Publicado em

QUER SAIR DESSA?

Algumas vezes, buscamos quem possa nos ouvir, sem nos darmos conta de que há estágios de nossa busca por soluções de situações e emoções. O primeiro estágio é o da busca por aprovação, queremos que o conselheiro, terapeuta, confidente ou sacerdote nos ouça e concorde com nossas motivações e atitudes. Muitos param por aqui e vão trocando de interlocutor quando são confrontados; interrompem a terapia, fogem das conversas.

Um segundo estágio é quando buscamos ajuda mágica e mística para questões que dependem de processos. É quando depositamos sobre pessoas uma expectativa de que elas tenham uma palavra, uma direção, que sejam oráculos, que sejam profetas de Deus, capazes de nos dizerem uma palavra suficiente para resolver tudo, de uma vez. Por isso que muitas vezes procuramos até um adolescente, quando ele nos inspira ser uma “pessoa de Deus”, para falar sobre crises de casamento e divórcio, educação de filhos ou crise de meia idade. Ora, não é lógico que a pessoa que está ouvindo não tem experiência para nos indicar algum caminho?

Fato que de vez em quando vivemos experiência de milagre em que o mesmo adolescente, não tão experiente na vida, é usado por Deus para nos dar uma palavra solucionadora. Mas isso é milagre e não expediente terapêutico.

Até que chegamos a um estágio mais consciente de nossa busca por tratamento e soluções, quando passamos a buscar orientação para abrir por dentro as portas e janelas de nossa alma; quando assumimos a responsabilidade de nossa própria condição e tratamos nossos ajudantes como orientadores e não mais como cúmplices ou oráculos.

A gente só sai de onde está quando dá um passo de cada vez na direção certa. Feito isso, nem a velocidade importa tanto.

2015 Alexandre Robles

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *