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ENCONTRO DE GERAÇÕES AFETIVAS

Os filhos da estabilidade são a geração que experimentou a estabilidade familiar, quando os casamentos duravam pela vida toda, não necessariamente por sua saúde, sobretudo pelas conveniências e obrigações. Fato é que não havia grandes temores de que os pais se divorciariam.

Já os filhos da incerteza são a geração que experimentou o rompimento dos vínculos e compromissos familiares, especialmente causado pelo divórcio.

Enquanto os filhos da estabilidade, por temerem pouco a separação, costumam desenvolver linguagem afetiva desapegada e até displicente, os filhos da incerteza desenvolvem linguagem carente e insegura.

E eles se encontram em seus relacionamentos. O conflito de linguagens e expectativas pode causar muita dor, mas também pode ser diminuído conforme compreendemos nossas necessidades e linguagens.

Então os filhos da estabilidade começam a ser mais atentos e cuidadosos com o afeto e as demonstrações de segurança aos filhos da incerteza, discernindo que não podem ser desatentos porque o mundo não é mais estável como antes, quando não importava o que se fizesse ao outro, dificilmente ele desistiria.

E os filhos da incerteza começam a assimilar a maneira segura dos relacionamentos estáveis, tornam-se mais confiantes de que são amados de modo mais profundo, discernindo que precisam vencer sua inconstância emocional e assumir vínculos duradouros.

Os filhos da estabilidade precisam saber que não podem agir de qualquer jeito ou sem cuidado, porque além de ferir profundamente, não há garantias de que os filhos da incerteza resistirão e permanecerão apesar de quase tudo.

Os filhos da incerteza precisam saber que não serão abandonados facilmente e que são possíveis os relacionamentos duradouros; isso lhes nutrirá a alma para que eles mesmos aprendam a permanecer, apesar de quase tudo.

©2015 Alexandre Robles

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