Publicado em

Propósito traz paz, não pressa. Quem corre muito, não sabe exatamente o que está fazendo e nem pra onde vai; geralmente usa a correria para disfarçar ou por não saber lidar com excesso de energia.

Publicado em

O HOMEM DO POÇO

Sentada e com calor, a nuca marcada pela linha, agulhas firmes nas mãos riscadas pelo tempo, olhar atento aos pontos do tricô herdado da avó e atenção dócil a cada moça que a acompanhava toda tarde. Reuniam-se na praça para tricotar, peças e causos.

 

Ela percebeu que tinha poderes especiais, de advinha, não do futuro, mas do coração das pessoas. Fazia algum tempo, havia acolhido sua própria história e descobriu que era uma espécie de forno onde os pães de muitas mulheres seriam assados. Ela tinha experimentado tantos amores e dissabores, que cada uma que se chegava para contar sua vida encontrava uma cúmplice de emoções. “Eu sei, minha filha!” Era o que cada moça ouvia quando lhe contava sua história.

 

De tanto acontecer, acabou que foi assim, tornou-se a grande mãe do vilarejo. “Ouço sua história”. É o que todas ouviam em seu olhar.

 

Ela encontrou o sentido de sua senda, num sonho. Sonhou que era uma jovem cansada, jovem demais para ser velha, mas envelhecida demais para sentir-se jovem. Como de costume, assim como uma Maria com lata d’água na cabeça, ia em busca de água na nascente. Num dia comum, havia um homem próximo à fonte, sedento. Ele lhe pediu água e ela temeu a aproximação. Ele calmamente expressou cuidado e de um modo irresistível passou a segurança de um irmão que a acolheria. Disse que nem precisava daquela água, porque conhecia uma que matava a sede num gole só.

 

Isso despertou sua curiosidade e a fez pedir a água que poderia matar a sede para sempre. Ele respondeu que era uma água que matava a sede interior, a sede da existência.

 

Mas como ele sabia que o balde de seu coração era mais seco que o que carregava nas mãos? Quem era esse homem cativante e misterioso? Seu olhar denunciou o óbvio, ela queria a água. Ele então pediu que fosse chamar seu homem.

-Homem? Eu não tenho. Falou.

-Você já teve vários e este de agora também está escapando entre seus dedos. Ele respondeu.

 

Nesse instante, como é próprio dos sonhos, ela foi levada a cada momento de sua vida. Lembrou-se da rejeição da infância sofrida e órfã, de como teve de trabalhar muito cedo para ajudar na sobrevivência dos irmãos e de todo desamparo que sentiu, por ser tão menina e já conhecer a dúvida da colheita, por não saber se haveria pão no dia seguinte, por conviver com a escassez.

 

Foi conduzida para os primeiros olhares dos homens para seu corpo ainda em formação, lembrou-se de um ou dois que tentaram seduzi-la e se aproveitar de sua inocência de menina, sentiu o asco do toque, chorou. Recordou a culpa por acreditar que era sua responsabilidade o descontrole dos homens, sua culpa ser bonita, sua culpa! Profunda tristeza!

 

A magia dos sonhos a levou para o tempo em que sua juventude experiente a fazia sonhadora e segura. O primeiro homem veio como jardineiro, perfumando sua mesa e prometendo protege-la como se cuida do jardim. Sua morte prematura a fez pensar mais uma vez que não era digna de felicidade. Secou a alma.

 

O segundo lhe chegou como se fora um resgatador, com olhar altivo e exigente, arrogante, assumindo ser especial por dar atenção a uma mulher que já tinha suas experiências. Seu coração foi esmagado pela sensação constante de débito, nunca seria mulher para compensar tamanho cuidado. Esmiuçou os sonhos.

 

O terceiro era bom, simples, honesto, humilde, carinhoso, de tão bom que era a fazia sentir culpada por não corresponder tamanho amor. Dizia que seu amor era suficiente para os dois. Ela acreditou durante um tempo, mas não foi. Descobriu sua própria capacidade de fazer sofrer alguém especial, de todos os homens que conhecera, este era o melhor, mas o que não lhe despertava como mulher. Adoeceu o olhar.

 

O quarto não entrou, apenas passou distante, dele quase nada soube, apenas que não era capaz de amar uma só de cada vez. Como todo sedutor, não entregava o que prometia. Veio como num cometa, repetindo histórias já vividas, dando-lhe o sabor de mesmice na boca, fazendo-a se sentir estúpida por cometer erros já superados. Embruteceu o coração.

 

Até que sentou-se à frente do quinto, o que lhe escapava pelos dedos, por haver chegado fora de hora. Ela havia decidido não se tornar refém destes envolvimentos, dera-se conta de que precisava olhar somente pra si mesma, naquela fase. O quinto era apenas uma possibilidade que estava se perdendo. Firmou os pés.

 

Por isso que sobre este ela apenas disse ao homem com sede que não havia história, não havia nada. Não havia homem para trazer.

 

Com seu olhar, sua pergunta invasiva e ao mesmo tempo benvinda, o homem da fonte conseguiu relevar à moça que sua sede não poderia mesmo ser saciada com os romances que vivia, da forma que vivia, mas que dentro dela mesma havia um poço capaz de jorrar água viva. Não fora, mas dentro.

 

Ela entendeu, a moça entendeu que precisava olhar pra dentro, que precisava parar de buscar água nos braços do próximo aventureiro, que precisava matar sua sede em outra fonte. Era, na verdade, a sede da menina, de sua menina. O sonho a levou direto pra um balanço, no terreiro da primeira casa. A menina lá estava, ela a viu de longe. Balançava, cabisbaixa. Criança não pode balançar assim, precisa estar com a cabeça pra trás, os pés esticados para dar maior impulso, cabelos soltos e sorriso feliz. Não ela.

 

Foi até a menina, a abraçou e repetiu as palavras que ouvia o homem da água dizendo:

-Você é uma menina linda. Não tem culpa pelo que lhe aconteceu. As pessoas que não lhe amaram na infância, fizeram assim porque foram incapazes, elas não conseguiram, mas você é digna de cuidado, de colo, de amor, de amparo. Mesmo que seus pais não tenham conseguido mostrar isso pra você, você é digna de amor e cuidado. Eles fracassaram, não você.

 

Nessa hora sentiu-se digna pela primeira vez, digna de ser amada como nunca, livrou-se do sentimento de menosprezo porque pensava que se havia sido desamparada de tantas maneiras e com tanta intensidade era porque ela não era digna de amor e o que lhe cabia na vida era aceitar o que viesse, cabia-lhe apenas mendigar e aceitar.

-Você está crescendo, seu corpo é belo, chamará atenção, mas você não é responsável pela maneira como os homens lidam com isso, qualquer um que lhe olhar ou tocar tentando despertar o que ainda não está em tempo é uma pessoa muito má. Você não! Você não é culpada por ser mulher, por ser bela.

 

Foi curada da culpa que carregava por atrair olhares masculinos desde muito cedo, isso a fez conviver melhor com as lembranças das aproximações e dos abusos que sofreu.

-Os homens que foram embora e aqueles que você deixou são todos fermento da massa, eles fazem crescer, mas não são o pão, eles somem para que sobre apenas o pão, eles não são você, mas ajudaram você a chegar até aqui, despeça-os com graça e perdão, deixe-os ir, saboreie de si mesma, você está pronta.

 

Neste instante foi liberta do passado, sentiu cheiro de pão assado, aromas do café e do queijo à mesa, cheiro de vida. Resolveu viver.

 

O homem que lhe mostrou seu poço foi seu protetor verdadeiro, pela primeira vez ela sentiu o abraço do pai, pela primeira vez ela se viu no olhar do irmão, pela primeira vez ela acreditou que era digna e que poderia sim ser amada por um homem que além de ser seu amante, deveria ser também seu protetor.

 

O homem do poço se foi. A mulher abraçou a menina. A velha acordou do sonho.

 

Despertou e decidiu sentar-se à praça pra tricotar e acolher todas as moças que, assim como ela, precisavam sonhar sua própria libertação.

 

Toda tarde ela encerrava a prosa dizendo que acreditava que um dia, depois desta vida, iria novamente encontrar o Homem do sonho redentor. E as moças diziam amém! Também dizia que valia a pena acreditar que há homens amantes e amigos por aí, que não são e não podem ser fontes de sua existência, mas que de mãos dadas podem juntos matar sua sede na fonte eterna. E as moças diziam amém!

 

©2013 Alexandre Robles

Publicado em

EU CREIO, MAS DESCREIO.

Se isso serve para ajudar, confirmo que creio que Deus nos sustenta e que provê o pão de cada dia, sou prova disso; mas, confesso, todo dia preciso lembrar meu coração de que pode confiar, porque o medo é persistente.

Se isso serve para ajudar, confirmo que é muito bom ter uma vocação e viver por algo maior, desde cedo me descobri um pastor e vivo assim desde sempre; mas, confesso, sempre tem dias em que me pergunto se estou fazendo o que devo fazer, se deveria fazer algo diferente, se sou mesmo o que gostaria.

Não há confianças, alegrias, sentidos eternos, senão aqueles que acordam e dormem a cada dia e precisam ser alimentados, todo dia.

©2016 Alexandre Robles

Publicado em

O PRA SEMPRE, SEMPRE ACABA

Nós temos mentes mágicas. Há em nós uma busca instintiva por uma experiência finalizadora. O “felizes para sempre” e o “nunca mais” são artifícios mentais que alimentamos com nossa ilusão de definitivos.
 
Daí vêm as frustrações quando o período da paixão acaba e nós, que estávamos tomados por uma convicção de que seria eterno, somos dilacerados pela mudança inesperada de sentimentos. E até pior, vêm também as desistências depois de decisões mudança, quando pensávamos que o ato de decidir havia transformado completamente a realidade.
 
Apenas os rotineiros conseguem permanecer e alterar significativamente suas próprias vidas. Quem acredita na rotina, está alinhado ao funcionamento do Universo, onde não há espaço para magias, mas há que se preparar a terra, lançar a semente, regar o solo, aguardar o broto, acomodar o caule, para então colher os frutos.
 
O que há na vida é o “cada dia”. Hoje eu preciso tomar as mesmas decisões, novamente; hoje eu preciso alimentar bons sentimentos por quem e pelo que um dia me apaixonei; hoje eu preciso cumprir sadia rotina que um dia será responsável pela vida que irei colher. E ali, no fim, talvez eu chame de “pra sempre” aquilo que a “cada dia” eu repeti com sinceridade e dedicação.
 
©2016 Alexandre Robles
Publicado em

COMPAIXÃO

O que nos impede de nos tornarmos psicopatas é a capacidade de ter compaixão, porque é ela que nos faz sentir o que outros sentem e esta solidariedade com a dor do outro é o que nos limita em nossa maldade. Por ela também somos motivados a nos tornarmos altruístas e agirmos na direção da defesa de alguém, da doação de algo, da manifestação de sentimentos.
 
Nossa compaixão é seletiva. Sentimos por proximidade. Quando observamos diretamente, nos compadecemos; ou quando uma situação que eventualmente ocorra a milhares de quilômetros de distância, encontra similaridade em nós.
 
É também o que nos liga às outras pessoas. Sem ela, nos concentramos apenas em nós mesmos e nos fechamos obcecados em satisfazer apenas nossa necessidade. A falta de compaixão nos adoece à medida que nos faz pensar que somente nós sofremos, que somente nós existimos e que somente importa o que precisamos.
 
Ela pode ser estimulada através de um exercício de prestar atenção de modo consciente ao mundo que nos rodeia e tentar entender como se sentem as outras pessoas que nos cercam. A observação, seguida da ação simples na tentativa de ajudar alguém, cria o bom hábito de estímulo da compaixão, que nos salva de nosso egoísmo.
 
Agora, imagina o quanto nossa sociedade foi construída para desestimular a compaixão. Primeiro definiu que cada ser humano, individualmente deve lutar com sua próprias forças a fim de ser feliz. Somos apenas escravos do Mercado que se tornando nosso deus, sacralizou o consumo como a experiência religiosa universal e fez com que cada um de nós acreditasse em seu dogma da meritocracia, a fim de estimular a competição e abafar qualquer resquício de consciência culpada por ver a desgraça alheia, afinal, todo mundo tem a mesma oportunidade e quem se esforça bastante merece desfrutar de tudo o que há de melhor, afirma o código canônico do Senhor de nossa era, o Dinheiro.
 
A mesma sociedade que há pouco tempo experimentou a Revolução Industrial, que tornou cada ser humano numa peça da engrenagem da produção em escala; e há menos tempo experimenta a Revolução Tecnológica, que gerou o aumento exponencial de atrativos e distrações a fim de manter cada um de nós ocupado o suficiente com nossas próprias vidas limitadas, impossibilitando-nos de prestar atenção na vida que acontece ao nosso redor. Que, por fim, criou uma geração de haters, num ambiente hostil de ódio e estímulo à ofensa, ao abuso, à agressão. Estamos nos tornando historicamente semelhantes aos mais obscuros momentos em que a escravidão, o abuso sexual, a corrupção e toda sorte de maldade se institucionaliza, enquanto estamos suficientemente ocupados com as distrações de nossos gadgets mais sofisticados.
 
Houve um dia em que Jesus havia acabado de receber a notícia de que seu primo tinha sido assassinado, por motivos banais. Foi tomado de tristeza, própria de gente que ainda sente algo num mundo de insensíveis. Depois de um tempo de quietude, ele viu uma grande multidão que parecia estar perdida, sem rumo, com fome e dor. E mesmo com sua própria dor, teve compaixão dela e passou a cuidar de todos.
 
Jesus Viu, Sentiu e Agiu. Eis o exercício de nutrição da compaixão. Ela, que há de nos salvar quando chegarem os dias preditos por Jesus, em que o amor de muitos esfriará. Que bom que não de todos! Espero que não o nosso.
 
©2016 Alexandre Robles
Publicado em

ONDE FOI QUE DEIXAMOS CAIR?

Em algum lugar, a gente perdeu algumas noções. A de que as redes sociais são um ambiente público, em que muitas pessoas veem e leem o que publicamos, portanto ela se parece mais com a rua do que com a sala de casa. A gente ainda precisa falar em público apenas o necessário e reservar aos de casa a intimidade. Perdemos também a noção do constrangimento e da dor, pois pensamos que podemos comentar da forma mais agressiva e hostil, sobre qualquer pessoa, sem nos importarmos de que se trata de um ser humano, que se ofende e sofre, que sente. Lá atrás, também, ficou a segurança de uma autoestima mais apoiada no que pensamos a cerca de nós mesmos ao invés de nos incomodarmos tanto com o que as pessoas pensam de nós. Nos viciamos nas curtidas e nos comentários e medimos quem somos através disso. Perdemos também os limites de lealdade e traição. A linha se tornou tão tênue que algumas pessoas mantêm conversas íntimas e pornográficas pelo WhatsApp e acreditam que não estão traindo seus cônjuges somente porque não estão consumando fisicamente o ato. E ainda, jogamos fora o crivo, quando deixamos de analisar informações com rigor cuidadoso e passamos a compartilhar boatos e fofocas. É tão mais fácil compartilhar que pesquisar!
 
Perdemos tanto pelo caminho, que, confesso, quero saber quando é que na nossa balança, ganharemos mais do que perdemos com a mudança irrevogável de vida que a Internet nos proporcionou.
 
©2016 Alexandre Robles
Publicado em

SANTO DE CASA

Um dilema presente em todas as relações íntimas de um cuidador é a sensação da rejeição de sua oferta, especialmente dos mais próximos. Pastores que não sentem que seus familiares mais próximos lhes dão ouvidos; terapeutas que não têm acesso mínimo à alma de seus mais íntimos; professores que não conseguem inspirar aos estudos seus próprios filhos. Muitas vezes é assim! Foi assim com Jesus também. No desenvolvimento dos Evangelhos podemos observar este fenômeno presente. Ainda menino, discutindo Teologia com os Doutores da Religião, não foi compreendido pelos pais. Já adulto, ao iniciar seu ministério público, foi tratado com descrédito pelos irmãos. Em outra ocasião, sua mãe e irmãos pretendiam leva-lo de volta pra casa de qualquer maneira e Ele respondeu que sua família eram seus discípulos. Em sua cidade Natal foi rejeitado e afirmou que “o profeta não é aceito em sua própria terra”.
 
Traz sofrimento tal realidade, quando aqueles que atendem, ensinam e acolhem a tantos, não se sentem efetivos na tentativa de “pastorear” os seus. Gera incompreensão e quase sempre uma obsessão pessoal que leva à imposição. Nasce o conflito e muitas vezes as pessoas mais próximas passam a rejeitar enfaticamente qualquer tentativa de aproximação, ensino, acolhimento. Há uma resistência natural dos mais próximos, eles têm a impressão de que aqueles que pastoreiam, ensinam, acolhem estão sempre educando e analisando. Há que se falar menos, oferecer menos, orar mais.
 
E a esperança é de que os mais próximos hão de assimilar o que lhes é necessário na vida, através de outras fontes, e um dia irão olhar com respeito a quem manteve-se por perto, observando e disponível. Com Jesus foi assim. Depois dos conflitos familiares que viveu, sua mãe se tornou uma das mais próximas seguidoras, presente na crucificação até o fim, sendo cuidada pelo Filho até o fim, que pediu ao amigo João que acolhesse sua mãe como se fosse a mãe dele. Os irmãos de Jesus se tornaram líderes da primeira igreja; Tiago e Judas escreveram cartas que constam do Novo Testamento.
 
Por ora a resiliência do afastamento que compreende que “santo de casa não faz milagre”. Depois, a esperança de que os mais próximos desfrutem da mesma oferta que tantos recebem, mesmo que seja de outros.
 
©2016 Alexandre Robles
Publicado em

Há nos convites de Jesus um frequente incentivo a que assumamos a parte que nos cabe em tudo o que nEle buscamos solução. Ele diz: “Quem estiver cansado … venha”, “Tome sua cruz”, “siga-me”, “carregue sua maca”, “vá lavar-se”. E por aí vai. O primeiro passo para o resgate de Deus em nossa vida é nosso.

Publicado em

A alma tem portas com maçaneta apenas do lado de dentro. De fora ninguém abre e qualquer tentativa será invasão precedida por arrombamento. O máximo que podemos fazer é bater à porta, tocar a campainha, convidar, mas somente do lado de dentro é que a alma se abre para as mudanças que a vida do lado de fora tem para oferecer.

Publicado em

O analfabetismo funcional é dominar letras e números, mas não ter condições de interpreta-los e aplica-los. Muita gente conhece até acentos e vírgulas de textos bíblicos, mas é analfabeto funcional, pelo mesmo motivo.

Publicado em

SOZINHO NÃO

A gente teme mais a não proteção que a ameaça. Podemos atravessar um inferno se estivermos acompanhados, mas tememos até o silêncio, se estivermos sozinhos pela rua numa madrugada.

Essa é uma das heranças ancestrais do sentimento do Caim, que ao matar o irmão, elimina seu fator de proteção e se sente sozinho, precisando fugir. Ele matou seu companheiro, não somente aquém que deveria proteger, mas por quem seria protegido.

Jesus, de outro modo, momentos antes de ser preso e crucificado, precisando orar profundamente, não quis fazer isso sozinho, pediu aos amigos que ficassem por perto.

E Moisés disse que só enfrentaria o Faraó se o irmão fosse junto com ele.

Fato é que nossa coragem frente aos perigos da vida depende bastante das pessoas que nos fazem sentir seguros e protegidos.

2016 Alexandre Robles

Publicado em

EU POSSO DIZER NÃO A VOCÊ?

Há algumas razões, que nos levam a atitudes e comportamentos, que causam nas pessoas que mais convivem conosco a sensação de que elas não podem nos dizer “não”, de que nada podem nos negar. Às vezes somos exigentes, demonstramos rancor e amargura, espalhamos uma atmosfera de manipulação emocional chamando atenção demasiada para nossas demandas, etc. Por essas e outras, as pessoas se sentem constrangidas e obrigadas. Somos e agimos assim, muitas vezes por causa de carências profundas ou hábitos nocivos. Traumas e perdas nos tornam carentes e exigentes de atenção e aprovação e por não sabermos lidar com negativas, pensamos que quando alguém nos diz “não” para uma demanda, está nos abandonando ou rejeitando completamente. E a cultura familiar pode ser tão nociva, quando desde a infância fomos habituados a receber tudo com muita facilidade, fomos mimados por parentes que faziam tudo o que exigíamos sem nos permitir viver as benéficas experiências de frustração da infância e da adolescência.
 
São apenas algumas camadas de uma realidade que torna insuportável os relacionamentos, que é a impossibilidade de ser conviver com os “nãos” sem perder o equilíbrio e a continuidade.
 
O “não” precisa deixar de significar para nós abandono e rejeição e precisa ser assimilado como uma forma de limite amoroso, a fim de que libertemos as pessoas que amamos e nos libertemos também.
 
2016 Alexandre Robles
Publicado em

DA PRA MUDAR

Irritações, que são incômodos, tornam-se estresse e acomodam-se como linguagem nos relacionamentos, que chegam a ser transmitidos a outras gerações. De tão presente em nosso modo de reagir, passam a ser tratadas como se fossem parte da personalidade, aceitável, apesar dos estragos que causam nos ambientes. Para justificar o comportamento, pensamos ter direito às manifestações de irritação, diante das dificuldades da vida. Os irritados inclusive se irritam com a calma de outras pessoas, chegam a julga-los como se não se importassem.

Ninguém deveria viver irritado e qualquer pessoa pode tratar tal comportamento de modo consciente, pelas camadas.

Primeiro, assumir que se trata de um comportamento adquirido e não de um traço inato, ou seja, podemos e devemos mudar porque ninguém é obrigado a aceitar-nos do jeito que somos, porque não somos, apenas nos comportamos. Depois, avaliar que há situações e experiências que disparam tais processos e que podem ser modificadas. E então, assumir as rédeas das reações e aprender um novo comportamento, mais sadio pessoal e socialmente, como se fosse uma reeducação, assim como fazemos com a alimentação e os exercícios físicos.

2016 Alexandre Robles

Publicado em

O BLOCO DOS RECALCADOS 

Uma fantasia dos dias de Carnaval é a ideia de que toda pessoa tem cerca de quatro dias para ser e fazer tudo aquilo que não pode na vida normal. Deve-se viver sob o rigor religioso e moral durante todo o tempo e para aliviar participa-se do Festival da Carne, um tempo em que se dá vazão a tudo o que reprime. Assim nascem os carnavais ao redor do mundo.

O problema, a meu ver, não é esse tempo de Carnaval, mas uma vida inteira reprimida, porque o Carnaval perde sua razão de ser e sua intensidade para pessoas que não vivem vidas reprimidas.

Conheço um monte de gente que amaria fazer tudo o que vê as pessoas fazendo no Carnaval, mas não faz por medo de ser condenado e de tanto desejo que carrega, torna-se invejoso e moralista, condenando tudo o que todos fazem. Aliás, quanto maior o moralismo maior o recalque.

A melhor condição do coração é de quando a gente não se permite realizar certos exageros de corpo e alma não porque tem medo de ser punido, mas porque já sabe o valor de uma vida equilibrada e já desfruta de uma vida cotidiana sem pesos e sem excessos, em paz, que vive o que de melhor pode viver.

Uma vez uma pessoa disse a um pregador: “eu sinto pena do senhor, pois não pode fazer certas coisas por causa da função que exerce”. Ele então respondeu: “a diferença entre nós não é que você pode e eu não, mas que você quer e eu não”.

Feliz é quem não precisa de períodos de alívio para cometer excessos, porque vive de modo equilibrado o que é bom, saudável e prazeroso, sem recalque, na medida certa.

2016 Alexandre Robles

Publicado em

DEIXE IR

Uma vez, os discípulos mais próximos chamaram Jesus pra um canto e lhe “deram um toque”, afinal, Ele estava falando coisas muito difíceis de se ouvir, que atingiam profundamente seus ouvintes que, por isso, estavam se afastando. Ele estava perdendo seguidores. Então, Jesus fez o exercício do desapego, disse que eles podiam ir embora, caso preferissem e que Ele não faria nada para mantêm-los artificialmente, não tentaria fazer o que lhes agradava e não mudaria sua essência para não perde-los. E mais, ainda disse que os discípulos mais próximos podiam ir também. Jesus não queria que as pessoas ficassem obrigatoriamente e não mudaria, para não perder audiência.

Precisamos aprender a deixar ir, aqueles que estão demonstrando que não querem ficar.

Pedro, um dos discípulos próximos, declarou que não tinha pra onde ir, não queria ir embora, sabia que somente Ele tinha palavras de Vida.

É melhor a verdade dos que ficam porque querem.

2016 Alexandre Robles

Publicado em

CADA UM NA SUA

Jesus, como alguns de nós, tinha multidão de seguidores; contudo, Ele não confiava neles (João 2), porque sabia que o abandonariam quando mais precisasse. Como nós, Ele também mantinha sua “network”, seu grupo de parceiros de trabalho e colaboradores, cerca de 70 pessoas com quem compartilhava missão. Como nós, tinha seu pequeno grupo de convivência e amizade, seus 12 apóstolos. Destes, tinha seu grupo de maior intimidade, gente que o via chorando nos momentos mais difíceis, Pedro, Thiago e João. E quando estava morrendo, confiou a João o cuidado de sua mãe.
 
Não se fala à multidão o que somente os grupos menores podem ouvir; não se confia a própria família a pessoas desconhecidas; não se espera intimidade com a multidão de seguidores das redes sociais.
 
Nossa saúde relacional depende do reconhecimento e da importância que damos às diversas redes de relacionamentos que mantemos.
 
2016 Alexandre Robles
Publicado em

UMA CONVERSA COM JESUS

Estava conversando com Jesus sobre minhas ansiedades cotidianas. Tenho que trabalhar, alimentar quem amo, pagar despesas diversas. Então Ele me disse para “não estar ansioso, não me preocupar com minha própria vida, com o que vou comer e beber, porque a vida é mais importante que a comida e o corpo, mais que a roupa, que o Pai sabe que eu preciso destas coisas e que cuida de mim mais do que aos pássaros e às flores.

Mas eu ainda tinha o que dizer, não sei se Ele entendeu bem. Acontece que não me bastam apenas comer, vestir e morar em algum lugar, eu carrego anseios mais profundos, objetivos maiores e para viver nesses dias a gente precisa de algumas coisas a mais. Não se trata apenas do alimento, eu tinha que dizer a Ele que eu preciso frequentar alguns restaurantes novos que todos estão conhecendo e postando fotos. Não se trata apenas de vestir, eu preciso comprar tênis e roupa de marca. Não se trata apenas de morar, eu preciso de uma casa maior, com espaço gourmet para ter mínimas condições de aprender a cozinhar.

Ele então me explicou sou eu mesmo quem crio necessidades que não são nada além de projeções e desejos dispensáveis, que me mantêm adoecido e angustiado, consumindo o que não preciso, para mostrar o que não sou, a pessoas que não se importam.

Solenemente Ele afirmou que eu não posso passar a minha vida servindo a dois senhores, não posso dizer que a Ele dei meu coração se a maior parte de meus pensamentos, planos, ocupação, motivação são dedicados ao desejo de ter mais Dinheiro para poder realizar mais sonhos dispensáveis.

Depois, disse ainda que eu podia buscar antes de tudo o Reino de Deus e explicou que eu deveria viver a vida em paz, fazendo tudo de modo a mostrar a realidade deste Reino, que se vê a partir de valores de vida. Disse que o Reino de Deus se manifesta na maneira como vivo, como faço negócios, como trato as pessoas, etc.

Por fim, para me certificar, retoricamente balbuciei pra ver se eu entendi que então eu não deveria chamar de necessidade o que é apenas desejo ansioso de ter e ostentar o que de fato eu não preciso; que eu deveria criar um gatilho em meu consumo, que deveria perguntar se realmente preciso do que estou comprando ou planejando comprar; que eu preciso tratar minhas emoções que me dizem que eu preciso me bancar porque ninguém vai me ajudar nisso.

Mas e amanhã? Será que eu vou ter, amanhã? Jesus então terminou dizendo que a cada dia bastam as dificuldades daquele dia; que o amanhã será como hoje, com os mesmos desafios de fé e ocupação correta; que o Pai que cuida hoje, cuidará amanhã também e por isso eu posso me concentrar no hoje, no agora.

Ele sorriu com confiança e ternura e disse que eu podia viver em paz, porque Ele vai cuidar do que eu realmente preciso enquanto eu me dedico a viver o que realmente importa.

@2016 Alexandre Robles

Publicado em

Eu ando procurando significados. Para cada passo que dou pelos cenários e paisagens, dou um na direção das rotas de minha alma; o que existe fora espelha o que dentro de mim vai sendo descoberto conforme caminho. Essa é a jornada de um espiritualista.

Publicado em

Já dizia Rubem Alves que precisamos não de bons oradores e sim de bons “escutadores”. Ouvir com atenção; ouvir sem a angústia da deixa para responder; ouvir o que não é dito enquanto se diz em desabafo.

Publicado em

QUAL É O PESO DE SUA EXISTÊNCIA?

Todas as pessoas são iguais diante do Criador, mas há pessoas que têm maior densidade histórica. Não se trata de valor, mas de expressão na história a partir de um propósito existencial. Creio que é assim é isso me leva a observar que quão mais próximos e vinculado a pessoas historicamente densas, mais os eventos que nos cercam são afetados pela importância do que eles estão cumprindo na história, mesmo que nem eles mesmos saibam.

Por causa do que Deus estava realizando na vida de Abraão, muitas pessoas e nações inteiras foram e ainda hoje são afetadas. Segue-se observação pelos demais personagens centrais da História.

Hoje ainda é assim, creio. Por causa do que Deus está realizando na vida de algumas pessoas com densidade histórica existencial, tantos ao seu redor são afetados.

Será que somos capazes de medir nossa própria densidade e assumir a responsabilidade de que nossas escolhas e decisões afetam outros? Adultos que antes de decidirem por seus projetos pessoais de felicidade e realização considerem cônjuges, filhos, amigos, irmãos. Líderes sociais e políticos que vivam pelo ideal maior.

Será que somos capazes de reconhecer e aceitar que orbitamos ao redor de outros que são mais densos que nós?

Eu tento e hoje reflito um pouco.

2016 Alexandre Robles

Publicado em

DEIXEM-NOS NA BASE DA PIRÂMIDE

A melhor forma de controle é a manutenção da luta pela sobrevivência. Na Pirâmide de Maslow, é o primeiro patamar. Gente ocupada de lutar pela comida, não tem estímulo, tempo e condições para construir ideais. Gente na fila indigna de um Hospital imundo e abandonado, com dores e doenças não consegue sonhar e trabalhar por mudanças em sua cidade. Gente que sobe os móveis comprados, em prestação, e limpa sua casa da lama das enchentes, não tem ânimo para ter utopias. Gente com fome não se preocupa se o pouco pão que lhes sobra seja da mesa de um corrupto que acendeu ao poder.
 
Somente saciados de nossas primeiras necessidades é que seremos capazes de dar um passo em direção às mudanças conceituais e ideais em busca de um mundo melhor. Por isso que têm mesmo obrigação moral e social de lutar pelos direitos e pela dignidade dos desprezados, aqueles que vivem acima da linha do conforto do suprimento das necessidades básicas. A omissão de quem já comeu é a mãe da fome dos marginalizados.
 
Não importa se a obtenção de recursos e o acúmulo de riquezas tenha sido pela via da Lei e das Regras do Mercado, ainda assim, aquele que tem só pra si, que ganha só pra si, que se preocupa só consigo é responsável pela má distribuição do bem comum, tanto quanto os mais vis e descarados corruptos dos sistemas político e comercial.
 
2016 Alexandre Robles
Publicado em

EU QUERO VER

Um cego percebe Jesus em meio a multidão e lhe pede ajuda. Jesus se aproxima dele e pergunta o que deseja. Não é obvio que ele quer ser curado? Não. Assim como não no meu caso e no seu caso. Sendo cego, naqueles dias, fatalmente tornava-se um mendigo, como era o caso daquele homem. Ficava pelo caminho, contando com as migalhas da sociedade que preferia não enxergar sua deficiência. A mendicância se torna sobrevivente na carência.
 
Assim, quando carregamos carências existenciais profundas, nos tornamos mendigos emocionais e sociais. Passamos a aceitar qualquer migalha nos relacionamentos; nos submetemos a posições humilhantes, aceitamos como se fosse amor, o egoísmo usurpador das pessoas; exigimos de nós mesmos que a todos entendamos, razões e os motivos.
 
A pergunta de Jesus ainda ecoa. O que você quer hoje, uma esmola ou a cura?
 
De esmola em esmola a carência é administrada, mas Deus não atua no ramo da administração das carências e sim na ação libertadora e restauradora do ser humano.
 
Sabe a sensação de que as pessoas que estão com você só permanecem porque você faz tudo o que elas querem, mesmo quando isso lhe agride? Sabe a sensação de que você serve como peça de uma engrenagem, de uma máquina, de que seu valor no ambiente é apenas funcional, que no dia em que não satisfizer as expectativas, não servirá mais? Sabe o medo de perder o que tem, quando profundamente sabe que tal realidade é indigna, nem mesmo é verdadeira, que lhe desumaniza, mas que o medo de ficar sozinho(a) é maior que a situação em que se encontra? Sabe o poder de manipulação emocional que você desenvolveu para atrair a atenção das pessoas para a sua dor? Sabe a sensação de não ter certeza se a situação em que hoje está veio naturalmente como resultado da vida ou foi forçada com agressões e decisões precipitadas que o levam a suspeitar constantemente se deveria estar onde está?
 
São algumas das sensações da carência que nos torna mendigos.
 
O que você quer? Quer ser curado? É o que Jesus pergunta.
 
O cego abriu mão da mendicância e disse a Jesus que queria enxergar de novo.
 
2016 Alexandre Robles
Publicado em

SÓ A INTIMIDADE CURA A SOLIDÃO

Lembro-me de conversar com minha terapeuta, uma profissional que muito me ajudou, sobre a solidão, a minha. Havia pessoas que escreviam comentários a respeito do meus desabafos, à época, afirmando que a pior solidão era se sentir longe de si mesmo. Eu discordava. Sabia que no fundo eu precisava não aceitar a mim mesmo, somente, mas precisava de uma intimidade profunda me tocasse ambientes de minha alma que estavam feridos. Precisa de gente. Diziam alguns que eu precisava aprender a viver sem depender de pessoas. Eu discordava. Lembrava da citação poética e teológica do Gênesis, em que o Criador diz que “não é bom que se viva só, farei uma semelhante para que não esteja sozinho”. O ser humano tinha plena comunhão com o Criador e com a criação, mas não tinha sua semelhante. Solidão é não ter semelhante.
 
Minha terapeuta me dizia que eu poderia viver uma experiência de intimidade que me acolhesse. Obviamente que ela não me prometia isso, porque seria leviana, mas disse que sim, era disso que minha alma precisava. Eu concordava.
 
Nenhuma tese sobre a solidão humana que dispense outro ser humano e a intimidade emocional deve ser levada em conta; na teoria ou na prática, não passa de resiliência individualista. Ninguém se basta e ninguém deve buscar se bastar, precisamos uns dos outros.
 
Eu prefiro ser essa metamorfose emocional em busca de intimidade e acolhimento, do que ter aquela velha capacidade de solitariamente dispensar a todo mundo.
 
2016 Alexandre Robles
Publicado em

VAMOS FAZER DIFERENTE?

O Poder da Cultura
(Para quem for capaz de ler até o fim)
 
A cultura é a maneira como um ser vivo se estabelece em um ambiente. De bactérias a seres humanos. Nós, criamos sistemas de estabelecimento, propagação e manutenção de nosso conhecimento e ocupação do Planeta. Isso é uma cultura. Parte dela é sua arte, outras seu folclore, suas expressões religiosas, seu comércio, sua organização política e social, enfim.
 
Havia uma só cultura na raça humana que foi completamente dizimada nos tempos de Noé, quando seres angelicais rebeldes a Deus, invadem a Terra, se imiscui com os seres humanos e cria uma cultura de destruição, maldade e morte inimagináveis, que nenhuma sociedade foi capaz de registrar plenamente, mas que em cada registro dos povos da Antiguidade há referência à presença destes seres gigantes e poderosos que construíram o Mundo Antigo observável.
 
Esta cultura absolutamente tomada pelo mal, foi lavada da Terra no evento do Dilúvio. Fato também mencionado nos relatos de muitos povos antigos ao redor do mundo.
 
Após o Dilúvio, os seres humanos viveram a grande migração pela Terra. O relato bíblico que explica tal evento é o da Torre de Babel, quando o Criador confundiu os idiomas dos povos para que fossem separados. Isto, porque quando havia uma cultura apenas na Terra, tendo chegado a níveis absurdos de maldade, a solução teve de ser o extermínio. E para que não fosse novamente necessária tal intervenção divina, acontece a divisão dos povos, cada um com sua língua, a fim de dar origem a várias culturas diferentes.
 
Deste modo, quando um cultura chega a níveis inadmissíveis de maldade, ela desaparece, mas a raça humana é preservada através de outras culturas que sobrevivem em limites aceitáveis ou desejáveis. A partir desta “confusão” de línguas, a humanidade se desenvolveu nas culturas da Antiguidade até chegarmos em nossos dias.
 
E de todas as culturas antigas, O Criador estabeleceu uma relação com um povo iniciado por Abraão, a fim de que este povo fosse uma referência cultural para todas as culturas da Terra.
 
A comunicação é fundamental na consolidação da cultura. Por isso que somente surgiram várias culturas a partir da diversificação linguística.
 
Quando um grupo de pessoas se organiza a partir de uma linguagem, ele estabelece uma cultura. A linguagem pode ser o idioma, mas pode ser também uma referência artística, religiosa, etc. Deste modo, podemos estabelecer na história a cultura do consumismo, a cultura da corrupção, a cultura da solidariedade, a cultura da guerra. Sua casa é uma cultura, seu escritório, sua igreja. Começamos a agir de determinado modo, elegemos valores e expressões e comunicamos internamente, mesmo que tais processos sejam inconscientes. Minha família, meu ambiente de trabalho, minha igreja, qualquer estrutura pode desenvolver a cultura da hostilidade ou da gentileza; do exagero ou do equilíbrio; da doença ou da saúde; do desperdício ou da preservação; da banalidade ou do idealismo; etc.
 
E o Evangelho é o poder do Espírito Santo unindo pessoas num novo idioma, extraindo o poder de toda e qualquer cultura da Terra sem se tornar uma Cultura Alternativa, mas a manifestação de uma Nova Humanidade como deveríamos ser desde sempre. Quando o Espírito Santo se manifesta entre os primeiros seguidores de Jesus, Ele unifica os diferentes, através de um novo e mesmo idioma espiritual. É como se o evento do Pentecostes fosse a resposta do Criador à intervenção promovida no evento da Torre de Babel. Em Babel o idioma é confundido, no Pentecostes os idiomas são unificados.
 
Nós temos o poder de criar, modificar, abandonar e finalizar culturas. Elas dependem de nós para existirem.
 
E quando duas pessoas começam a concordar a respeito de valores, modos e objetivos, nasce uma cultura nova. Jesus afirmou que apenas dois ou três são necessários para que uma Igreja se manifeste na história, por exemplo. Se é assim com a igreja, é assim com a família, o trabalho, o bairro, a cidade. Josué, um líder político em Israel, propôs e afirmou uma cultura em seus dias quando disse: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” e ainda disse que havia a opção de que outras pessoas criassem culturas diferentes da dele: “vocês escolham a quem vão servir”.
 
Nosso mundo somente muda, quando duas ou três pessoas começam um processo de reestruturação cultural.
 
Que música vamos ouvir? Como viveremos nossa sexualidade? Como faremos negócios?
 
Estamos precisando urgentemente de pessoas que construam culturas do bem ao nosso redor. E se você chegou até o fim deste texto, já mostra ser capaz de pensar além de sua cultura imediatista e de frases de efeito empobrecidas pela obviedade. Obrigado por me acompanhar.
 
Vamos analisar, refletir, alterar, recriar a cultura? Chame dois ou três e recomece com uma oração simples ao Criador, pedindo que o Espírito Santo lhes dê o idioma de comunicação do amor.
 
Paz e bem!
 
2016 Alexandre Robles
Publicado em

O relato da Criação, no Gênesis, não pretende ser histórico ou científico, mas apenas uma resposta à pergunta que toda alma um dia faz, de o que foi que se perdeu para que sentíssemos esta falta que nada neste mundo é capaz de suprir.

Publicado em

VAI FICAR POR ISSO MESMO?

Há anos que reflito sobre José, o Pai de Jesus. Antes e depois de saber o que, me parece, ele soube. Era noivo de uma moça e num dia ela lhe disse que estava grávida. Como o filho não era dele, a história que ouviu a partir dali, levou-o a tomar a decisão que tomou. Ela disse que a criança era um milagre de Deus em seu ventre, que permanecia virgem, mas quem acreditaria tão facilmente numa história dessas? José, aparentemente, também teve dificuldades. Percebo isso a partir de seus próximos movimentos.

 

Decidiu separar-se dela. Não acreditou na história contada pela menina que sendo sua noiva, aparece grávida de outro homem. Uma mulher que perdesse sua virgindade antes do casamento, seria desprezada e poderia ser inclusive morta, ainda mais na situação que se apresentava, de traição. O adultério era crime de pena de morte. O pai deveria apresentar a filha para ser apedrejada em praça publica.

 

José acreditava ter sido traído e a história que a moça contou parecia tão absurda que qualquer homem em seus dias exigiria do pai a reparação da desonra, com a morte da menina.

 

Mas ele decidiu que iria fugir da cidade. E há tantas motivações possíveis para isso. Primeiro, ele se sentindo traído, resolveu perdoar o que lhe havia acontecido, ao não exigir a reparação do dano sofrido. Ele foi emocionalmente lúcido ao abrir mão de uma justiça humana que apenas se trata de vingança, pois de nada adiantaria a morte da menina para tratar a dor que seu coração carregaria, se não apenas para que sua honra publica fosse retratada. As aparências não importaram mais que a verdade, por isso que a justiça não foi confundida com vingança. Ele abriu mão de reparação e é assim que começa qualquer processo de perdão.

 

E mesmo perdoando a menina, decidiu que não mais ficaria com ela. A traição inviabilizou a reconciliação. A dor de ser traído era tamanha que não conseguia mais confiar na menina. E continua sendo perdão, porque perdoar alguém não torna obrigatória a permanência do relacionamento; pode-se sinceramente perdoar e ao mesmo tempo desejar a distância segura do vínculo que pode acarretar novas dores. Perdoar é não exigir reparação. Manter-se numa situação de constante sofrimento e renovação de agressão ou traição, pode ser apenas masoquismo.

 

E ainda, quando José decide fugir da cidade, à noite, ele está tomando sobre si consequências tão pesadas que desconfio que um ser humano é incapaz de carregar. Depois de alguns dias sem notícias do rapaz, as pessoas na cidade começariam a pensar que ele havia abandonado sua noiva. Em breve, saberiam da gravidez e ainda que ela contasse a história da fecundação sobrenatural, mais facilmente acreditariam no que é lógico, o rapaz engravidou a moça e fugiu. Diante desta tese, ele, José, seria considerado o responsável e calado, distante, nada faria para corrigir o engano histórico.

 

Para ele, depois de ser traído pelo amor de sua vida, depois de ter visto sua história acabar, depois de ter morrido internamente, importava bem pouco o que as pessoas iriam pensar sobre o que aconteceu.

 

Maria viveria na mesma comunidade, não seria considerada adúltera, não seria apedrejada e possivelmente seria consolada pelos amigos e pela comunidade. A mesma comunidade de José, que agora estaria distante, sozinho e por uma razão espiritual mais profunda, não tentaria corrigir a impressão que as pessoas teriam de que ele era o culpado de tudo.

 

Nos dias de hoje, José ficaria sabendo de Maria através das fotos publicadas nas redes sociais e do apoio dos amigos de outrora à menina que passara para a história com a tese de vítima de uma relação interrompida por ele.

 

Que dor! A incompreensão! O trago amargo de uma pergunta que ecoaria sussurrante na mente: “vai ficar por isso mesmo?”.

 

Um anjo apareceu a José, depois que ele havia decidido fugir secretamente e antes de ter terminado de fazer as malas, contou a verdade e disse que ele havia sido escolhido para ser pai do Filho de Deus. Que boa escolha para pai, o homem que melhor encarna os limites mais profundos da dor, da traição, da angústia e do perdão.

 

Que os anjos que honram os perdoadores console os corações!

 

©2016 Alexandre Robles

Publicado em

O RISCO DE SER LIBERTO

Jesus estava a caminho da casa de um homem que havia lhe implorado que salvasse sua filha da morte. Uma multidão seguia ao seu lado, espremendo-o e dificultando a caminhada. No meio, havia uma mulher que havia 12 anos sofria com um fluxo de sangue contínuo. Ela toca nas vestes de Jesus e é curada no mesmo instante. Jesus interrompe a caminhada e pergunta quem o tocou. Mesmo Pedro tendo dito que seria impossível determinar alguém específico já que todos o estavam tocando, Jesus afirmou que alguém o havia tocado de modo especial. A mulher, então, se apresenta e o ouve dizer que por causa de sua fé ela havia sido curada.

 

Era uma mulher e por isso não podia sequer olhar diretamente nos olhos de um homem, que não fosse seu marido, ainda mais em público; não podia conversar, não deveria estar ali. Obviamente, tocar em Jesus lhe condenaria sumariamente, porque além do fato de ser mulher, ainda sofria deste ininterrupto fluxo de sangue, quando a Tradição Religiosa determinava que quando a mulher estivesse em seus dias mensais de “incômodo”, não poderia sair às ruas porque se um homem inadvertidamente a tocasse ou fosse por ela tocado, ficaria impuro também. Ela já havia tentado todos os recursos médicos e num misto de desespero e fé (que é quando a fé pode se apresentar mais forte), resolveu se expor ao risco das ruas, entrou em meio a uma multidão de homens com quem trocava toques e ousou tocar diretamente no homem que todos ali já consideravam um santo; arriscou torna-lo impuro.

 

Isso se repete a cada dia em que nos vemos sem recursos, sem saída, sem solução; quando nada mais há a fazer e nos entregamos em clamor pedindo a Deus que nos salve, nos liberte.

 

Muitas vezes estamos doentes há anos, com chagas na alma, já cansados e sem esperança de que algo aconteça. Já tentamos de tudo. Conversamos; nos expusemos em ambientes que achávamos seguros, mas que transformaram nossa dor em espetáculo; fomos tratados como impuros pela religião, pela família, pela sociedade; acreditamos que não há mais jeito.

 

Até que um dia a gente crê que não importa o tempo que passou, apenas um instante é suficiente para mudar toda uma história; que não há nada em nós que seja tão ruim ou vergonhoso que seja capaz de impressionar, enojar ou afastar Deus de nós, Ele insiste em salvar; que não importa qual seja a força que em nós afirma que já tentamos de tudo e devemos simplesmente aceitar nossa doença, hoje pode ser o dia de mudança; que não importa se as pessoas ficarão incomodadas, constrangidas e se afastarão de nós quando descobrirem nossa ousadia de buscar a libertação, o mais importante é o encontro curador com Jesus.

 

Até que um dia a fé vence o cansaço de quem já tentou muito, o medo de quem sabe que pode ser rejeitado e morto e arrisca ser curado, acolhido, amado.

 

©2016 Alexandre Robles

Publicado em

ALÍVIO POR ORA, CURA, DEPOIS.

Na metáfora que o Apocalipse faz sobre a Eternidade, apresenta uma Árvore da Vida que cura as feridas, da qual todos poderemos nos servir. Penso que será assim, porque aqui na história, por melhores que sejam nossas experiências, ainda carregaremos feridas.

Algumas delas teremos vergonha de mostrar pedindo ajuda. Outras tentaremos sarar sozinhos, obstinada e solitariamente, como cirurgiões operando o próprio cérebro. Outras ainda, acreditaremos tratar, enquanto tratamos das feridas dos outros, como magia, numa esperança cármica de causa e efeito. E haverá às vezes em que mostraremos nossas feridas, pedindo socorro, a pessoas que sem compreender nossa dor, mostrarão que atrapalhamos sua festa, sua falsa sensação de vida plena, sua felicidade plástica facebooquiana; de algum modo nos dirão que não deveríamos mostrar nossa ferida, que deveríamos guardar pra nós mesmos, porque no fundo, nossas dores confrontam-nas em sua incapacidade, seu egoísmo e a aparência de felicidade que preferem ostentar.

Há feridas, que ainda que obtenham alívio histórico, serão saradas apenas na Eternidade.

Por isso, também, que os primeiros discípulos de Jesus cantavam e oravam “Hosana, ora vem, Senhor Jesus!”

Alexandre Robles

Publicado em

Depressão Pós-Férias

Os sintomas são: hesitação em retomar tarefas rotineiras; lembrança de cada momento divertido; saudade das pessoas com quem esbarramos e sobre quem nos acumulamos em cada palmo de espaço da casa que virou acampamento; e a impressão de que nada mudou no mundo conturbado, verificado nos noticiários com as mesmas manchetes de quando saímos. O tratamento passa por uma dose profunda de realismo, que pode trazer o efeito colateral do cinismo, mas que é amenizado com uma outra dose generosa de gratidão e confiança, confirmada pela certeza de que enquanto estávamos em férias, Deus seguiu sua agenda, sem precisar de nós.

Férias são como o Shabat de Deus, que no Antigo Testamento era simbolizado num dia, mas que na verdade é um espaço no tempo, um período, em que paramos o que normalmente fazemos para experimentar o cuidado do Deus que continua cuidando de nós, enquanto abrimos mão, ainda que temporariamente, de controlar e prover tudo ao nosso redor.

@2016 Alexandre Robles

Publicado em

LISTA DOS DESAPEGOS PARA O ANO NOVO

Como manter a mochila com o peso adequado

 

Passamos a vida acumulando. Objetos, experiências, conhecimento. Quanto mais se tem, mais próspero se pensa ser. É como se nos entregassem uma mochila vazia para darmos conta de encher no decorrer de nossa vida, crendo, inclusive, que quanto mais cheia ela estiver, maior é nosso valor. E já tentamos carregar nessa mochila realidades de toda sorte, que vão do acúmulo do supérfluo, passando pela necessidade de ostentar, chegando às emoções e traumas que pesam a caminhada.

 

O correto é passarmos a vida desapegando de realidades que tornam a mochila pesada e aprendendo a seguir a jornada como um bom observador, parafraseando o conselho dos mochileiros: “da ‘vida’ nada se tira, a não ser fotos; nada se deixa, a não ser pegadas; e nada se leva, a não ser lembranças”.

 

Sugiro para o Novo Ano uma Lista de desapegos, que ao invés de você fazer sua lista de desejos e promessas, você faça a lista do que vai deixar pra trás, uma lista que tenha objetos e bens, emoções e traumas, manias e até antigos objetivos não concretizados e que apenas servem para fazer-lhe sentir-se derrotado e que o atrapalham de realizar o que é de fato importante.

 

Que no Ano Novo sejamos mais cuidadosos com o peso da mochila, pra evitar dor nas costas e na alma.

 

©2015 Alexandre Robles

Publicado em

“Não me entenda mal”. Pedimos. Não te entendo mal, apenas te entendo. Respondemos. Pelo menos, aqueles que sabemos que não há experiência humana que seja completamente estranha a qualquer outro ser humano, que mesmo não tendo vivido, sabemos que somos capazes.

Publicado em

PROCURE SEU MÉDICO

Davi escreveu, por volta de 1000 a.C.: “enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer” (Salmo 32.3). Hoje já se conhece os efeitos da psicossomatização, em que muitas dores e doenças físicas têm causa emocional e psicológica. Expandimos por entender que além dos pecados escondidos, como Davi descreveu, os traumas e outros desarranjos causam o mesmo efeito. Em tais situações, o melhor médico é a própria consciência; o tratamento é a investigação interior profunda e invasiva, que prevê incômodos, dores e exposição; mas com otimista prognóstico de restabelecimento da saúde integral para a mente, a alma e o corpo.

Publicado em

TUDO PELO PODER

Em dias em que as pessoas estão tornando públicos seus anseios inescrupulosos pelo poder, é bom avisar que Jesus ensinou que em seu reino o poder está na mãos de quem serve.

Trata-se de poder como capacitação, aquele que nos habilita a realizar o que não seríamos capazes sozinhos; e de poder como autorização, agora estamos autorizados por Deus a agir em seu Nome.

O Poder da posição, da autoridade recebida ou imposta para dar ordens e comandar, este não recebemos, ele não existe no Reino de Deus, porque somos todos servos uns dos outros e de Deus.

Falando sobre o exercício e pelo poder que vemos facilmente nas entrelinhas de cada jogada política, por exemplo, Jesus disse aos seus discípulos que “entre vocês não será assim”.

Quem vai querer este poder?

2015 Alexandre Robles

Publicado em

Uma das melhores descrições da tarefa que me sinto responsável por cumprir, foi feita pelo Paulo, o apóstolo, que disse ter recebido de Deus o ministério da reconciliação, baseado em que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo inteiro.

Reconciliação da pessoa consigo mesma; com seus semelhantes; com a Criação. Esta é a experiência da reconciliação com o Criador.

Sente-se em paz com Deus quem está em paz consigo mesmo, com seus semelhantes e com a Natureza.

Cumpro minha tarefa como alguém que está vivendo dia a dia os efeitos da reconciliação e deseja que todas as pessoas também experimentem.

Publicado em

PRECE

Peço a Deus que me livre de reuniões desnecessárias, encontros vaidosos e debates arrogantes; peço que me livre do entorpecimento da cultura rasa, do humor escrachado, da opinião idiota e do consumismo ansioso; que me livre do rancor, da angústia, das fobias e da depressão; peço, sobretudo, a leveza de desfrutar em paz consciente das pequenas alegrias do dia, como o vídeo do meu sobrinho marchando como soldado de cabeça de papel, com a amizade do meu filho que vejo crescer ao meu lado, com o beijo carinhoso de minha esposa e companheira, com um pequeno texto que anime meu espírito, com o refrão de uma música chiclete que me faça viajar pela estrada das lembranças, com a esperança fundamental que, antes, acima e depois de tudo, afirma que minha alma pertence à eternidade, de onde vim e para onde voltarei, eternidade que me visita sempre que consigo desfrutar de modo simples da oração que faço, causando o efeito relativo do tempo, quando a vida inteira cabe num instante eterno. Amém.

Publicado em

A MORTE DE NOSSOS AFETOS RELIGIOSOS

Quando Jesus começou a ensinar publicamente, sua mensagem incomodava especialmente os religiosos, em boa parte porque se tratava de uma denúncia de uma prática religiosa legalista e manipuladora, mas não só isso. Também, porque seu ensino atingia apegos emocionais e culturais importantes. Ao relativizar o Templo, o Sábado, as cerimônias e a própria cidade de Jerusalém, por exemplo, Jesus estava mexendo com lembranças, histórias, linguagem e relações. Todos temos muita dificuldade em abrir mão de nossa bagagem afetiva e transformamos essas bagagens em Dogmas Religiosos a fim de que ninguém os altere.

Por isso afirmamos que certos instrumentos e certos ritmos musicais não podem ser executados na igreja porque são ou parecem ser profanos, quando na verdade estamos apenas nos agarrando em desespero à cultura de nossas lembranças afetivas, diante do que é novo.

Para seguirmos a Jesus precisamos fazer morrer nossos apegos afetivos com nossas tradições religiosas e familiares. Entende porque até nisso, seguir a Jesus implica em morrer para o passado a fim de viver uma nova vida?

2015 Alexandre Robles

Publicado em

SEMPRE VAI FALTAR ALGO

Somos incompletos e insatisfeitos. Tais constatações já foram interpretadas como confirmação de que não fomos feitos para este mundo, apenas, mas para o que há de vir; e isso sustentava a nossa esperança na certeza de que tudo aquilo que está em aberto hoje, encontrará explicação e satisfação na eternidade. A isso dávamos o nome de transcendência.

Acontece que passamos a transcender a partir de concretização de pequenos projetos de conquista e de consumo, aqui mesmo. A felicidade divulgada nos finais felizes, o brinquedo tecnológico que promete mudar completamente a vida, o corpo esculpido, etc. Consumir e aparentar felicidade se tornaram a promessa de que seremos completos e satisfeitos.

Já nos alertava o Apóstolo Paulo, de que “se nossa esperança for somente para esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”.

Eu creio que todos nós fomos infantilizados pelo espírito de nossa época hedonista, que toda uma geração desaprendeu o poder da resiliência consciente. Nada vai satisfazer completamente o anseio de eternidade que carregamos na alma.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

QUINTAL, MOCHILA E LAR

A infância acontece em ambiente parecido com quintal de casa de avó, onde podemos explorar um Universo e estamos protegidos pelos olhos atentos dos mais velhos.

A juventude deve caber numa mochila. A vida precisa ser leve e livre, precisamos de pouco e o mundo é nosso limite.

A maturidade é quando a alma começa a querer encontrar seu lar, então, todas as explorações da infância e as conquistas da juventude criam no coração uma Casa existencial, de amigos, lembranças, cheiros e sabores, então precisamos nos acomodar numa boa cadeira na varanda para passar a observar nossos netos e filhos começarem sua jornada.

Criança não pode ter tudo pronto, precisa de estímulo para criar e inventar. Adolescentes e jovens não podem se preocupar com próprio patrimônio e limitar sua história com medo de arriscar. Adultos maduros e idosos têm o direito a se aconchegar em algum ambiente existencial que chamam de Lar.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

NÓS SENTIMOS A DOR DA TERRA

Nós pulsamos no mesmo ritmo que o restante da Criação. Há muito maior ligação entre nossas emoções e as energias sutis do Universo, do que desconfia nossa vã teologia. Há muito maior assimilação dos gemidos da Criação do que nossos diagnósticos são capazes de determinar.

Ouvi de um manauara que sua alma é como o Rio Amazonas, que seca e transborda nas estações certas. Fez-me pensar nas barragens que se rompem liberando rios de lama. Também fazemos assim, por isso que muitas pessoas estão transbordando lama em si e a partir de si mesmos, lama tóxica, porque passaram a vida criando diques de contenção na alma, barreiras para segurar emoções e traumas, de modo resiliente fizeram tudo o que outros exigiam e esperavam, até que um dia não aguentam mais e rompem.

Ouvi de outra pessoa, que é muito difícil para quem tem tendência à depressão, viver em áreas invernais, com muita neve, porque quando se vê tudo muito cinza e branco, com muito frio e neve por um longo período, a alma começa a esfriar e acizentar. Como na depressão!

Ultimamente temos ouvido falar do vírus Zika, provável causador de alguns males e más-formações graves. Imperceptível e transmissível por pequeno inseto, se assemelha ao espírito de uma época, às impressões que são transmitidas de modo quase imperceptível e que vão infectando a alma sem que a gente perceba. De repente estamos todos apressados, entristecidos, angustiados, sem que saibamos as razões disso.

O que falar da falta de ideais advinda da corrupção política sistêmica? O que falar da constatação da desumanidade nas cadeias de produção de quase tudo o que comemos, vestimos e usamos e que diminui nossa satisfação com o simples presente? O que falar do volume de notícias das tragédias e catástrofes que criam em nós os medos e fobias?

Não à toa, cada vez mais, nós experimentaremos os efeitos emocionais e psicológicos de tais realidades. Precisamos aprender a ler os sinais de nossa época para poder tratar nossa alma como precisa ser tratada.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

ESTÁ TUDO DENTRO DE NÓS

Há uma fonte inesgotável de descobertas e recursos existenciais dentro de cada um de nós. Jesus disse que abriria, nos seres humanos que tivessem sede, uma fonte interior que jorraria sem interrupção; disse isso a uma pessoa que mostrava sedes profundas.

Tudo está dentro de nós, por isso, somente encontraremos o amor, a aceitação, a aprovação, enfim, apenas encontraremos fora de nós, nas pessoas e nas experiências, aquilo que antes encontrarmos em nós mesmos.

Somente quem ama a si mesmo é capaz de encontrar amor fora de si.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

QUER SAIR DESSA?

Algumas vezes, buscamos quem possa nos ouvir, sem nos darmos conta de que há estágios de nossa busca por soluções de situações e emoções. O primeiro estágio é o da busca por aprovação, queremos que o conselheiro, terapeuta, confidente ou sacerdote nos ouça e concorde com nossas motivações e atitudes. Muitos param por aqui e vão trocando de interlocutor quando são confrontados; interrompem a terapia, fogem das conversas.

Um segundo estágio é quando buscamos ajuda mágica e mística para questões que dependem de processos. É quando depositamos sobre pessoas uma expectativa de que elas tenham uma palavra, uma direção, que sejam oráculos, que sejam profetas de Deus, capazes de nos dizerem uma palavra suficiente para resolver tudo, de uma vez. Por isso que muitas vezes procuramos até um adolescente, quando ele nos inspira ser uma “pessoa de Deus”, para falar sobre crises de casamento e divórcio, educação de filhos ou crise de meia idade. Ora, não é lógico que a pessoa que está ouvindo não tem experiência para nos indicar algum caminho?

Fato que de vez em quando vivemos experiência de milagre em que o mesmo adolescente, não tão experiente na vida, é usado por Deus para nos dar uma palavra solucionadora. Mas isso é milagre e não expediente terapêutico.

Até que chegamos a um estágio mais consciente de nossa busca por tratamento e soluções, quando passamos a buscar orientação para abrir por dentro as portas e janelas de nossa alma; quando assumimos a responsabilidade de nossa própria condição e tratamos nossos ajudantes como orientadores e não mais como cúmplices ou oráculos.

A gente só sai de onde está quando dá um passo de cada vez na direção certa. Feito isso, nem a velocidade importa tanto.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

TÁ TODO MUNDO NU

Nós gostamos muito da nudez. Seja porque “toda nudez será castigada” e a atração pelo proibido está em nosso DNA; seja pela curiosidade comparativa; seja porque somos seres visuais e nossos instintos são ativados através da observação. Seja por qual destes e outros possíveis motivos, basta haver um corpo nu que qualquer movimento chama a atenção, qualquer produto é vendido, qualquer discussão entra em pauta.

Li que um dos programa de maior audiência na TV é um reality que coloca um casal nu para sobreviver na selva. Ninguém quer saber de selva ou de sobrevivência, qualquer programa oferece isso, o que vale mesmo é que estão nus.

Sobretudo, a mais importante consideração a se fazer é que quem está nu, está exposto, vulnerável; e o observador vestido está protegido. Quando lidamos com a vulnerabilidade dos outros, nos sentimos superiores.

Por isso que gostamos de ver o fracasso, a falência, o vexame, até a doença e a morte trágica dos outros; por isso que tal nudez existencial promove tanta audiência.

Exponha e você chamará atenção, mas saiba que será de abutres voyeur’s que se deliciarão assumindo a impressão de superioridade.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

QUANDO CRISTIANISMO E ISLAMISMO DÃO NO MESMO

Somente em Jesus é que a Bíblia deve ser lida, a partir dele, interpretada somente através de suas palavras e pela maneira como viveu. Quem lê a Bíblia sem passar todo seu conteúdo por Jesus Cristo, corre sempre o risco de ter uma Religião ideológica, partidária, étnica, intolerante, xenofóbica e no limite do terrorismo.

Sem Jesus, pode-se ler o Antigo Testamento e tentar tratar as mulheres com a mesma as mesmas absurdas leis da Sharia muçulmana. Em Moisés, também se encontra apedrejamento e posse da mulher, regras de como deve se vestir e etc. Sem Jesus, apoiando-se na leitura literal do Antigo Testamento, mata-se o inimigo em nome de Deus. O Antigo Testamento conta a história de um povo semelhante ao que hoje vemos nos territórios ocupados pelos extremistas islâmicos.

Eu leio a Bíblia através de Jesus. Não através de Moisés, nem dos teólogos cristãos, ou de que qualquer outra fonte. Sou escravo de Jesus, limitado a Ele e nada mais importa tanto, quanto o que Ele diz.

Cristianismo sem Cristo e Islamismo radical dão no mesmo.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

Um minuto de silêncio na França fala mais do que os mais inflamados e politizados discursos. Deus VÊ orações silenciosamente contritas e solidárias, na proporção em que não ouve a ufanista cantoria de muitos templos evangélicos repletos de pessoas mais preocupadas com a compra do próximo celular no final do ano.
(Isaías 1 e Mateus 6.6)

Publicado em

CRER É TAMBÉM PENSAR

Nós os seres humanos somos aprendizes. Não nascemos sabendo e nos adaptamos ao que aprendemos. A maior parte do ensino é familiar, relacional, através da imitação do comportamento. Deste modo, aqueles que atravessam os limites do aprendizado instintivo, que segue este padrão de imitação e assimilação geracional, e conseguem ver o mundo numa nova perspectiva, são os que propõe novas formas de enxergar a vida. São intérpretes da história, pessoas que nos levam a ver além da Caverna de Platão.

Acontece que esses pensadores cometem um equívoco básico: pensam que assim como eles conseguiram enxergar além, todos também conseguiram e por acreditarem demais na capacidade de todos, desprezam o obvio e se concentram na busca pela originalidade constante.

Diferentemente, os tiranos, quando percebem que enxergaram além das massas, as dominam. Conhecimento é poder, talvez a mais forte expressão de poder. Assim, são capazes de arregimentar exército de jovens descontentes com a vida, que desprezando o niilismo filosófico secular da Europa, se engajam em missões terroristas e suicidas. Este também é o expediente da Religião, alguns líderes que enxergam além, manipulam a massa mantida em cativeiro de sua própria cegueira.

Não à toa, Jesus e Paulo afirmavam que o homem precisa ser livre e que sua liberdade vem através do encontro da verdade através do exercício da reflexão. Como disse John Scott, “crer é também pensar”.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

O que aconteceu em Mariana e se espalha por todo o Vale do Rio Doce não é tragédia, é genocídio é crime ambiental promovidos pela Mineradora Samarco. O silêncio e a demora do Governo não são uma falha administrativa, mas abandono. A escolha de deputados para apuração dos fatos, que recebem volumosas doações da Vale é falta de caráter e canalhice política. O silêncio de ONG,s como a do Sebastião Salgado, que tem como finalidade proteger aquela área e que recebe doações da Vale, também segue o mesmo princípio dos políticos. Resta-nos esperar que o Ministério Público faça alguma coisa efetiva para punir os responsáveis.

A despeito de toda essa estrutura corrupta e indigna, seguimos solidários e fazendo o que de prático é possível para ajudar as vítimas. Precisam de água e você pode ajudar observando as informações do post fixado no topo desta página.

Publicado em

O Reino de Deus é um reino de hospedeiros, recebemos refugiados e estrangeiros, mesmo que sua chegada afete nossa cultura cristã. O Reino é maior que a cultura. Recebemos o estrangeiro em adoração a Deus e, como adoradores de Jesus e não surtados alistados em qualquer guerra santa, nós, os seguidores de Jesus estamos prontos para morrer com Ele, jamais para matar em nome dele.

Todo discurso que pretende generalizar os muçulmanos como se todos fossem terroristas é tão raso e idiotia quanto o preconceito de quem compara alguns de nós evangélicos com as lideranças evangélicas midiáticas e dizem que somos todos iguais.

Todo discurso do fundamentalismo cristão que afirma que não se pode abrir as fronteiras para receber muçulmanos sob o risco de se perder a cultura cristã ocidental está sempre a um passo de preferir o extermínio deles ao risco da miscigenação, portanto, próximos de matar em nome de sua cultura dizendo matar nome de Deus.

Preste atenção que você perceberá os profetas que estão defendendo apenas a cultura cristã e fomentando a violência em nome de Deus.

O Reino de Deus é o Reino
de Jesus que não mata, mas morre em nome de Deus.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

Fujam dos ambientes religiosos manipuladores, intolerantes e alienadores, enquanto há tempo! Virão dias em que a ilusão que seus profetas anunciam não suportará a realidade.

Era sobre isso que Jesus falava, quando advertia seus seguidores sobre os dias difíceis. Há que se ter fé!

Publicado em

Em dias apocalípticos como os nossos, Jesus advertiu da importância de não sobrecarregarmos nosso coração com as realidades alienadoras e anestediadoras dos sentidos, como a futilidade e o ufanismo de nossa geração consumista e hedonista; também não buscarmos o prazer como um fim em si mesmo, que transforma todas as experiências, das alimentares às sexuais, numa orgia de sentidos; e ainda sobrecarregarmos a alma com as ansiedades da vida, que geram fobias, temores, ilusões frustadas e adoecimentos emocionais e físicos.

Ele deixou claro que tais dias viriam e se repetiriam até o fim de tudo e avisou-nos como agir e pensar. É hora para se ter fé!

2015 Alexandre Robles

Publicado em

O que está acontecendo no mundo não é tão odioso quanto os intolerantes religiosos tentarão provar com sua xenofobia e não é tão simples quanto os progressistas tentam afirmar desprezando a influência cultural e religiosa que a migração causa na Europa.

Sobretudo, nada foge ao que Jesus afirmou que ocorreria, sendo apenas o princípio do fim, o que vem será pior num nível que nossa pior experiência ainda não provou.

Publicado em

Hoje cedo ouvi que há pessoas vendendo água com preço 300% maior, em Governador Valadares, cidade que é gravemente afetada com a interrupção de consumo, por causa do crime ambiental cometido pela Mineradora Samarco.

Como pode haver gente que tem coragem de lucrar com a tragédia de seus semelhantes?

Há pouco, acompanhando com pesar os ataques terroristas em Paris, vi que pessoas estavam abrindo suas casas para quem estivesse nas ruas e tivesse dificuldade de chegar às suas casas. Imagina, gente que abre sua casa para quem não conhece numa noite de atentados!! Logo após, vi que os taxistas estavam transportando de graça as pessoas até suas casas.

É diabólico lucrar com a tragédia e a dor. É divino ser solidário nela.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

SE QUER TER SUCESSO, NÃO SIGA JESUS

Jesus é o pior modelo de marketing, liderança organizacional, adesão e manutenção de seguidores, em comparação com as técnicas modernas de liderança. O paradoxo é que há uma porção de gurus organizacionais que o utilizam como o Maior Líder. Cômico e trágico. Jesus escolheu pessoas sem crédito e sem influência na sua época para serem seus seguidores; confundia-os o tempo todo ao ponto de no final do “programa de treinamento” eles ainda não haviam entendido quase nada. Tinha mensagens duras e não convidativas, quem queria segui-lo ouvia-o dizer que seria muito difícil ao ponto de não terem nem onde dormir à noite. Quando seus discípulos esboçaram não entender o que estava acontecendo e sugerirem que muitos estavam indo embora por causa de seu discurso, Jesus perguntou se eles não queriam ir embora também. Não fazia alianças estratégica, não era diplomata e não deixava de expor a verdade mesmo quando incomodava gente importante. Não fazia propaganda de si mesmo, se afastava quando sua popularidade aumentava e pedia para que as pessoas que tinham sido curadas não contassem a ninguém.

Eu sigo rindo das tolices escritas pelos gurus da auto-ajuda e da mística do executivo que segue os monges, que utilizam a imagem de Jesus como modelo de tudo aquilo que Jesus desprezou.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

Tem que nascer de novo, no espírito. Disse Jesus. Um dia a gente percebe que está morto, por dentro. E pede a Deus que nos salve. Quem entender isso agora, pode orar ao Criador pedindo vida. Depois, sugiro que leia o Evangelho de João, com o novo coração, com os olhos espirituais da nova vida do espírito.

Nada mais é preciso. Deus mostrará o caminho.

Publicado em

UMA BREVE CONDIDERAÇÃO DO DINHEIRO NA CONSTRUÇÃO DO PROTESTANTISMO, CAPITALISMO E EVANGELICALISMO

A ideia de prosperidade atrelada à fé, no mundo moderno ocidental, surgiu com o Movimento Protestante, que afirmou que o trabalho gera prosperidade, com a bênção de Deus. Tal princípio foi usado sem limites éticos pelo Espírito Capitalista que aumentou a importância do enriquecimento pessoal em detrimento da ética do trabalho, ou seja, o Capitalismo afirmou que o que importa é ser rico, mesmo que não seja através de um trabalho ético e promotor do bem social e da justiça. Depois, a Teologia da Prosperidade afirmou que Deus é quem enriquece as pessoas que doam dinheiro nas igrejas. Deste modo, eliminou a importância do trabalho e relativizou a ética.

 

A Ética Protestante do trabalho encontra-se nos livros de história que contam o início de algumas grandes nações capitalistas do mundo ocidental. O Espírito Capitalista predatório encontra em Wall Street sua cidade sagrada. E a Teologia da Prosperidade da magia da intervenção de Deus, a despeito do trabalho e da ética, encontra-se nos templos religiosos evangélicos e tem em seus pastores, bispos e apóstolos, os feiticeiros responsáveis por acionar as forças espirituais que fazem prosperar qualquer pessoa que faça campanhas e sacrifícios financeiros.

 

De acordo com as palavras de Jesus e de Paulo, aprendo que o Dinheiro, como sistema de valores que domina as estruturas sociais e de poder, é um deus e que não se pode servir ao Deus Criador e ao deus Dinheiro ao mesmo tempo. Aprendo que o Dinheiro, este sistema, é a raiz de todos os males e que as pessoas que têm como objetivo essencial tornarem-se ricos, perdem a vida e causam mortes ao seu redor. Aprendo que numa sociedade injusta, nem sempre o trabalho honesto e dedicado, gerará ganhos condizentes, portanto, nem o espírito protestante pode ser uma Lei, mas apenas serve como instrumento de qualificação das relações entre os homens; sendo que numa sociedade injusta, há aqueles que ganharão mais e os que ganharão menos. Quanto menor for essa distância, mais justa e desenvolvida é uma Nação. E ainda nestas, a maneira como o Evangelho atua é através da solidariedade, pois como nos ensinou Paulo, no Reino de Deus, aquele que ganhou mais, não teve sobrando e quem ganhou menos, não teve faltando.

 

Portanto, no Evangelho, o Capitalismo sem ética é completamente condenado, ainda que traga enriquecimento. A Teologia da Prosperidade é uma bobagem manipuladora e denunciadora de gente crente e egoísta. E o espírito ético do protestantismo é apenas princípio norteador de estruturação social, mas não é suficiente para eliminar injustiças de ganho e acúmulo.

 

Arrisco alguns conselhos:

 

  1. Trabalhe honestamente e com dedicação, fazendo o melhor que pode, através da sua atuação, para melhorar a vida das pessoas e o mundo em que vivemos.
  2. Ganhe o quanto for possível, de modo ético e respeite seus limites e os limites das pessoas que vivem com você.
  3. Compartilhe do que ganha, para que não sobre na sua vida e a sobra seja objeto de ostentação, orgulho, vaidade, imposição e exercício de influência e poder; e para que não falte a ninguém que estando ao seu alcance, pode não ter recebido dignamente, mas diante de Deus é digno de viver como qualquer outra pessoa no mundo.
  4. Poupe de modo responsável, um pouco do que ganha, para prever e prover para o dia mau, não faça isso por medo de não ter amanhã, mas com a responsabilidade de quem sabe que recebeu de Deus hoje o que pode administrar de tal modo a que o supra na hora de maior necessidade.
  5. Desfrute com paz e alegria do bem da vida, com as pessoas que ama. Viva hoje e não trate o dinheiro como impeditivo de suas pequenas felicidades.

Deus abençoa o trabalho e a produção, sementes lançadas em solo certo dão seu fruto, apenas trabalhe. Num mundo injusto, nem sempre o resultado de nosso trabalho será coerente, como se as sementes lançadas em bom solo, fossem arrancadas pelas tempestades. Quando isso acontece precisamos sobreviver com a solidariedade de quem colhendo mais não tem sobrando. Mostre que você ama a Deus e ama a vida, não acumulando, mas compartilhando dos seus bens, seja com organizações e as pessoas que alimentam seu desenvolvimento espiritual, seja com instituições de assistência aos mais necessitados, seja com pessoas que promovem arte e cultura e que alimentam nossa transcendência. E Deus abençoa seu lazer e seu descanso, gaste seu dinheiro com passeios, viagens e experiências que irão marcar sua vida e de sua família.

 

O melhor lugar do dinheiro, é longe do nosso coração.

 

2015 Alexandre Robles

Publicado em

Não tem problema a gente descobrir que não sabe e não consegue. Problema mesmo é nunca entender isso ou demorar tanto, ao ponto de só restar tempo para lamentar toda a vida desperdiçada na tentativa de provar alguma coisa para alguém.

Publicado em

Não confio em gente que nunca pensou em desistir; desconfio de quem não desconfia de si mesmo. Meus amigos sangram, choram, sofrem, perdem; e depois se levantam e seguem em frente, com a dignidade que me inspira a também seguir.

Publicado em

Não importa quão longe cheguemos, não podemos fugir de nossas origens; não importa quantas viagens façamos, a mais importante jornada ainda será a que se faz para dentro.

Publicado em

Quando visito o tempo em que Jesus foi tentado no Deserto, observo o poder de não acreditar que meus desejos são legítimos em si mesmos e me dão o direito de tentar alterar realidades de acordo com minha conveniência; de não desrespeitar limites físicos, emocionais, sociais e relacionais, como se eu fosse imune às consequências da vida; e de não me iludir com falsas promessas de uma felicidade mágica, de uma vida de sucesso que não me exija responsabilidade, dedicação e comprometimento.

Publicado em

Quanto mais leio os Evangelhos e mais ouço o que se fala nos bastidores da religião, mais entendo porque Jesus andava cercado e dava atenção aos marginais e não tinha quase nenhuma paciência com os fariseus religiosos.

Publicado em

DIVÓRCIO E AMPUTAÇÃO

O que vem depois

Em vigência, nos dias de Jesus, havia a Lei de Moisés e a tradição dos líderes religiosos de Israel. A interpretação do que o novo testamento oferece à primeira, depende de como o povo se relacionava com a segunda. Desse exercício é que devemos derivar nossa leitura.

Havia a Lei de Moisés, que normativaza o casamento, e a Tradição, que o fazia valer na prática. De acordo com Moisés, o casamento era uma união entre homem e mulher, que não deveriam ser parentes próximos. Havia forte recomendação a que não houvesse casamento entre israelitas e pessoas de outros povos. E havia o divórcio, como concessão.

A Tradição tornou o casamento uma relação comercial e fez da mulher uma propriedade do homem. Cobiçar a mulher do próximo era o mesmo que cobiçar sua propriedade. Uma mulher casada pertencia ao marido e a solteira ao pai. Somente o homem passava a ter direito à poligamia e também ao divórcio.

Na Lei de Moisés o adultério requeria apedrejamento. A Tradição tornou o adultério apenas um ato feminino, ou seja, somente a mulher é quem adulterava, caso tivesse outro homem além de seu marido, e merecia o apedrejamento. O homem, como já dito, podia ser polígamo.

Com o passar do tempo, a Tradição criou nova modalidade de relacionamento. A poligamia exigia do homem provisão e proteção a todas as esposas que tivesse e como isso começava a tornar-se caro, surgiu a acomodação que protegia o homem em seu direito à poligamia, sem obriga-lo ao dever da provisão, o repúdio.

Diferentemente da Carta de Divórcio, o repúdio era o ato em que o homem desprezava publicamente sua mulher, a mantinha sob seu poder, porque não havia lavrado Carta de Divórcio, e a mantinha sua propriedade, sem precisar tratá-la como honra de mãe de seus filhos. Com o repúdio, ele podia ter nova esposa. Mantinha a antiga sob seu domínio, não precisava tratá-la com dignidade de esposa e podia se casar novamente.

Com o passar o tempo, a Tradição começou a discutir se o homem poderia repudiar sua esposa por qualquer motivo. Havia os que diziam que sim e os que diziam que somente em caso de adultério.

Nesse ambiente é que trataram a questão com Jesus.

Primeiro, Jesus disse que o adultério está no coração, do homem especialmente, não exclusivamente, óbvio, mas para efeito de confrontação histórica, era necessário que Jesus afirmasse que adultério era algo interno e espiritual, para uma sociedade que acreditava que o adultério era praticado somente por mulheres. Assim, Jesus solapa o machismo.

Depois, Ele afirma que a mulher repudiada não pode se casar de novo e o homem que se casa com esta, também estará em adultério. Aqui, Ele está fazendo uma constatação da realidade. Era isso o que acontecia, porque os homens repudiavam suas esposas ao invés de se divorciarem delas, mantendo-as presas a ele, como propriedade, portanto, uma vez repudiada, e não divorciada, ela não podia “ser” de outro homem, caso isso acontecesse, ambos estariam cometendo adultério, a mulher repudiada (porque ainda pertencia legalmente ao seu marido) e o homem que a desejasse. Jesus está afirmando um problema social grave, resultado de uma má interpretação da Lei, e baseada na Tradição religiosa.

Quando questionado diretamente, por causa de seus discursos contra o repúdio e a favor da mulher, o assunto chegou à base. E como fica Moisés? Ele permitiu a Carta de Divórcio! Sim, respondeu Jesus, o divórcio é uma concessão, por causa da dureza dos corações. Quando não é possível que se continue, porque os corações não encontram mais saída, então o divórcio é a concessão. Mas, enfatizou Jesus, não foi assim no princípio, quando Deus criou homem e mulher e abençoou a união física, emocional e espiritual e decretou que deveria ser até o fim da vida. O princípio não é o Divórcio, ele é apenas concessão. O repúdio não é divórcio, é uma agressão imposta num relacionamento e que deve ser inaceitável.

Diante da afirmação de Jesus de que não somente a mulher é passível de adultério, mas o homem também e de que o adultério acontece antes no coração; diante de sua afirmação de que o repúdio é uma situação social absurda que promove a indignidade feminina e a transforma numa “adúltera” caso tente refazer sua vida com outro homem; diante de sua afirmação de que homens e mulheres são iguais perante Deus no casamento, a reação dos próprios discípulos foi de surpresa e cínico desanimo. Perguntaram que vantagem havia então em casar?

Em Jesus acaba a “vantagem machista-patriarcal”.

O que Deus odeia, registrado em Malaquias, é o repúdio. Não que Ele ame o Divórcio, mas é necessário compreendermos a diferença.

Repúdio é um ato de agressão, desprezo e aprisionamento, que acontecia nos dias de Jesus de forma concreta e pública, quando um homem que não quisesse mais sua esposa a mantinha presa e recebia o direito de contrair novas núpcias.

Divórcio é uma concessão para que as pessoas que não conseguem mais viver juntas, possam recomeçar suas vidas.

Deus abençoa o casamento, concede o divórcio, que torna livres as pessoas para se casarem novamente, e abomina o repúdio.

Hoje, qualquer relação que envolva agressão, desprezo, opressão, rejeição, descaso, de que ordem for, é um repúdio, mesmo que esteja legitimada pelas leis do casamento.

Hoje, o divórcio é o mesmo que era em Moisés e em Jesus. Com a lembrança enfática de que o divórcio é expediente de casos extremos, tão extremos que Jesus afirmou que deveria ser administrado em casos de adultério. Aliás, Jesus humanizou as relações ao dizer que em caso de adultério é melhor haver divórcio, uma vez que pela Lei o adultério gerava condenação à morte. O que você prefere, a morte da Lei ou a Graça de Jesus? Para Jesus, nem o adultério deveria promover condenação à morte.

Considerando a diferença entre repúdio e divórcio; considerando o adultério como doença da alma antes de ser consumação na cama; considerando a maneira humanitária de Jesus tratar a questão em confrontação ao machismo legalista de sua época, leio, avalio e considero:

Deus deseja o casamento indissolúvel, monogâmico, entre homem e mulher. Este é o ideal, este é o princípio. Tudo o mais será arranjo histórico surgido da tensão entre o Reino de Deus e os reinados humanos. Inclusive, algumas pessoas viverão situações que impossibilitam-nas para o casamento monogâmico, entre homem e mulher, serão como Eunucos, que assim se farão por causa do Reino de Deus. Suas tensões serão tão profundas, que precisarão anular parte de si mesmas pelo Reino de Deus, se assim puderem;

Repúdio é qualquer forma de indignidade no casamento. Não deve ser aceito. Ninguém deve permanecer casado sob risco de integridade física, emocional, social e espiritual;

Divórcio é concessão, não opção de resolução de problemas no casamento. Quando duas pessoas não podem mais permanecer casadas, melhor que se divorciem antes que haja repúdio.

Na prática:

Somente gente insana casa pretendendo se divorciar;

Há que se tentar de todas as maneiras tratar o casamento a fim de melhorar a relação e a vida;

É melhor divorciar que repudiar;

Quem se divorcia está livre para recomeçar sua vida.

Há pessoas que precisam entender tais aspectos para que tenham discernimento espiritual diante de suas próprias histórias. Além da dor que envolve o fim de um casamento, muitos carregam culpas e são alvos de julgamento.

Comparo o divórcio a uma amputação.

Você está diante de um médico que avalia que uma parte do seu corpo está em estágio avançado de putrefação, que compromete a saúde do restante do corpo e exige a amputação. Neste momento você pode exercer sua fé e orar a Deus, que pode curar a parte morta. Ele pode sim, mas nem sempre faz. Sobretudo nos casos do casamento, quando Deus não faz o que não deixamos que Ele faça. Nosso coração é o único ambiente onde Deus só reina sob permissão. Em corações endurecidos, nem Deus governa.

Voltemos à amputação. Você recebeu o diagnóstico médico, orou, pediu milagre, fez sua parte e a parte moribunda de seu corpo está tomando o restante, um pouco a cada dia. Chegou a hora de decidir. Manter a parte é arriscar o corpo todo, tirá-la, é perder uma parte de si mesmo.

Este é o dilema. Não existe vida fácil para quem precisa decidir entre divórcio e recomeço. Há pessoas que acham que vão “resolver um problema” com o divórcio, mas se enganam não entendendo que a partir disso sua vida será ainda difícil, muito.

É por isso que ninguém decide por amputar uma perna por estar com unha encravada. Somente um louco decidiria amputar o pé, sentado na cadeira do podólogo. Unha encravada a gente trata, põe remédio, muda hábitos, faz de tudo para não somente não perder dedo, mas, principalmente ter melhor qualidade de vida.

No entanto, você está diante do especialista e não é “unha encrava”, mas trombose grave, não tem jeito, terá de amputar. Marca a cirurgia e realiza a intervenção. A partir deste dia, parte de você morre, acaba. Não existe amputação fácil, não existe divórcio fácil.

Há três atitudes que preocupam. A primeira é de gente que, porque cansou de algo em seu casamento, resolve se divorciar. É como amputar a perna por causa de unha encravada. A segunda é gente que não se submete à amputação por causa das aparências sociais, por medo de encarar o julgamento dos outros, “prefere morrer” a recomeçar a vida sem uma perna. A terceira é justamente o julgamento sobre quem precisa de amputação, como se fosse uma escolha moral, do tipo, um dia a gente acorda e resolve amputar o pé porque não gosta da cor que usou para pintar a unha.

Um divórcio é uma amputação. Considere isso:

Ninguém nos prepara para viver como amputado, simplesmente porque ninguém prevê isso no planejamento da existência. Assim é com o divórcio. Há cursos e livros sobre o casamento, em todas fases, com fartura à disposição de quem quiser. Mas pouco há disponível para ensinar a vivermos após o divórcio, nem mesmo para realizar um divórcio sadio. Sim, há divórcio sadio e divórcio doente, assim como é diferente amputar uma perna num hospital especializado e arranca-la no quintal de casa com canivete. O pós-operatório é completamente diferente.

Os amputados/divorciados precisarão de muita força de vontade para recomeçar a vida. Existe vida após a amputação/divórcio. Aliás, há muitas pessoas que se tornam uma melhor versão de si mesmas após uma amputação, sua experiência traumática tem poder de torná-las fortes, resilientes, decididas, com imenso poder de superação. Muitos tornam-se atletas sem uma perna, quando passaram uma vida sedentária antes. Há vida após o divórcio e ela pode sim ser melhor.

Amputados/divorciados precisam de próteses e de terapias para conseguirem andar novamente com a melhor possibilidade. Sem ajuda terapêutica fica mais difícil recomeçar.

Depois que passamos pela amputação/divórcio, precisamos aprender a lidar com o “olhar” ingênuo, descuidado, legalista e de ordens semelhantes. Lembre-se, a gente entende melhor quando passa pela mesma experiência. Por isso, não devemos esperar a aprovação de todos para recomeçarmos.

Amputados relatam a “dor fantasma”. Quando “sentem” o membro amputado como se ainda estivesse ali. Isso é tão real para divorciados! Haverá dores, coceiras, incômodos, como lembranças do passado. Precisamos lembrar nossa mente de que é “dor fantasma” e as pessoas que convivem com os amputados/divorciados precisam entender este fenômeno.

Enfim, que ninguém pense que estou sugerindo que se planeje o divórcio/amputação, isso seria tão tétrico e trágico quando fazer uma plano de previdência para poder amputar um braço aos quarenta anos. Óbvio que não tem propósito, significado, lógica.

Relatei os textos bíblicos de Mateus 5, Mateus 19 e Malaquias 2.16. Valho-me de duas leituras esclarecedoras indicadas abaixo.

Há tantos desdobramentos da vida após a amputação/divórcio! Quem sabe eu possa falar um pouco mais, adiante?

Desejo a todos, amputados ou não, paz, bem e vida de Deus, que nasce do conflito entre Seu Reino Ideal e nossos reinos humanos, gerando a vida possível de ser vivida aqui e agora, por gente que ama a Deus, a vida e vive com os pés aqui, enquanto mantém a cabeça em Deus!

http://www.pastorjoao.com.br/123/?p=654 encontrei o texto do Walter L. Calisson, neste blog. Recomendo este texto, não conheço o blog ou o responsável por ele.

Eunucos pelo Reino de Deus http://books.google.com.br/…/Eunucos_pelo_reino_de_Deus.htm…

© Alexandre Robles

Publicado em

O PASSADO SÓ EXISTE EM NÓS

Passado é condição emocional. Já não é e nunca mais se repetirá. Nós existimos no tempo presente, mas o passado é a existência do tempo em nós.

Por vezes tentamos reviver experiências e repetir histórias, a fim de consertar algo que ficou pra trás, como quem pensa que se tivesse mais uma chance, faria tudo diferente. Muitas vezes tentamos reproduzir cenários, clima e personagens de histórias já vividas. E tantas vezes repetimos histórias de outras pessoas, especialmente dos pais, quando trilhamos as mesas rotas sociais, escolhemos pessoas parecidas, cometemos erros semelhantes.

E o passado que já não é, existe com energia dentro de nós.

Publicado em

Passado é como quarto de infância. Quando a gente se muda, vive outras vidas, cresce e volta pra visitar a casa em que viveu as primeiras histórias, percebe pequeno o ambiente que antes parecia um mundo. É roupa que não cabe mais. Depois que a gente vive novas experiências, não cabe mais no mundo que deixou pra trás.

Publicado em

SORRISO DE MONALISA

Deus é discreto, Ele se revela nos detalhes, especialmente os mais simples. Poucos percebem seu poder revelado nos fracos e desprovidos; sua alegria na simples felicidade de uma criança; sua sabedoria disfarçada no silêncio dos humildes e incautos; sua vitalidade empacotada pela pequena semente.
Ao homem cabe ser espalhafatoso, mas Deus não chama a atenção, como nós, nem de si mesmo fala fazendo propaganda ou apresentando argumentos, apenas se mostra naturalmente em cada traço de sua arquitetura universal.

Quem quer ver a Deus precisa andar atento aos detalhes da obra.

Publicado em

A gente só vê fora o que carrega dentro. A gente enxerga mesmo é com a alma. Nosso olhar é projeção, por isso é denúncia. Quando a gente vê tudo feio, sem jeito, perdido, apenas está descrevendo o próprio coração.

Publicado em

Eu creio que Deus salvará mais gente do que a Religião e a Teologia são capazes de supor; e menos daqueles que estão contados entre os habilitados pela religião.

Publicado em

RESSACA

Nosso coração não dá conta, simplesmente isso, não dá. Vivemos de ressaca de informação e não sabemos como decidir entre tantas opções de quase tudo e sequer conseguimos nos sensibilizar e sofrer com tantas tragédias, maldades e calamidades.

Precisamos simplificar nosso olhar. Talvez fecha-los mais vezes, para nos conectarmos à nossa própria alma e ao Criador.

Publicado em

PARA COM ISSO

Havia uma mulher flagrada em adultério. Os religiosos recorriam à Lei e às suas interpretações e tradições que diziam que ela deveria ser apedrejada. Com pedras nas mãos a levaram até Jesus para testa-lo. Jesus afirmou que somente quem nunca tivesse pecado é que poderia executa-la. Ninguém ousou. À mulher Jesus disse: siga sua vida e não peque mais.

A gente sempre tem duas chances de parar de fazer o que é errado, o que nos agride, o que nos domina, o que nos desumaniza, o que fere a outros, o que nos afasta da experiência da presença de Deus. Através da morte, ou através da decisão simples de parar.

Não precisamos esperar a morte para mudar em nós o que precisa ser mudado. Não devemos afirmar que nascemos e morreremos sendo quem somos.

Há momentos em que tomamos consciência de quem somos e de algo que fazemos. Às vezes, na experiência de dor e vergonha, de julgamento e flagrante, como aquela mulher. Tais situações, em que somos expostos ao que somos, são possibilidades importantes de simplesmente dizermos que acabou, que não mais seremos como antes, que vamos mudar, que podemos seguir em frente porque ouvimos em nossa própria consciência a Voz de Deus, da Vida, que nos disse para deixarmos as velhas roupas da vida escravizada pelo mal e seguirmos em frente vivendo o novo.

Não precisa ser com a morte, pode ser hoje, agora. Vai. Segue em frente e deixe tudo pra trás.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

As piores perguntas são as que fazemos não para entender o outro, mas para apresentar nosso ponto de vista. São retóricas e arrogantes. Nem todas as perguntas merecem resposta.

Publicado em

ÁGUAS PROFUNDAS

Sou mergulhador. Até gosto da praia, gosto da brisa, do sol, do som, da maresia, da paisagem; mas me interessam, mesmo, as águas profundas.

Gosto de gente, da alma humana em sua profunda e bela complexidade. Até gosto das divertidas banalidades, de boas piadas, simples sorrisos, idiossincrasias e manias, belezas e gestos; mas me interessa mesmo o profundo da alma; emoções, impressões, causas, dores e significados.

Você até vai me encontrar na orla da praia dos encontros sociais simples, mas vai me conhecer mesmo, quando mergulharmos juntos, nos mares profundos de nossas almas. Então seremos amigos.

Prazer, eu.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

CARREGADORES DE SEMENTES

Trabalha como carregador. Sacas pesadas e costas envergadas sobre pernas cansadas da labuta. Tedioso processo, apoia cintura sobre pernas arqueadas, com mãos espalmadas pro céu e um só olho aberto para vigiar e corrigir a rota da saca lançada de cima, outro olho protegendo-se da luz do sol que castiga o couro. Como halterofilista, suspira e ergue a saca sobre os ombros, leve rotação à esquerda para retornar desviando-se dos companheiros em fila aguardando a vez, suspira mais uma vez e segue para o galpão. No caminho, um terreno aparentemente maltratado pelas pisadas que rasgam suco na terra, até lançar ao chão, com a força de quem quer descarregar todos os pesos de uma vida.

Adubo e semente carrega. Também preocupações e culpas. Costas largas e responsáveis, que precocemente assumiram tarefas que impediram realizações pessoais. Quem tem fome sonha apenas com pão. Flores são luxo, mas sua paixão. Dia a dia, no entanto, pensa no quão distante está do ofício de jardineiro e pergunta se a vida é somente aquela sucessão de rotinas cansativas.

De tão acostumado que está com o trabalho, já pode realizar de olhos fechados; e por mais que os mantenha levemente abertos, a mente não enxerga mais o caminho. De tão resignado com sua condição, enxerga sua alma mais fissurada que a terra que pisa.

Até que um dia nota, sem acreditar, que no caminho entre erguer os pesos e lança-los ao chão, a terra que era rasgada pelas pisadas pesadas, produziu brotos. Sem saber, ao cumprir sua sina de carregador, deixava cair, diariamente, bocado de semente e adubo sobre a terra que seus pés cuidavam de abrir, afofar e cobrir.

O tempo fez seu trabalho, transformar o carregador de sementes e adubos, no jardineiro que sempre quis ser, mesmo que não da maneira que imaginou que seria, ensinando que as pessoas que decidem cumprir suas responsabilidades, serão honradas um dia.

Pais e mães, professores, homens e mulheres que responsavelmente assumem suas tarefas na vida, muitas vezes pesadas, quase sempre distantes dos sonhos e dos ideais, serão recompensados por jardins que, sem saberem, estão plantando diariamente.

©2015 Alexandre Robles

Publicado em

Quando Jesus quis lavar os pés dos discípulos, Pedro não aceitou. Provavelmente por pudor de ser servido em público; ou por pensar que não era digno; ou calcular o possível custo de ter que retribuir.
Seja lá porque motivo, muitas vezes deixamos de receber o que Deus e a vida querem nos oferecer.

Publicado em

Sua melhor amiga é sua consciência. E ela é incorruptível. Você pode até achar que a engana ou a compra com falsas sensações de felicidade, mas apenas consegue silencia-la, por um tempo, causando ruídos de uma vida ocupada o suficiente para que não haja tempo e espaço para as conversas necessárias.

Publicado em

DE NOVO

Pedro, o amigo de Jesus, tinha acabado de passar a madrugada pescando. Havia sido um turno ruim, quase nada conseguiu. Ao amanhecer, encontrou Jesus à praia, ensinando. Jesus pediu que ele retornasse ao mar para pescar. Nisso, naturalmente, Pedro disse que já havia tentado a madrugada inteira. E sabe como é! Ele, Pedro, era o pescador, que entendia de marés e redes, de peixes e luas. Jesus, embora o mestre respeitado por seus ensinos, era filho de carpinteiro, entendia de bancos e mesas. Mas Pedro ousou obedecer.

De onde ele tirou forças para fazer a mesma coisa que havia acabado de fazer, sem obter sucesso?
Imagina, depois de se dedicar de todo coração a algo ou alguém e viver um fracasso esmagador, um abandono avassalador, uma perda irreparável, imagina, depois de algo capaz de desestabilizar completamente e roubar a esperança, ouvir uma voz dizendo pra tentar de novo, fazer de novo, amar de novo, servir de novo, fazer o mesmo, mesmo que o resultado de antes tenha sido tão sofrido!

Assim, Pedro fez tudo de novo. O milagre veio. Carregaram redes tão cheias de peixes que o barco quase afundou.

Há que ter muita fé para fazer de novo!

2015 Alexandre Robles

Publicado em

SOCORRO

O Senhor ouve a oração do quebrantado, do contrito. Esta é uma esperança presente nos Salmos. Talvez seja a última esperança de muitos. Provavelmente será de cada ser humano, em algum momento da vida, quando não houver forças, recursos e possibilidades.

Que força extraordinária há na fraqueza humana que sussurra a Deus por socorro, carregando apenas fagulhas na alma.

Em algum lugar, agora, me solidarizo com quebrantados e contritos. Paz e bem!

Publicado em

FALTA AMOR NA CIDADE

A vida se sustenta no sacrifício. Tudo o que há encontra no sacrifício de Jesus sua razão final. O amor é um ato sacrificial. Sacrifício é entrega voluntária do que se é, tem, sabe e pode, por alguém que não necessariamente merece. Às vezes sim, ou pelo menos inspira amor fraternal e romântico. Nem sempre.
Nossa geração elegeu o conforto e o prazer como metas pessoais, que se não alcançados fazem do indivíduo o ser fracassado e sem sentido. O sentido é o prazer.

Por isso, viajamos mais que os navegadores europeus da idade média, comemos mais que os nobres dos séculos passados, extraímos mais prazer do nosso corpo que um sultão em seu harém, dominamos mais tecnologia estética, cosmética e médica que as teorias futuristas dos pós-guerra jamais seriam capazes de prever e mesmo assim, somos tão vazios, infelizes, doentes de alma, sem ideais e patéticos.

A razão principal é a falta do amor-sacrifício, que segundo o Apóstolo Paulo, Camões e Renato Russo, sem o qual, eu posso realizar feitos extraordinários que nada valerão, serão como sinos que fazem barulho, mas não são melodias musicais.

O maior paradoxo da existência é que somente é feliz quem se sacrifica em amor pelo outro.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

NEM TUDO O QUE RELUZ É OURO
Diferenças sutis: entre o profeta e o louco; entre o visionário e o sonhador; entre o obstinado e o teimoso; entre o romântico e o carente.

Publicado em

AMOR OU EXTORSÃO

“Eu dou a minha vida, ninguém a tira de mim, fui autorizado por meu Pai a fazer isso”.
Jesus Cristo em João 10

Jesus ensinou o amor completo, que é dar a vida por quem não merece. E ensinou também que amor é entrega voluntária do que se tem pra dar. Ninguém roubou dele, ninguém arrancou, Ele deu, porque quis e quando quis. E deu porque tinha para dar, porque o Pai o autorizou a isso, porque era Senhor de sua vida.

Amar é dar o que tem pra dar. Quando, em nome do amor, deixamos as pessoas tirarem de nós o que não temos para oferecer, seja tempo, saúde, alma, vida, estamos sendo extorquidos, roubados, invadidos. Isso não é amor.

Amar é dar espontaneamente somente o que se tem pra dar.

2015 Alexandre Robles

Publicado em

Comunhão tem a ver com compartilhar pão e bens; caminhar ao lado de pessoas que têm em comum valores e ideais; sentir-se cúmplice e conhecido de semelhantes. Sob a Mensagem e o Poder Espiritual do Evangelho, além da mesa comum, caminhamos ao lado de pessoas que têm como ideal o próprio Evangelho e nos sentimos próximos de pessoas como nós, pecadoras e resgatadas. A isso, Jesus deu o nome de Igreja, não importando onde se encontram, nem com que frequência, muito menos sob quais credos e tradições.

Publicado em

Esperança não é própria da juventude. O que se tem nessa fase da vida é pretensão. Tem a ver com a segurança de que o futuro será ideal simplesmente porque é você que o está construindo e certamente fará diferente de todos que vieram antes de você, especialmente seus pais. Esperança é coisa de gente vivida, que mesmo tendo muitas razões para não mais querer viver, insiste no próximo passo com a certeza discreta e comedida de que vale a pena fazer de novo.

Poucas realidades são mais bonitas e inspiradoras que um olhar emoldurado de rugas e umedecido pelo orvalho da esperança.

Publicado em

“Às vezes faço o que quero e às vezes faço o que tenho que fazer.” E o problema é que nossa geração não tem paradigmas do que se tem que fazer e sobra em tiranias de se fazer apenas o quer.

Publicado em

Seja discreto sempre. Sua dor não é uma linguagem, jamais a use para se comunicar com as pessoas, você não precisa fazer dela uma forma de chamar a atenção. Apenas quando uma outra pessoa sensível e capaz de entender o que você sofre de verdade, se aproximar, é que você estará em ambiente seguro para dividir pesos. Seja discreto na alegria, sobretudo nela, porque é dela que as pessoas têm inveja, não da dor; e justamente por isso, somente suportará de verdade a sua alegria, quem ama de verdade. Seja discreto, também, em suas opiniões. Diferente dos posicionamentos que exigem publicidade dos quais não se pode fugir, as opiniões que carregamos sobre pessoas e situações são apenas nossas, muitas vezes apenas momentâneas, tão frágeis, preconceituosas, que não devem ser expressadas sob risco de nos estigmatizarem. Discrição, sobretudo, com o que viu e ouviu e que não lhe pertence, mas foi manifestado sob a fragilidade de alguém. Todos somos frágeis e indiscretos em algum momento de dor, alegria, loucura ou relaxamento e é muito bom estar cercado de gente discreta nessa hora, que testemunhará o que ninguém mais precisa saber e enterrará nos túmulos da discrição.

Publicado em

PARADOXO
Pra ganhar, tem que perder; pra liderar, tem que servir; pra ascender, tem que descer; pra ser cheio, tem que se esvaziar; pra enxergar, tem que fechar os olhos; pra falar com Deus, não precisa de palavras; pra viver, tem que morrer a cada dia.