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A MEDIDA DO CHORO

Que droga existencial é esta que há em nossa consciência e que nos faz sentir culpa por pequenas alegrias e angústia depressiva em sofrimentos que são parte da vida? Sim, é uma espécie de droga, porque vicia-nos a pensar e a agir como se não houvesse outro meio de existir. Ela nos rouba a integridade das emoções, pois poderíamos ser mais felizes e gratos com as pequenas alegrias, aceita-las sem automaticamente nos cobrarmos por todas as faltas com que ainda convivemos; e poderíamos assimilar com mais serenidade as inadequações e os sofrimentos inevitáveis, procurar o abrigo das amizades sinceras e confiáveis, sem nos desesperar em angústias e fobias.
 
Daí, o convite bíblico, aparentemente obvio, ser tão elementar: “chorar com os que choram e se alegrar com os que se alegram”. É só isso que se pede da vida, reagir coerentemente ao que acontece. Quando alegre, sorrir; quando triste, chorar.
 
É por essas, e outras, que Jesus nos ensinou que o Evangelho opera conversão e transformação essencialmente dentro de nós, não fora. O bem do Evangelho não são objetos e circunstâncias, mas um coração protegido e fortalecido pela Verdade, de onde brotam todas as fontes da existência.
 
©2016 Alexandre Robles
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