dos humildes e incautos; sua vitalidade empacotada pela pequena semente.
Ao homem cabe ser espalhafatoso, mas Deus não chama a atenção, como nós, nem de si mesmo fala fazendo propaganda ou apresentando argumentos, apenas se mostra naturalmente em cada traço de sua arquitetura universal.

Quem quer ver a Deus precisa andar atento aos detalhes da obra.

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PARA COM ISSO

Havia uma mulher flagrada em adultério. Os religiosos recorriam à Lei e às suas interpretações e tradições que diziam que ela deveria ser apedrejada. Com pedras nas mãos a levaram até Jesus para testa-lo. Jesus afirmou que somente quem nunca tivesse pecado é que poderia executa-la. Ninguém ousou. À mulher Jesus disse: siga sua vida e não peque mais.

A gente sempre tem duas chances de parar de fazer o que é errado, o que nos agride, o que nos domina, o que nos desumaniza, o que fere a outros, o que nos afasta da experiência da presença de Deus. Através da morte, ou através da decisão simples de parar.

Não precisamos esperar a morte para mudar em nós o que precisa ser mudado. Não devemos afirmar que nascemos e morreremos sendo quem somos.

Há momentos em que tomamos consciência de quem somos e de algo que fazemos. Às vezes, na experiência de dor e vergonha, de julgamento e flagrante, como aquela mulher. Tais situações, em que somos expostos ao que somos, são possibilidades importantes de simplesmente dizermos que acabou, que não mais seremos como antes, que vamos mudar, que podemos seguir em frente porque ouvimos em nossa própria consciência a Voz de Deus, da Vida, que nos disse para deixarmos as velhas roupas da vida escravizada pelo mal e seguirmos em frente vivendo o novo.

Não precisa ser com a morte, pode ser hoje, agora. Vai. Segue em frente e deixe tudo pra trás.

2015 Alexandre Robles

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ÁGUAS PROFUNDAS

Sou mergulhador. Até gosto da praia, gosto da brisa, do sol, do som, da maresia, da paisagem; mas me interessam, mesmo, as águas profundas.

Gosto de gente, da alma humana em sua profunda e bela complexidade. Até gosto das divertidas banalidades, de boas piadas, simples sorrisos, idiossincrasias e manias, belezas e gestos; mas me interessa mesmo o profundo da alma; emoções, impressões, causas, dores e significados.

Você até vai me encontrar na orla da praia dos encontros sociais simples, mas vai me conhecer mesmo, quando mergulharmos juntos, nos mares profundos de nossas almas. Então seremos amigos.

Prazer, eu.

2015 Alexandre Robles

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DE NOVO

Pedro, o amigo de Jesus, tinha acabado de passar a madrugada pescando. Havia sido um turno ruim, quase nada conseguiu. Ao amanhecer, encontrou Jesus à praia, ensinando. Jesus pediu que ele retornasse ao mar para pescar. Nisso, naturalmente, Pedro disse que já havia tentado a madrugada inteira. E sabe como é! Ele, Pedro, era o pescador, que entendia de marés e redes, de peixes e luas. Jesus, embora o mestre respeitado por seus ensinos, era filho de carpinteiro, entendia de bancos e mesas. Mas Pedro ousou obedecer.

De onde ele tirou forças para fazer a mesma coisa que havia acabado de fazer, sem obter sucesso?
Imagina, depois de se dedicar de todo coração a algo ou alguém e viver um fracasso esmagador, um abandono avassalador, uma perda irreparável, imagina, depois de algo capaz de desestabilizar completamente e roubar a esperança, ouvir uma voz dizendo pra tentar de novo, fazer de novo, amar de novo, servir de novo, fazer o mesmo, mesmo que o resultado de antes tenha sido tão sofrido!

Assim, Pedro fez tudo de novo. O milagre veio. Carregaram redes tão cheias de peixes que o barco quase afundou.

Há que ter muita fé para fazer de novo!

2015 Alexandre Robles

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SOCORRO

O Senhor ouve a oração do quebrantado, do contrito. Esta é uma esperança presente nos Salmos. Talvez seja a última esperança de muitos. Provavelmente será de cada ser humano, em algum momento da vida, quando não houver forças, recursos e possibilidades.

Que força extraordinária há na fraqueza humana que sussurra a Deus por socorro, carregando apenas fagulhas na alma.

Em algum lugar, agora, me solidarizo com quebrantados e contritos. Paz e bem!

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FALTA AMOR NA CIDADE

A vida se sustenta no sacrifício. Tudo o que há encontra no sacrifício de Jesus sua razão final. O amor é um ato sacrificial. Sacrifício é entrega voluntária do que se é, tem, sabe e pode, por alguém que não necessariamente merece. Às vezes sim, ou pelo menos inspira amor fraternal e romântico. Nem sempre.
Nossa geração elegeu o conforto e o prazer como metas pessoais, que se não alcançados fazem do indivíduo o ser fracassado e sem sentido. O sentido é o prazer.

Por isso, viajamos mais que os navegadores europeus da idade média, comemos mais que os nobres dos séculos passados, extraímos mais prazer do nosso corpo que um sultão em seu harém, dominamos mais tecnologia estética, cosmética e médica que as teorias futuristas dos pós-guerra jamais seriam capazes de prever e mesmo assim, somos tão vazios, infelizes, doentes de alma, sem ideais e patéticos.

A razão principal é a falta do amor-sacrifício, que segundo o Apóstolo Paulo, Camões e Renato Russo, sem o qual, eu posso realizar feitos extraordinários que nada valerão, serão como sinos que fazem barulho, mas não são melodias musicais.

O maior paradoxo da existência é que somente é feliz quem se sacrifica em amor pelo outro.

2015 Alexandre Robles

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AMOR OU EXTORSÃO

“Eu dou a minha vida, ninguém a tira de mim, fui autorizado por meu Pai a fazer isso”.
Jesus Cristo em João 10

Jesus ensinou o amor completo, que é dar a vida por quem não merece. E ensinou também que amor é entrega voluntária do que se tem pra dar. Ninguém roubou dele, ninguém arrancou, Ele deu, porque quis e quando quis. E deu porque tinha para dar, porque o Pai o autorizou a isso, porque era Senhor de sua vida.

Amar é dar o que tem pra dar. Quando, em nome do amor, deixamos as pessoas tirarem de nós o que não temos para oferecer, seja tempo, saúde, alma, vida, estamos sendo extorquidos, roubados, invadidos. Isso não é amor.

Amar é dar espontaneamente somente o que se tem pra dar.

2015 Alexandre Robles

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QUERIA ABRIR SUA CABEÇA PRA VER SE ENTENDE

Jesus também experimentou a impotência. Ele quis acolher, cuidar, libertar, ensinar (como quem deseja abrir a cabeça de quem se ama para que entenda o que está fazendo da própria vida), mas não quiseram.

“Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que são enviados a vocês! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram.”
Mateus 23.37

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BOM APETITE

Enquanto temos uma tendência de tratar a espiritualidade de modo mágico, a mensagem de Jesus insiste em fazer referência sobre o pão que alimenta, a água que sacia, enfim, indicando que deveríamos tratar nossa espiritualidade como uma prática constante de alimentar a alma; ou seja, seguir Jesus não é um questão de conhecer e controlar mecanismos mágicos de mudança de realidade, mas alimentar-se corretamente para se viver melhor.

Ter comido ontem não me isenta da necessidade de comer novamente hoje. Simples assim! Bom apetite!

2015 Alexandre Robles

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PENSAMENTO DE PAI

Criar filho é como lançar sementes. A gente escolhe as que acredita serem melhores, lança no solo do coração deles, depois ora bastante, entregando os temores ao Criador, porque não dá pra saber exatamente como elas estão crescendo ali dentro. A gente até consegue proteger para que calor, luz e água sejam dispensados na medida certa; a gente avalia o solo, faz projeções. Também é possível afastar as pragas e tentar evitar que ervas daninhas cresçam ao redor, mas no final das contas, o fruto é o filho mesmo que dá, porque será o que ele é; então a gente percebe que terá sido apenas bom cultivador de sementes.
Tem um tempo em que as sementes estão escondidas, sem mostrar sequer os brotos. Nessa hora a gente ora mais, entrega tudo ao Criador.

Tudo o que eu não sabia em mim, nele eu aprendo a encontrar.

Alexandre Robles

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Cegos, surdos, mudos

Jesus morreu e ressuscitou para que a morte do menino sírio não seja em vão; morreu e ressuscitou justamente para nos salvar de nossa malignidade humana que produz realidades como aquela. Vivo em fé discreta, pois sei que seremos todos resgatados e isso me traz esperança, mas preciso caminhar com lágrimas de tristeza diante da calamidade de nossa civilização.

Não há espaços para o cristianismo ufanistas e debochado de uma massa que se aglomera ao redor de discursos malignos e idiotas como o da Teologia da Prosperidade.

Não há espaços para shows de performance alienada aos quais os cultos se transformaram, com gente cantando e repetindo tolamente jargões que enfatizam um deus ocupado de realizar mesquinhos desejos de mesquinhos religiosos que se acham tão especiais, num mundo agonizante, ao ponto de acreditarem que suas rezas, campanhas e barganhas os habilitam a viver uma vida isenta de dificuldades.
São cegos, surdos, mudos.

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SOBRE OS MOVIMENTOS DO OLHAR

Quando criança, descobrimos o mundo olhando o que nos cerca, o que está fora. Quando jovens, percebemos que o mundo não combina com o que enxergamos dentro de nós e entramos na vida adulta desenvolvendo o olhar sobre nós mesmos. Já maduros, passamos a olhar pra cima, em gratidão e esperança, de que haja mais vida depois que esta jornada acabar.

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LUTA, LUTO E VIDA.

Davi sabia que seu filho estava à beira da morte, então pôs-se a clamar a Deus insistentemente, para que seu filho não morresse. Quando o menino morreu, ele levantou-se de sua luta, tomou banho, saiu de seu quarto e procurou sua esposa para gerarem outro filho.
Não me canso de extrair significados desta história!
Enquanto há um fio de esperança, clamamos a Deus pela cura de quem amamos. Não desistimos, enquanto há um sopro de vida. Choramos, lutamos, acreditamos, até o fim.
E quando morre, uma vez vivido o tempo adequado do luto, levantamos e recomeçamos, vamos viver tudo de novo, porque é o que nos cabe fazer.
Tudo a seu tempo e a seu modo.
2015 Alexandre Robles

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EMBAÇADO

Certa vez Jesus curou um cego em duas etapas. Na primeira vez perguntou se ele enxergava e tudo estava embaçado, confuso. Na segunda, tudo claro.

Ele queria ensinar aos seus discípulos que todos nós vivemos a mesma experiência; até mesmo aquele que mais enxerga entre nós, ainda vê menos do que de fato é a realidade.

Fé é admitir que Jesus é quem nos cura a visão espiritual e que, mesmo assim, a gente enxerga só um pouco, numa experiência de visão que vai clareando a cada dia, até o dia em que apesar das vistas cansadas pela idade, a alma já esteja discernindo melhor a vida.

2015 Alexandre Robles

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QUANDO USO O NOME DE DEUS EM VÃO

Deus é a desculpa mais usada para nossas maldades, autoenganos, pseudopiedades, abusos, guerras, violências, roubos, intolerâncias, preconceitos, omissões, preguiças, manipulações, e toda sorte de ações que por falta de coragem de assumirmos a responsabilidade, lançamos sobre Ele a razão, o motivo, a culpa.

Que Deus nos salve da ideia de Deus que criamos para justificar nossa frágil e conflituosa experiência humana.

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O RIO SEMPRE SEGUE SEU RUMO. ‪#‎SQN


Cada um de nós nasce com um ímpeto, que tem a ver com nossa personalidade, nossa essência. Trata-se de herança, aquilo que nos liga aos nossos antepassados e nos torna parte deste inconsciente ancestral humano. Somos isso. Como um rio que segue seu caminho e não importando muito quais sejam suas margens limitadoras, desemboca sempre no mar, alguns mais rapidamente e com maior energia, outros, ainda que gotejando.

Rio que não chega ao mar vira represa. Quando não há apenas margens naturais que o moldam, mas obstáculos que o impedem de realizar sua sina. Há elementos de contenção que tentam nos impedir de sermos quem somos e estão ligados à moral familiar e religiosa, aos traumas inibidores, às necessidades carentes de aprovação, ao medo do fracasso, etc.

A vida represada causa intenso sofrimento. Gente foi feita rio, precisa seguir quem é para desembocar no mar da existência de significado.

2015 Alexandre Robles

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UMA ESCOLA CHAMADA PATERNIDADE

Sei que, como pai, preciso ensinar meu filho, prover-lhe satisfação das necessidades essenciais, protege-lo dos perigos e estimula-lo ao desenvolvimento e à autonomia. E sei que muitos pais se esquecem dessas tarefas, portanto, poderia escrever sobre cada uma. No entanto, ultimamente tenho pensado no que meu filho me ensina e realiza em mim.

Aprendo com ele quem fui e quem sou. Descubro muito de minha identidade, quando ao cuidar dele no dia a dia, vejo em mim padrões, comportamentos, jeitos, trejeitos, tendências, palavras e tom de voz, que herdei de minha mãe, avós, tios, mestres. Todos os que imprimiram em mim um pouco de si, me visitam quando estou tocando a vida do meu filho. Assim, nossa relação parece um submarino que enquanto navega águas profundas, levanta o que há de submerso, revelando tesouros náufragos e criaturas desconhecidas de meu inconsciente.

Meu filho é um espelho através do qual vejo o meu passado e me dá oportunidade de tratar de modo realista, misericordioso, perdoador. Entendo tanto os meus pais; suas razões, intenções, decisões!

Aprendo com meu filho um pouco mais sobre o Amor de Deus. Eu sou falho, egoísta, preguiçoso, irascível, enfim, você sabe. E ainda assim consigo amar meu filho de uma maneira tão abnegada! Penso em como ele está; no que posso fazer para o seu bem; trabalho para dar-lhe conforto e oportunidades; velo seu sono e cubro-o no frio; se preciso for, aguento a fome para ele comer. E me alegro em ve-lo brincar, jogar e ganhar, se divertir. Responsavelmente permito-o sofrer frustrações e perdas, consolo sem fragiliza-lo, demonstro a importância do cuidado e das consequências na vida.

De vez em quando, lembro que Deus é meu Pai do tipo infinitamente melhor que eu.

Também aprendo os limites da individualidade, enquanto sou desafiado por minha consciência a diminuir minhas projeções sobre quem ele é e quem irá se tornar. Ele é outro, não extensão de mim. Sou desafiado a ensinar-lhe valores de vida e fé, mas a não impor comportamentos e práticas religiosas. Ensino e oro pedindo a Deus que se revele a Ele. Trabalho meu coração para não projetar sobre ele expectativas profissionais e financeiras, mas apenas expressar meu desejo de que ele seja um bom homem, que saiba viver bem a vida, que promova o bem aos seus.

E quando tendo a anular a mim mesmo a fim de que tudo seja pra ele, especialmente quando em minha vida eu disse que suportaria situações indignas por causa dele, ouço Nosso Pai dizendo que não deveria fazer isso, porque havia o risco de em abrindo mão de muito hoje, quando ele crescesse e seguisse seu caminho, eu poderia exigir que ele me deve algo. Entendi que devo dar ao meu filho o melhor de mim, mas não tudo o que sou, porque de tudo o que eu abrir mão hoje por causa dele, posso cobrar amanhã sem que ele tenha qualquer responsabilidade.

Aprendo com meu filho a ama-lo sem abrir mão de quem eu sou, a fim de que tudo o que lhe ofereço hoje, sendo doação não constrangedora, não seja cobrado quando ele estiver escrevendo sua história, talvez distante de mim; fazendo suas escolhas, diferentes das minhas; sendo quem ele é.

Quando chegar o dia de ele seguir em frente, eu espero poder agradecer a Deus a oportunidade de ter podido cuidar dele sem me perder de mim mesmo, a fim de que enquanto ele se aventure escrevendo sua própria história, a minha não tenha um ponto final, apenas a vírgula da adaptação e da reinvenção digna da maturidade.

Sobretudo, oro a Deus que permita que meu filho seja pai também, para que possa entender o quanto o amo e comece a aprender as lições mais importantes da vida, com o seu filho.

©2015 Alexandre Robles

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COMO UMA ONDA NO MAR

Quando a vida bater forte e você se sentir perdido, sozinho, sem forças, faça como se costuma fazer no mar. Sabe quando a onda que vem é maior do que esperávamos e sabemos que ela vai nos derrubar? Nessas horas nós devemos agachar e deixa-la passar por cima. Certamente ela vai nos desestabilizar e nos mover do lugar, vamos até tropeçar, mas será melhor do que enfrenta-la de peito aberto, pois nesse caso ela nos afoga mesmo.

Quando as ondas mais fortes da minha vida bateram em mim, eu achei que poderia enfrenta-las de peito aberto. Aprendi a lição! Quando acalmei a alma, esperei em Deus, sofri quieto, vi que a onda que passa por cima, lava mas não afoga.

Hoje, tenho mais respeito pelo mar da minha história, sigo apreciando o vento na praia, admirando a magia do surfe e continuo gostando das ondas, sigo entrando no mar, sem medo de morrer na praia e certo de que as experiências de perda mais profundas são como a onda do mar que amo, elas passam, eu fico. E sigo.

Vai passar! Acredite! Paz a quem precisa!

2015 Alexandre Robles

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COMO UMA ONDA

Quando a vida bater forte e você se sentir perdido, sozinho, sem forças, faça como se costuma fazer no mar. Sabe quando a onda que vem é maior do que esperávamos e sabemos que ela vai nos derrubar? Nessas horas nós devemos agachar e deixa-la passar por cima. Certamente ela vai nos desestabilizar e nos mover do lugar, vamos até tropeçar, mas será melhor do que enfrenta-la de peito aberto, pois nesse caso ela nos afoga mesmo.

Quando as ondas mais fortes da minha vida bateram em mim, eu achei que poderia enfrenta-las de peito aberto. Aprendi a lição! Quando acalmei a alma, esperei em Deus, sofri quieto, vi que a onda que passa por cima, lava mas não afoga.

Hoje, tenho mais respeito pelo mar da minha história, sigo apreciando o vento na praia, admirando a magia do surfe e continuo gostando das ondas, sigo entrando no mar, sem medo de morrer na praia e certo de que as experiências de perda mais profundas são como a onda do mar que amo, elas passam, eu fico. E sigo.

Vai passar! Acredite! Paz a quem precisa!

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JESUS NÃO PRENDE NINGUÉM

Eu sou o Bom Pastor, que dá a sua vida pelas ovelhas. Eu sou a porta, quem entra por mim será salva; entrará e sairá e encontrará pastagem.
João 9

Jesus é o cuidador da alma, que fundamentalmente nos liberta de tudo o que nos aprisiona, adoece e mata. Isso é sua salvação. Não há aprisionamentos em Jesus e no seu Evangelho, de tal modo, que os seus, entram e saem, livremente, de forma espontânea, não são cerceados. Para seguirem Jesus precisam ouvir e reconhecer sua Voz, no coração, porque não há condicionamentos, manipulação, regras de contenção. Não! Os que estão em Jesus, entram e saem. Entram e saem! Que extraordinária liberdade!

Quem lê as Escrituras com a fé simples de nela encontrar Palavra de Vida, especialmente a partir dos Evangelhos que registram a vida e as palavras de Jesus, jamais serão manipulados de qualquer ordem e jamais se sentirão coagidos pelo medo a permanecer em qualquer sistema.

A Religião aprisiona, trabalha com o medo de que se eu deixar de seguir ou fazer o que mandam, serei castigado; ou que se eu resolver deixar aquele ambiente religioso, serei castigado por seres espirituais que se vingarão de minha decisão de romper com tal realidade.

Saia! Se você faz parte de uma realidade religiosa em que seu guru, pastor, pai de santo, padre ou qualquer que seja a referência de liderança, tenta prender você a partir de mentiras de que você não pode romper com ele ou com o sistema sob o risco de ser castigado pelos seres espirituais, então saia agora, sem medo, em nome de Jesus.

Saia e não entre em nenhum sistema religioso, apenas siga Jesus no chão da vida, em fé no Evangelho, orando de modo simples, onde você está, sem a necessidade de qualquer mediador entre você e Deus.

Aliás, ouse orar com fé simples, sem mecanismos e sem mediadores, a Deus, somente ao Criador, em nome de Jesus. E depois, fique à vontade, entre e saia, pode sair, você está livre para segui-lo ou não, em sua vida.

Liberte-se de toda pressão, cobrança, manipulação, praga, encosto, mandinga, macumba, “trabalho”, seja lá o que tenha sido feito. Apenas creia no Pastor de sua alma, deixe Jesus guiar você.

Então haverá liberdade, por causa de Jesus, amém!

2015 Alexandre Robles

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MEDO E FRIO

“O perfeito amor lança fora o medo”, disse o Apóstolo João. O aperfeiçoamento do amor é proporcional à diminuição do medo. Pessoas que se desenvolvem em ambientes seguros de aceitação, temem menos os desafios da vida, arriscam mais, realizam sem medo dominante de fracasso.

Somos uma geração sem vínculos de amor. Relacionamentos acabam com grande facilidade, filhos se sentem desamparados por pais dispostos a tudo por suas carreiras, mulheres temem o abandono diante de uma avassaladora máquina de propaganda do corpo perfeito e do sexo extraordinário, homens temem a sensação de inutilidade nesse novo mundo de competição com as mulheres por seu espaço na sociedade.

Poucos são os que se sentem realmente seguros sobre o amor que os cerca e poucos são os que amam com o compromisso da vida dedicada.

O amor está esfriando, como Jesus advertiu que seria. Frio e medo nos envolvem.

Aqueles que se aventurarem a amar de modo simples e rotineiro, serão responsáveis pela manutenção da vida e por evitarem a extinção de nossa civilização.

O que está acontecendo é muito sério! Não sei quantos de nós entenderão a gravidade desses dias! Oro a Deus que nos salve e proteja.

2015 Alexandre Robles

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PRA UMA SÓ PESSOA

De vez em quando acordo com a sensação de que o que realizo não é tão relevante. Isso se dá, primeiro, por causa da percepção que tenho de meus pecados e fraquezas. Fato. Mas também por causa da impressão de que não muitas pessoas são atendidas. Isso por causa da noção de que os números evidenciam o sucesso, especialmente em nossa geração, marcada pelas multidões de seguidores instantâneos e publicações que “viralizam” em poucas horas. Quando poucos os “likes”, soa-nos irrelevante a vida. Ilusão.

Dia desses, relendo o texto dos Atos da primeira igreja, no Novo Testamento, fui lembrado de que seu autor, Lucas, que também escreveu o “Evangelho de Lucas”, fez todo o esforço de escrever dois grandes e densos livros para um só leitor, o Teófilo. Imagina, escrever dois dos textos mais importantes da história ocidental para apenas uma pessoa!

Lucas me lembrou um princípio do Reino de Deus, de que quem atende a uma só pessoa, atende ao mundo inteiro, porque o Rei multiplica o impacto da ministração tão livremente quanto o Espírito que sopra onde quer e leva consigo o que é importante para abençoar multidões.

Assim, mesmo nos dias em que tenho a impressão da irrelevância histórica, sigo produzindo sem me deixar levar pela pressão dos números. E quem sabe um dia tomo a coragem do Lucas e me dedico a um só, com a fé de que terei realizado a obra de minha vida.

©2015 Alexandre Robles

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RECONCILIAÇÃO

Uma das primeiras experiências existências descritas na História da Criação dos Antigos Hebreus, registrada no Gênesis, é a da ruptura das relações. Rompe-se com o Criador e as consequências são rupturas com o próximo, com a criação e consigo mesmo. A experiência da redenção é a reconciliação com o Criador, com a criação, com os semelhantes e consigo mesmo. Como escreve Paulo de Tarso “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o Universo e nos confiou o ministério da reconciliação”.

Benditos os que falam da parte de Deus sobre seu amor e sua Graça acolhedoras; os que nos ensinam a harmonia da vida no Planeta que promove sustento e preservação; os que derrubam muros e constroem pontes entre homens, etnias e culturas; e os que nos guiam à aventura do olhar interno, em busca do conhecimento mais valioso da existência humana, o conhecimento de si mesmo.

2015 Alexandre Robles

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FILHO, O MUNDO É UM MOINHO

Abaixo, palavras de um pai para a filha decidida a viver de modo irresponsável a sua vida; parte de uma música de Cartola. Semelhante ao Pai da parábola dos filhos perdidos, contada por Jesus. Semelhante ao olhar sofrido e amoroso do meu amigo pelo filho que aos 16 anos de idade acha-se invencível e se precipitou às drogas. Eu que tenho filho, oro e choro a dor dos pais que veem os seus saindo de casa, na esperança de que voltem.

“Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Presta atenção, querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés”.

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ABUSO RELIGIOSO

Há formas de abuso que não têm diagnóstico preciso, por não serem físicos, mas que causam danos igualmente sérios em sua vítimas. O abuso religioso/espiritual é um deles. Através da coerção, da manipulação emocional, da extorsão de bens materiais, da intimidação mística, do amedrontamento punitivo e social, etc.
Gente que entregou todo patrimônio para líderes corruptos, que casou-se ou separou-se por ordem de algum guru, que vulnerável emocionalmente deixou-se seduzir pela influência manipuladora e carismática, que admirou e amou sinceramente um pregador que lhe abriu os olhos para a fé, mas que depois se mostrou um engano.
Não tenha medo de se libertar de algemas de tais ordens. Se você está em um ambiente religioso nocivo à sua saúde emocional e mental, não tenha medo de se libertar dele. Abandone seu líder, pastor, padre, pai de santo, guru.
Estou à disposição de gente que precisa reconstruir sua alma e redefinir sua espiritualidade, gente que se sente perdida em sua fé, machucada e que honestamente quer encontrar luz para sua vida.
Pode me escrever, conte comigo.
Sinceramente, como um irmão que está tentando seguir os passos de Jesus numa caminhada de cura pra alma e sentido pro existir diário.

2015 Alexandre Robles

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JOGOS CRUÉIS

Crueldade é quando eu sei e posso, mas não ajo. Posso ser cruel quando sei o que uma pessoa precisa receber de mim emocionalmente e não ofereço por pura teimosia ou capricho; ou quando sei o que a pessoa quer dizer, quando ela mesma não consegue explicar, mas não respondo enquanto não a ouvir dizendo; ou quando já entendi suas motivações, já compreendi a origem de seu erro, já perdoei, mas não abro mão de um ato de reparação que me convença do arrependimento; ou quando sei o que agrada, sei como um simples afeto meu traz paz, aceitação e equilíbrio e não faço sob o risco de parecer vulnerável; ou quando sei que agi errado e que deveria pedir perdão, mas não peço para não dar razão à demanda do outro.

A crueldade é uma das manifestações mais lamentáveis de desamor, pior que a raiva, a rejeição, ou equivalentes, pois estes são fruto de incapacidade, descontrole e desconhecimento, mas a crueldade é ação consciente.

Segundo o irmão Paulo, da Bíblia, quem sabe e não faz, comete pecado.

2015 Alexandre Robles

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DIA DOS NAMORADOS OU DIA DA ENTREGA DO SACRIFÍCIO

Abraão queria ter um filho. É legítimo. Deus lhe deu. Depois Deus pediu que sacrificasse o filho. Aceitou entregar o próprio filho, não porque abrisse mão de ser pai, mas porque acreditava que Deus o traria da morte, se de fato tivesse que sacrificá-lo. Antes, Deus disse que não seria necessário ir até o fim.

Para além de questões teológicas e históricas, o que estava em jogo não era o sacrifício do filho, mas a entrega da obsessão. Para que Abraão não transformasse sua relação com o filho como centro de sua existência.

O legítimo se tornaria obsessão. Parte da vida se tornaria seu centro. Entregar o que desejamos muito ou o que nos é muito importante é dar-lhes lugar correto na existência.

E isso serve também para namoros e casamentos. A única maneira de não transformarmos em neurose obsessiva o desejo por um relacionamento ou o medo de perder alguém é a entrega a Deus pela fé.

Quem entrega espera em paz e desfruta sem medo.

©2015 Alexandre Robles

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ENCONTRO DE GERAÇÕES AFETIVAS

Os filhos da estabilidade são a geração que experimentou a estabilidade familiar, quando os casamentos duravam pela vida toda, não necessariamente por sua saúde, sobretudo pelas conveniências e obrigações. Fato é que não havia grandes temores de que os pais se divorciariam.

Já os filhos da incerteza são a geração que experimentou o rompimento dos vínculos e compromissos familiares, especialmente causado pelo divórcio.

Enquanto os filhos da estabilidade, por temerem pouco a separação, costumam desenvolver linguagem afetiva desapegada e até displicente, os filhos da incerteza desenvolvem linguagem carente e insegura.

E eles se encontram em seus relacionamentos. O conflito de linguagens e expectativas pode causar muita dor, mas também pode ser diminuído conforme compreendemos nossas necessidades e linguagens.

Então os filhos da estabilidade começam a ser mais atentos e cuidadosos com o afeto e as demonstrações de segurança aos filhos da incerteza, discernindo que não podem ser desatentos porque o mundo não é mais estável como antes, quando não importava o que se fizesse ao outro, dificilmente ele desistiria.

E os filhos da incerteza começam a assimilar a maneira segura dos relacionamentos estáveis, tornam-se mais confiantes de que são amados de modo mais profundo, discernindo que precisam vencer sua inconstância emocional e assumir vínculos duradouros.

Os filhos da estabilidade precisam saber que não podem agir de qualquer jeito ou sem cuidado, porque além de ferir profundamente, não há garantias de que os filhos da incerteza resistirão e permanecerão apesar de quase tudo.

Os filhos da incerteza precisam saber que não serão abandonados facilmente e que são possíveis os relacionamentos duradouros; isso lhes nutrirá a alma para que eles mesmos aprendam a permanecer, apesar de quase tudo.

©2015 Alexandre Robles